A igualdade é só para os outros


Pedro Correia,

627929[1].png

 

O secretário-geral do PCP juntou-se à manifestação promovida em Lisboa, no sábado, pelo Movimento Democrático das Mulheres – um dos vários organismos criados ou tutelados pelos comunistas, tal como o Conselho Português para a Paz e a Cooperação, a Intervenção Democrática, a Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos, o Partido Ecologista “Os Verdes” ou a Confederação Nacional da Agricultura.

Disse na altura Jerónimo de Sousa que “as mulheres importantes” estavam ali, na Baixa lisboeta, “e não no congresso do CDS”. A comparação não foi a mais feliz: o CDS é hoje liderado por uma mulher, Assunção Cristas, algo que nunca aconteceu na história quase centenária do Partido Comunista Português. O CDS já teve uma mulher a liderar o seu grupo parlamentar, algo que nunca aconteceu na bancada vermelha em mais de quatro décadas de democracia.

Declarou ainda Jerónimo que se juntava à manifestação do MDM como forma de se expressar contra a discriminação das mulheres. O dirigente do PCP podia começar por combater essa discriminação na sua própria casa: nenhum dos candidatos presidenciais até hoje apresentados pelo partido da foice e do martelo em 40 anos de democracia era do sexo feminino. E o Comité Central comunista, com 146 membros, integra apenas 37 mulheres – ou seja, 24,5% do total.

Longe, muito longe mesmo, da igualdade e da paridade que os comunistas muito apregoam e pouco praticam.

60 comentários em “A igualdade é só para os outros”

      1. https://youtu.be/rkPZ0e_5F6w

        Para trabalho diferente, salário igual. E “adespois” ( AO2020) sem guito para o dentista.

        Vi a Odete, há uns anos, durante um jantar, em Setúbal. Recitava Ary sobre uma travessa de arroz de tomate com petingas. Adiantada a hora aplaudi, não sem antes esconder a faca da mesa. Lia António Sardinha. Reparei que todos eles mastigavam apenas para um dos lados. Saí enjoado.

          1. Pedro, deixo-lhe outro manifesto!

            Queremos justiça, transparência e decência na política educativa e da ciência em Portugal
            Para: Presidência da República, Assembleia da República, Primeiro-Ministro, Ministros da Educação e da Ciência, Reitor da Universidade de Lisboa, Conselho Científico do ISCSP, Docentes e Investigadores

            http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT88661

            Já jantei….umas salsichas com uns ovos…cheguei tarde….escola, dança hip- hop…sogros …o habitual…espero que tenha comido melhor que eu.

  1. Nada a estranhar, na verdade, tendo em conta que se está perante uma organização não conservadora, mas sim claramente reaccionária. Em qualquer caso, muito oportuno este brevíssimo resumo. Um caso de “verdade a que (não) temos direito”.

    Costa

    1. Este pretende ser um exemplo de combate ao jornalismo preguiçoso que por aí prolifera.
      Não basta recolher as declarações de X ou Y. É preciso confrontar as palavras com os factos.

  2. Há que combater a discriminação, sim, mas também o sectarismo e, já agora, o obscurantismo e a ignorância, porque é disso que se trata. A estética da cara feia, do punho erguido, da ameaça, do desrespeito e do insulto por quem não comunga dos mesmos dogmas velhos, poeirentos e tão desmoralizados. Como é possível, levantar a bandeira da discriminação, lançando mão de um acto discriminatório, separando mulheres importantes de não importantes…??? Muito louco.

    1. O secretário-geral do mais machista partido português atreve-se a passar atestados de feminismo aos restantes partidos – neste caso ao CDS, liderado por uma mulher e com 8 mulheres entre 18 deputados.
      É preciso ter muita lata.

  3. Como alentejano, nem sei como começar. Vejo a grande maioria dos meus concidadãos ligados ao PCP. Em pleno século XXI, com tanta informação do que foi a grande tragédia das 110.000.000 de vítimas do comunismo, as minhas gentes continuam a votar no PCP.
    Daí ser obrigado a concluir que não as posso considerar pessoas de bem. A atestá-lo está o meu dia-a-dia com elas. O fulano tal tem isto e aquilo, eu tenho o direito de o ter também. A Direita é uma cambada de ladrões. Decididamente, o alentejano não presta, que investe em pessoas que querem matar o investidor?
    Tivemos a sorte do Marcelo Caetano se lembrar de Sines, e o Alentejo ser rico em minerais, senão éramos uma miséria economicamente, nada que o PCP não deseje, pois só tem sobrevivência onde ela existe.

    1. Razão tinha o Henrique Raposo. O melhor que o Alentejo tem são os porcos. E o vinho…e os queijos …a doçaria também não está mal, não senhor….as alentejanas, bem nutridas….mas mais nadinha de nada.

        1. A beleza das planícies na imensidão da paisagem…O silêncio entrecortado por grilos e/ou cigarras em modo concerto…O céu mais estrelado e as estrelas cadentes…A serenidade…[O Verão – as férias grandes – na minha infância]
          São inúmeros os motivos para se gostar do Alentejo – já para não falar da gastronomia – mas eu sei, tenho uma costela, sou suspeita.

          1. Muito bem. Vale a pena ser “suspeita”, em casos desses.
            Qualquer dia faço aqui uma lista de vinte (ou trinta ou cem) motivos para amar o Alentejo.
            Mas depois terei de fazer o mesmo em relação ao Minho, às Beiras, a Trás-os-Montes, ao Ribatejo e ao Algarve. Sem esquecer as ilhas.

          2. Pois faça a lista para todas essas regiões. Porque cada uma tem os seus particulares motivos de atracção.

      1. O senhor, como o dito raposo, não ama o Alentejo. Mas consegue encontrar-lhe mais coisas boas que ele; e talvez não lhe pertença por nascimento ou vivência. Esse rapaz é um caso patológico, não estima a terra que o viu nascer, viveu nela e tudo que aprendeu foi a encontrar-lhe os defeitos. De uma coisa pode ele estar certo, não há muita gente assim.

          1. Ainda bem. Desconhecia esse facto mas fico contente que assim seja. Pelo Alentejo e por todos os alentejanos dos quatro costados. Retiro o que disse, não é patologia. Será mesmo mau carácter ou excesso de desdém, veneno em demasia.

  4. Isso ainda há-de ser resultado do fachismo.O trabalho de reeducação dentro do partido continua até se conseguir a paridade.Calhou a um partido riacionário apresentar melhor resultado interno.Mas será possível tais mulheres riaças serem consideradas iguais? Marx ainda serve de exemplo,fazendo os trabalhos domésticos,dispensando criadas,moirejando nas fábricas lado a lado com os operários,encabeçando as greves.Foi há pouco a evocação dele.

        1. Cada vez escrevo pior. Mas por outro lado penso sucessivamente melhor…Pedro , será uma sina dos intelectuais?

          1. Está no bom caminho, Vlad. Mas tente escrever de forma um pouco mais hermética e obscura: só assim será um verdadeiro intelectual.

          2. Pedro, consultando o currículo dos membros do Comité Central do PCP, deparei-me com uma jóia :

            Fulano, operário, Beltrano, eletricista, Silva, manobrador de grua, Lopes, metalúrgico e depois. …Filipe Vintém
            Intelectual. 36 anos de idade.

            Intelectual é profissão de fé?

            http://www.pcp.pt/comite-central-do-pcp

          3. São duas das “profissões” mais em voga entre os membros do CC do PCP: “empregado” e “intelectual”.
            Eufemismos para ocultar a realidade: são afinal funcionários do partido.

  5. a igualdade e a paridade que os comunistas muito apregoam e pouco praticam

    Eu não sou especialista em propaganda do PCP mas, pensando bem, parece-me que os comunistas apregoam a igualdade, sim, mas não a paridade. Os comunistas defendem “salário igual para trabalho igual” mas nunca defenderam, que eu me recorde, a ocupação igual de cargos de poder por mulheres. (Aliás, isso é normal, porque os comunistas preocupam-se mais com os trabalhadores indiferenciados e menos com os poderosos.) A moda moderna de defender paridade nos cargos de poder nada tem a ver com a propaganda comunista.

    1. “Os comunistas defendem “salário igual para trabalho igual”

      O PCP tem por regra que os seus eleitos mantêm o mesmo salário que recebiam antes de assumirem aquelas funções. Jerónimo de Sousa, por exemplo, fica com o vencimento de cerca de 700 euros, o mesmo que auferia quando era operário metalúrgico.

  6. Preparava-me para comentar este post mas depois de lidos os comentários, basicamente, disseram o que eu ia escrever…

  7. Por vezes penso que quem inventou a figura de estilo do paradoxo estava a pensar em partidos como o PCP e outros que tais…

    1. Um partido que ainda se intitula “comunista” e se proclama anti-UE e anti-euro enquanto apoia um governo que tem como ministro das Finanças o presidente do Eurogrupo.
      Só paradoxos.

      1. Tão anti-UE mas que não recusa ocupar os lugares que tem no Parlamento Europeu…

        Tão anti-UE que muitos dos seus militantes, com cargos públicos e não só, não dizem que não aos programas europeus de financiamento…

        E também deve ser anti-impostos, porque foge deles como muitos fugiam de Estaline… Os outros que paguem…

        Só paradoxos…

        Pergunto a Jerónimo de Sousa se é por isso que as mulheres que interessam, inundaram também a Câmara de Loures, mesmo que não soubessem praticamente ler nem escrever… Algumas bem próximas do mesmo.

        1. São boas perguntas. Infelizmente o nosso jornalismo político deixou há muito de escrutinar o PCP, ao contrário do que faz com os outros partidos.
          As perguntas que se impunham, em termos jornalísticos, ficam quase sempre por fazer.

  8. Bom. Já aviso que não sou comunista nem nada. Mas afinal, que se espera que Jerónimo diga senão que as mulheres que se manifestam pela igualdade, e o pcp promove, são as verdadeiras democratas?! Ora essa.
    Sei bem que Assunção Cristas é mulher e presidente de um partido chamado CDS, que esse partido até tem outras mulheres em cargos políticos e respeita a lei da paridade. Honro-o por isso. Pergunto-me é se, em consciência, serei capaz de pensar que umas e outras se equivalem. Um presidente pode ser uma nódoa, ninguém vale pela posição que ocupa, mas pela forma como realiza essa ocupação. E nem as presidencias são todas iguais. O chefe da ex PIDE DGS era provavelmente presidente ou director, exercia a função também provavelmente com zelo, mas não deixa de ser execrável, se é que ainda vive. Não quero fazer juízos de valor sobre os dois partidos políticos em causa e que se situam no extremo um do outro. Mas Jerónimo foi fiel ao que sempre afirmou e às convicções do PCP. É verdade que existem inconsequências no Partido Comunista, que é um partido conservador e pouco flexível, mas reconheço-lhe o valor de lutar pelos mais desfavorecidos e, os seus militantes têm uma história de maus tratos e perseguições no antigo regime. Ao CDS não sei que reconheça nem historicamente. Mas gostei da blusinha de seda de Assunção, as cores que vestia, entre o rosa e o violeta, ressaltavam no fundo azul.

      1. Há gente de valor em todos os quadrantes e ninguém é branco ou preto a tempo inteiro. E hoje, o CDS concorda com a constituição que existe ou preferiria mudá-la?!

        1. Pelo que ouço preferia mudá-la. Já o PS e PSD alteraram muito do que vinha originalmente na CRP, e que era a sua faceta mais descaradamente ideológica (como a irreversibilidade das nacionalizações).

      1. Chamo apoiar os trabalhadores, lutar por criação de empregos, contra recibos verdes e a precariedade. Suponho que o PCP faça a defesa das classes trabalhadoras e distribua a sua actividade por outros sectores como a saúde e educação. Mas não conheço o partido em direitas e avessas.

  9. Não acho que a CNA seja uma criação do PCP (senão teria de prevenir a minha Mãe, que é associada), mas é verdade que o partido do velho Jerónimo tem lá alguma influência. Aqui há tempos organizaram uma Manif contra o actual governo e não faltou quem a acusasse de “fazer o jogo da direita”.

    1. A CNA foi criada em 1978 para procurar combater por dentro a CAP e costuma ser o “braço” do PCP para o sector agrícola, João Pedro.
      Aqui ficam algumas ligações:
      https://www.rtp.pt/noticias/pais/memoria-de-joaquim-casimiro-acompanhara-lutas-da-cna_n28508
      http://www.pcp.pt/encontro-com-cna-confederacao-nacional-da-agricultura
      https://www.pcp.pt/joomla/index.php?option=com_content&task=view&id=35422&Itemid=594
      https://www.pcp.pt/joomla/index.php?option=com_content&task=view&id=35422&Itemid=594

      1. A CAP e os latifundiários sempre estiveram muito associados à estabilidade do Estado Novo. Aliás foram o principal obstáculo à industrialização do país – a industrialização sempre foi inimiga dos interesses latifundiários

          1. Bem sei! Mas o latifúndio alentejano é anterior ao 25 de Abril. A campanha nacional cerealifera

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *