Considera-se (isto é, eu considero) que o Inverno começa a moderar-se ou a ser “menos Inverno” a partir de vinte, vinte e tal de Fevereiro. Os dias são maiores, o frio glacial já passou, e a época das tempestades que caracteriza meados de Fevereiro começa também a dissipar-se.
Este ano, aparentemente, este fim de mês e início do próximo prometem ser verdadeiramente invernosos, apesar de já termos tido uns dias de frio. A Senhora das Candeias e o Phil de Punsxsutawney é que tinham razão: o Inverno estava mesmo para durar.
Já agora, quando é que os noticiários páram de falar no “mau tempo” que está a chegar? Com a seca gravíssima que o país atravessa, a chuva e a neve que caem por todo o país são tudo menos mau tempo.

Também tenho escrito sobre isso, João Pedro. fim-uma-boa-noticia-9719118 t/o-bom-mau-tempo-9814266
Aqui, por exemplo:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/en
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.p
Nunca seremos demasiados a pôr em contraste esta enorme contradição dos noticiaristas cá do burgo, sempre prontos a bramir contra o “aquecimento global” e a “seca extrema” mas que desatam a perorar contra o “mau tempo” assim que sentem dois pingos de chuva na moleirinha.
Vamos lá com calma.
A definição usual de “bom tempo” e “mau tempo” não é arbitrária nem pretende ser contraditória. Já se sabe que estamos perante uma convenção, perante uma subjectividade e perspectiva elevadas a norma. Há outras, sem dúvida; mas na linguagem corrente não podem ser ponderadas de igual forma e ao mesmo tempo, sob risco de cacofonia.
Da perspectiva dos peixes, a chuva é algo muito interessante. O frio intenso aliado a uma grande humidade é maravilhoso, do ponto de vista de um cangalheiro.
Já agora: a quimioterapia é uma coisa boa ou uma coisa má?
julgo que a quimio seja coisa destruidora que, aplicada a eliminar ou neutralizar alguns invasores mortais que penetram ou se geram no organismo humano, se torna benéfica ainda que destrua outros elementos e faça sofrer quem a suporta. Parece-me que o saldo talvez seja positivo.
Fossem do ramo da agropecuária ou vivessem perto de uma albufeira e provavelmente a definição de “bom tempo” seria outra.
Ora bem.
Para relembrar a propaganda do jornalismo marxista e o estado da “ciência do clima” :
O que se escrevia em Março de 2000
http://web.archive.org/web/2015072309010 3/http://www.independent.co.uk/environme nt/snowfalls-are-now-just-a-thing-of-the-p ast-724017.html
E claro os “jornais” nunca fazem a revisão do que escrevem.
Claro, o facto de alguns cientistas produzirem formulações que se revelam apressadas é puro marxismo. Noto que o caro Lucklucky parece ser daqueles para quem as alterações climáticas são “uma invenção dos comunistas” (esses grandes ambientalistas) para “prejudicar a economia mundial”.Curiosamente algumas previsões de Marx não se revelaram assim tão furadas.
A palermada consegue chamar mau ao ouro que chega vindo do céu.
Tem razão, este mau tempo sabe-nos tão bem. Melhor que os dias soalheiros que o antecederam por tempo demais. Oh, esqueci-me da Senhora das Candeias…já passou? Ora bolas.
“Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
. Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!”
Precipitação excessiva que provoca escorrência e deslocação massiva de sedimentos, em vez de infiltração de água no solo, também não é bom. Nem para as infra-estruturas, nem para o solo, nem para os animais e plantas atingidos por deslizamentos, escombros ou alagamentos.
A água faz falta, sim, mas ainda não aprendemos a minimizar os riscos dos temporais e a aproveitar a que é precipitada em doses cavalares.
Bom tempo é aquele em que, nem por falta nem por excesso, a precipitação e o vento não destroem o que está.
Por enquanto.
A neve que caiu ontem e hoje é óptima: mata os vermes, penetra na terra, e ainda anima as pessoas, ao contrário da chuva. Só tenho pena que Portugal seja praticamente o único país da Europa que não tenha neve no litoral.
Aqui do litoral digo o mesmo 🙂
E mais aborrecido fico quando vejo a neve que cai nas praias do País Vasco e da Roménia (e em Vila Real, terra da minha Mãe, onde nunca consegui apanhar neve excepto no Marão).
Já agora, este comentário acima que saiu como anónimo era meu.
A vingança serve-se fria.
Os autómóveis insistiram em circular apesar de tanto aquecimento global que estavam a provocar.
Agora, olhando para as filas de carros nas autoestradas, parados, cobertos de neve com os ocupantes a tiritar de frio lá dentro durante horas, tudo é mais claro: Os carrinhos não quizeram parar de circular?. Parou-os o aquecimento global. Prontos.
Ps – Modestamente inspirado, com as devidas vénias, nos brilhantes escritos de Rui Rocha.
Um dia se fará, talvez, a quantificação da verdadeira culpa que o automóvel tem. Sem mais nem menos do que essa, sem demagogias, sem ódios ao carro particular e ao automobilista. Sem rendições incondicionais ao politicamente correcto.
Um dia, por exemplo, talvez se quantifique o peso, entre nós, de uma fiscalidade criminosa, insaciável e eterna, impedindo a renovação, a modernização em tempo devido, do parque automóvel.
Um dia, por exemplo, talvez se revelem os efeitos – e as razões decerto menos confessáveis – que levaram ao massivo desinvestimento, por cá, na ferrovia, tornando o generalizado encerramento de linhas um principal desígnio do operador ferroviário e deixando-nos à mercê de uma verdadeira tirania do autocarro e do camião, altamente poluentes (e tanto mais quanto mais envelhecidos), para o transporte de pessoas e bens. A ferrovia e os restantes transportes públicos (desde logo os “eléctricos”, em meio urbano).
Um dia, por exemplo, talvez se apresente o que está por trás da maravilha do automóvel eléctrico, essa súbita e universal panaceia. Talvez se fale do altamente poluente processo de produção de bateriais.
Talvez haja, quem sabe, um dia, algum interesse em saber de onde vem a electricidade com que essas bateriais se carregam. Algum interesse em investigar os interesses envolvidos no desinteressado milagre de, por cá, encher de torres eólicas a mais pequena colina e de barragens qualquer regato (o Tua não é um regato, é certo, mas, mero exemplo, o extraordinário crime ambiental e paisagístico passou impune e, com ele, a absoluta inutilidade daquela barragem; mas há que alimentar o obeso ser das obras públicas).
Um dia, quem sabe, talvez ocorra a alguém suscitar a questão da poluição (do efeito de estufa, de todos esses demónios) originada na actividade industrial vista como um todo. Bem para lá dos transportes.
Como quem sabe, um dia, talvez se aponte o dedo mais que devido ao caos urbanístico em que se permitiu – se incentivou – se tornassem os subúrbios e os fluxos diários que originam. A esse caos e a quem o fomentou.
Até lá, até esse dia, apontar o dedo ao automóvel (ao automobilista) é coisa a cultivar empenhadamente. Oferece um culpado evidente, uma pena óbvia e justiceira, um fácil destinatário do desprezo bem-pensante, receitas abundantes para o fisco, uma simples e clara solução.
Solução com a vantagem de impraticável, se generalizada na sua aplicação – como afinal supostamente deveria ser aplicada, atendendo à dimensão do mal em causa -, a menos que se aceitem as tremendas consequências que traria. E por isso politicamente abençoada. Até dá votos, pela sua mera invocação como ideal.
E é essencial à impunidade de políticos. Passados, presentes e futuros. A isso e à desresponsabilização do estado.
Que é o que interessa.
Costa
Os casos que aponta são as típicas colisões de valores ambientais (barragens para produção de energia limpa vs destruição ambiental e patrimonial que provocam, por exemplo). Também acho que por vezes se exagera nas críticas aos automóveis, sobretudo em sociedades cada vez mais envelhecidas onde nem todos gozam de uma enorme saúde para andar muito a pé ou pedalar. Mas por algum lado tinha de se começar.
Sou mais radical, de facto. Na questão das barragens (e das eólicas) vejo venalidade, clientelismo, plutocracia. Basta-me olhar para a minha factura “da luz”. Quanto ao automóvel, vejo a sofreguidão insaciável do estado que por um lado, por acção ou omissão, fomenta a dependência do transporte privado e por outro se cola como sanguessuga lá onde a elasticidade da procura muito convenientemente é mínima. E saca receita num verdadeiro fartar vilanagem, enquanto diaboliza o pagante.
A sustentabilidade, a energia limpa e renovável, o património, o ambiente, que interessam verdadeiramente e em si mesmas essas minudências num horizonte de quatro, oito ou doze anos para tratar da vidinha? Haverá sempre dinheiro – próprio ou do direito adquirido e decorrente da função exercida – para o (bom) automóvel e para a casa (bem) aquecida. Sempre a bem da causa pública e do sentido do dever público.
Mas sim, serei um demagogo populista ao escrevê-lo (embora me saiba apenas desenganado).
Costa