
“Na vida real, no Brasil como em Portugal, não faltam Garcês de Brito. Há sempre alguém disposto a justificar a corrupção, o tráfico de influências e a distorção do mercado por cartéis e grupos ligados à política.
Invariavelmente, um alegado bem maior é invocado como justificação para que o cidadão comum e o sistema de Justiça fechem os olhos à podridão. Esse bem maior pode ser o alegado interesse nacional, a clubite partidária (que cega até gente inteligente e honesta, com o argumento de que os “outros” são igualmente corruptos), ou, simplesmente, o elevado custo económico de parar a música e acabar com as aldrabices.”
Filipe Alves, no Jornal Económico.

À margem da pantomina Coelho no Pacheco
Uma decisão legal que é um atentado à justiça.
Num caso com esta dimensão e com este melindre, mas sempre, a decisão de um supremo para confirmar uma condenação só deveria ser considerada válida com pelo menos 2/3 de votos nesse sentido.
Isto para não cair no exagero fundamentalista da exigência de unanimidade.
Nesta circunstância, tratando-se do que se trata, uma onda de violência no país será a sede que se deseja?
a distorção do mercado por […] grupos ligados à política
Quando as acusações de corrupção se viram apenas contra um político, quando é mais que sabido que múltiplos outros políticos também são corruptos, é caso para pensar que há “distorção do mercado [político] por grupos ligados à política”.
A distorção do mercado imobiliário provocada por Lula com o seu apartamento foi sem dúvida bem menos penalizadora do que a distorção do mercado político que está a ser causada pela sua condenação (a condenação somente dele, e não de todos os outros políticos corruptos).
Há crimes de toda a natureza cuja autoria não é conhecida. Deverá por isso acabar-se com o Código Penal?
Quanto ao caso brasileiro, penso que muitos pesos pesados do PT foram condenados no âmbito do processo do mensalao.
Concordo a acrescento mais. Segundo alguma imprensa: “O juiz do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, citado pela “Folha de São Paulo”, diz que a “prisão de Lula é absurda, fruto do autoritarismo desse punitivismo processual hoje em voga no país. Os recursos ainda não se esgotaram e já se precipita a prisão!”. Segundo dois comentadores, um português e outro brasileiro, não existe nenhuma prova concreta de que o tal apartamento pertença a Lula. Não será a justiça que está a precisar de ser julgada?
Já que se fala tanto em corrupção e para quem acha que só pode existir corrupção em alguns poderes, deixo-vos uma frase muito boa. “O poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente”. Sabem quem tem um poder absoluto?