Água radioactiva e velocidade no asfalto


Pedro Correia,

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O ministro do Ambiente soltou esta semana um grito dolorido. É tempo, diz ele, de parar com a produção global de combustíveis fósseis que vai colocando o planeta à beira da catástrofe ecológica. «Mais do que salvar o planeta é salvar-nos a nós próprios como espécie. Nós de facto não conseguimos suportar este aumento de temperatura. A economia tem de crescer de forma completamente diferente e com investimentos que sejam focados na sustentabilidade», declarou o governante, notoriamente alarmado. 

Fui conferir. Matos Fernandes ocupa há seis anos consecutivos a pasta governativa, desde 2018 crismada com o pomposo título de Ministério do Ambiente e da Transição Energética – obedecendo ao péssimo hábito, há muito vigente em Portugal, de alterar constantemente designações para disfarçar a total incapacidade de fazer reformas. 

«Isto não vai lá sem o esforço de todos”, adverte Matos Fernandes, como se fosse um recém-chegado. Afinal prestes a entrar no sétimo ano de funções no Executivo socialista que tanto se orgulha de proclamações retóricas com alvos de longo prazo. Como esta: «Portugal foi o primeiro país no mundo a afirmar o compromisso da neutralidade carbónica em 2050.»

Merecia medalha de ouro se fosse modalidade olímpica.

 

Mas o que nos recomenda já hoje, não para 2050, Sua Excelência, auscultado pela Lusa? «Deixar de usar combustíveis fósseis, plástico de uso simples, o petróleo, reduzir muito as embalagens, beber água da torneira, utilizar os transportes públicos.»

Azar do ministro que gosta de escrever cartinhas à «querida Greta» para receber um aceno de aprovação da activista sueca. Horas depois de fazer tão sábias declarações ao país, ficávamos todos a saber, através de notícia divulgada no Jornal de Negócios, que a era do gás natural barato chega ao fim, havendo expectativa de subida dos preços na ordem dos mil por cento. 

«Com o aumento dos preços do gás natural será mais caro abastecer fábricas ou produzir petroquímicos, atingindo todos os cantos da economia global e reforçando os receios de inflação. Para consumidores, o custo será reflectido nas contas mensais de energia e gás. Vai ser mais caro usar uma máquina de lavar, tomar um banho quente ou preparar o jantar», esclarece o jornal. 

Isto não augura nada de bom. Resta-nos beber muita água da torneira e utilizar os transportes públicos, seguindo a recomendação de Matos Fernandes, que há menos de um mês viu a Comissão Europeia accionar Portugal por alegado incumprimento de regras sobre o controlo da presença de substâncias radioactivas na água potável engarrafada que podem causar sérios danos à saúde pública. O mesmo ministro que há poucas semanas foi apanhado a voar baixinho numa auto-estrada e numa estrada nacional, transgredindo largamente os limites de velocidade impostos ao cidadão comum pelo Governo a que pertence. Como se acelerar no asfalto não aumentasse as emissões poluentes que tanto o assustam. 

A “querida Greta” certamente não iria gostar.

26 comentários em “Água radioactiva e velocidade no asfalto”

  1. A “notícia” do Jornal de Negócios parece não passar de uma transcrição de um artigo brasileiro de duvidosa qualidade.

  2. Razão tem o ministro em recomendar o consumo de água da torneira: a água engarrafada pode ser radioativa.

  3. Depois do renascimento do Tal&Qual, está na altura de ressuscitar “Os Ridículos”..
    Há material para anos!

  4. Ainda o homem não se lembrou de aproveitar o vento do peido para produzir energia limpa, deixando em aberto a criação de um grupo de trabalho para averiguar se a bufa debita lama em excesso.

  5. Este senhor perdeu definitivamente toda a sua credibilidade, ao ser apanhado em alta velocidade (foi a gota que fez transbordar o barril). Infelizmente, esta coisa do ambiente é aproveitada por muitos hipócritas como ele, a fim de ganharem notoriedade e passarem uma imagem “up to date”. Lamentável! Assim não vamos lá. Além de que descredibiliza uma preocupação legítima.

    Enfim, nada a fazer. Ainda ontem vi (por acaso) o “Primeira Pessoa” com Rui Veloso na RTP3. Dizia ele que está pessimista em relação ao futuro da humanidade e consciente de que os seus filhos e possíveis netos terão sérias dificuldades. Concordo com ele.

  6. Gosto do uso da 1a pessoa do plural.
    Vou levar estas recomendação a sério quando vir a classe política a chegar a São Bento de bicicleta ou deslocar-se para a sua Câmara montados numa trotineta em pleno Dezembro. Sou um carneirito, só acredito na liderança por exemplo.
    Lá no Parlamento vendem garrafas de água ou os deputados só têm acesso à del cano?

  7. Portugueses mantêm liderança mundial no consumo de vinho.
    Ministro:
    – Bebam água da torneira.
    Não sei porquê mas quer-me parecer que este ministro está a prazo.

  8. Ainda irei ler que a Thurnberg foi a criadora do movimento de consciência ecológica.
    É verdade que vivemos numa sociedade desigual e que vive da predaçao dos recursos, mas em algum ponto da História foi diferente? Irrita esta espécie de kumbaya de que tudo era bom, veio uma maldita geração e rebentou com o futuro da Humanidade. Não pela ignorância ou hipocrisia demonstradas, mas porque a visão deturpada é o primeiro passo para a não resolução dos problemas, que existem.
    As ditas soluções fáceis de impacto imediato só criam novos problemas. Há uns anos o biodiesel ia salvar o mundo, bastava plantar umas maçarocas e ia ficar tudo bem. Os resultados foram maravilhosos. Agora é a mobilidade eléctrica. Ao mesmo tempo que se barafusta contra a exploração de lítio. Ninguém vê a ironia da coisa?
    E já agora, convém nao pensar somente nas soluções para os problemas ambientais, mas também para as consequências daquelas soluções. É que ninguém gosta de carvão, petróleo e gás, mas há muita gente cujo sustento depende disso. Alguém faz ideia do que fazer no dia seguinte à extinção do uso de combustíveis fósseis, ou sequer perdeu um minuto a pensar nisso?
    Finalizando, oelefante na sala é a sobrepopulação. Pois, nao tem solução, portanto é melhor carregar noutras causas.

    1. A sobrepopulação implica grandes urbes, grandes sumidouros de energia, abastecidas por distâncias cada vez maiores. Não tem solução, como diz, já não é possivel passar o tempo para trás e voltar á aldeia da roupa branca.

  9. Apenas um produto do aviário de políticos PS.
    Ao longo dos anos aquela torre de marfim foi-se atafulhando com refinados demagogos. Até onde poderá ir ainda esta, politicamente legalizada, sem-vergonha?.

  10. Mais um genocídio Marxista em construção.
    E como sempre o ódio ao individual, a pessoa , a liberdade. Atacando tudo o que a define: preços baratos, escolha, carro, etc.

    Verdes por fora vermelhos por dentro.

  11. Se queremos “ salvar o planeta” temos que nos livrar primeiro destes imbecis que falam carregadinhos de “ modernidade” lambendo o rabo à menina sueca .
    Pequena política feita por políticos anões que para se tornarem visíveis se põem às costas Da gazeteira sueca . Pode ser que bebendo água radioactiva este tipo se ilumine ou pelo menos se torne mais visível , porque de imbecil já não passa

  12. Para salvar o planeta temos já que nos salvarmos deste ministro e da corja que corteja a gazeteira Sueca.Não deixa de ser notável que personagens deste “calibre” andem a reboque de uma pequena que mais ou menos ou nada bem intencionada consegue palco e leva este e outros imbecis a reboque sendo que estes por sua vez nos querem rebocar para as suas ideias (?).

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