A história é quase comovente. Telmo Ramalho não tinha imaginado ser actor. Natural de Figueira de Castelo Rodrigo (não precisa de ir ao mapa, é no distrito da Guarda), Telmo Ramalho viu a sua vida transformada por uma cassete (uma espécie de CD mas um pouco mais primitivo, ver referências na internet, por favor) que o pai comprou numa estação de serviço. A cassete trazia os monólogos de Raul Solnado. Não o entusiasmou à primeira, precisou de um pouco de tempo, e depois rendeu-se ao poder quase hipnotizante de Solnado, a sua capacidade única de dizer um texto.

Vou contar-lhes a história da minha ida à Guerra de 1908.
Eu trabalhava numa fábrica de produtos farmacêuticos, e, um dia sem querer, parti um comprimido e despediram-me. Fui então lá para casa sentar-me numa cadeira que nós lá temos para quando somos despedidos. Estava-me a baloiçar, quando entrou o meu tio Gustavo com o jornal que trazia o anúncio da guerra.
Precisa-se de Soldado que mate depressa!
E diz a minha tia:
Porque é que tu não respondes a esse anúncio?
E diz a minha mãe:
Isso, isso o que era preciso era comprar-lhe um cavalo!
e diz a minha tia:
Mas eles na guerra dão cavalos.