Comunicação e chavões


jmmcc,

A SIC anda a promover o programa que vai emitir a partir da tardinha de domingo. É normal. Porém, fecha o anúncio a dizer: «na noite em que escolhemos o primeiro-ministro de Portugal». É muito grave? Não é, certamente, mas pode ser mentira e, sobretudo, manifesta pouco respeito pelo autêntico objectivo de um acto eleitoral que faz parte da essência do nosso próprio regime. Da parte de um meio supostamente especializado em comunicação, então já começa a ser grave, pela falta total de rigor.

É igualmente certo que a comunicação em geral tem descido de nível a cada passo, da expressão à criatividade, passando pela generalidade das vertentes que quisermos encarar. A título de exemplo, veja-se o chavão da SIC-Notícias num dos seus preparados de autopromoção: «O orgulho de poder dizer». Ou ainda aquele do Banif que aparece por todos os cantos: «A força de acreditar». Muito imaginativos e interessantíssimos, estes e outros que tais.

13 comentários em “Comunicação e chavões”

  1. Não é o dia em que escolhemos o primeiro-ministro. É o dia em que escolhemos 230 deputados. Serão estes, e o Presidente da República, que designarão o primeiro-ministro. A SIC anda a precisar de umas lições sobre as mais elementares regras do sistema político português.

  2. Pois eu acho o seu reparo muito pertinente. É grave o chavão da SIC. A degradação também se vê nesta troca do rigor pelo slogan chamativo.
    :))

  3. Concordo com o que escreves e com os comentários precedentes, mas a verdade é que a “linguagem”# televisiva tende cada vez mais a confundir-se com a “linguagem” popular. Há quem considere isso uma virtude da comunicação.
    O problema é que alguns que pensam assim, estão a ensinar futuros jornalistas.

    1. Pois estão, Carlos, e estão a ensinar mal. Além disso, não vejo qualquer vantagem na possibilidade de a linguagem televisiva estar a confundir-se com a linguagem popular. Aquela é que pode resultar desta; e o contrário depois; e um círculo vicioso a partir daí. Mas sou adepto de que a televisão (linguagem e tudo o mais) tivesse um papel mais pedagógico, mesmo que fosse só um contributo ligeiro.

  4. Na verborreia eleitoral
    de tonalidade maliciosa,
    é tal a jactância visceral
    de propagação infecciosa.

    O arroubo elevatório
    é por demais evidente,
    sendo público e notório
    a essência decadente.

  5. Já corrigi esse erro a tanta gente…. é impressionante a quantidade de pessoas que julga que o objectivo das legislativas é eleger o primeiro-ministro. Com as televisões a meterem os pés pelas mãos desta forma que descreve, a coisa não melhorará certamente.

    Por outro lado, também creio que a forma como as campanhas eleitorais se desenrolam contribuem muito para essa percepção das pessoas. As campanhas são demasiado “pessoalizadas” (palavra horrível, ao cuidado do Pedro Correia). Talvez fosse bom isso começar também a mudar.

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