«A tecnologia prometeu-nos liberdades. Era promessa sua dar-nos mais tempo para nos cumprirmos como pessoas. A máquina ao serviço do Homem. Mas, como toda a ideia, ela apoderou-se daquele que a pensou e hoje vivemos pela máquina e cada vez mais para a máquina.
Vivemos ao ritmo do artificial.
Não somos hoje mais que uma engrenagem num maquinismo universal e querem fazer-nos crer que devíamos ficar agradecidos pela cintilante prisão.
As novas barras surgem num código, não numa janela.
Um dia, não muito distante, venderemos o corpo, a liberdade sólida, por uma realidade artificial, pressentida, mas não sentida. A máquina será proprietária do nosso corpo em turnos eternos, a troco de uma droga que nos faça esquecer a miserável vida sobrada. E acharemos belas como o pôr do sol as luzes cintilantes de um qualquer plasma.
A máquina toma-nos.
Toda a sensação será artificial, dada por um qualquer interface neuro-electrónico. Aprenderemos em minutos o que hoje levamos anos – apenas para nos tornarem mais longa a pena, e não a Liberdade.
Possivelmente casaremos, por medida, com uma máquina. Com um holograma. Os animais serão substituídos por robots. E erradamente acharemos não necessitar mais da realidade viva do planeta. Do outro. E, nesta ilusão egotista, acabaremos como acessório.
Mão de uma obra eterna.
Antes a morte real do que esta vida “morrida”.»
Do nosso leitor Vlad. A propósito deste texto do João Campos.

Que cenário horrível!!
«Antes a morte que tal sorte»…
Merecido.
Pedro, aproveito para endereçar, daqui , um grande Bem Haja a um Homem da casa, pela coragem e verticalidade pessoais. A Adolfo Mesquita Nunes.
Parabéns a Vlad. Gostei do texto logo que o li. E agora, na repetição. Fez-me pensar o mesmo nas duas vezes, talvez a humanidade não esteja tão completamente perdida.
Obrigado
Um grande bem haja para o carissimo vlad.
Obrigado, amigo
Lembrou-me de um Brave New World muito ao seu estilo, Vlad.
Eu gosto de tudo o que o Vlad escreve. E como já disse algumas vezes e repito agora, adoro discordar do Vlad.
Neste particular nem discordo muito.
Obrigado, amiga Dulce!

Também gosto da sua maneira de pensar e escrever. Da sua frontalidade.
Ou seja, Blue Pill ou Red Pill? Já vi o filme.
E o que é a “realidade”? Longe dos assédios do #MeToo discute-se o Princípio Holográfico e a possibilidade quântica da realidade só “existir” quando é observada.
Caro Vlad, já considerou a hipótese de uma vida virtual poder ser mais realizada do que a “real”?
Desconfio que os princípios da física quântica não se apliquem ao mundo macroscópico. Ou seja a partir de um determinado momento as leis do infinitamente pequeno deixam de ser aplicáveis ao macro. Surgem nos corpos, emergências , novas propriedades, que não são resumidas/explicavéis pela combinação das suas partes. Veja bem, as propriedades (ex:Auto-consciência )que definem, que emergem do ser-humano, não são dedutíveis do estudo separado dos seus vários sistemas orgânicos (Nervoso, Linfático, Cardiovascular, Reprodutor….) – As Especialidades Médicas têm perdido a visão de Conjunto. Falta-nos a Medicina Holística. Falta-nos uma Ciência da Complexidade
Da combinação dos sistemas, orgânicos e inorgânicos, surge um Todo que não é semelhante à soma das suas partes. Emerge assim algo novo com propriedades que são diferentes da soma das propriedades individuais de cada sistema.
É devido a esta complexidade intrarelacional que aparecem os grandes obstáculos ao progresso da medicina e da ciência. Por cada passo em frente surgirão não só novas respostas terapêuticas, mas também novos efeitos adversos. Os efeitos adversos dos medicamentos /tecnologias resultam precisamente da incompreensão dos processos estudados. Pois cada processo não é estanque, ele depende e é dependente de outros processos que fogem ao estudado.
Para mim a vida que importa em cada momento é aquela que sinto na pele.
A física quântica, com a sua hipótese de multiverso, tem -se aproximado mais da religião do que da ciência.
O sol não brilharia sem o efeito de túnel. O sol é suficientemente macroscópico para si?
A hipótese do multiverso é necessária para explicar fenómenos observáveis, e é tão ofensiva para as religiões como foi o heliocentrismo no seu tempo.
Stephen Hawking dedicou muito tempo a provar que um buraco negro não podia emitir radiação. Os cálculos que fez mostraram o contrário e ele aceitou naturalmente que estava errado. Quem, em que religião, admite que está errado?
Se me apresentassem uma alternativa virtual em que pudesse sentir, interagir com outros, decidir se neva ou faz sol, mudar de casa todos os dias, ter tudo o que me apetecesse, sem danificar mais o planeta, era caso para pensar.
Abraço.
Quando falei em Multiverso falava na possibilidade de eu ser outro eu numa realidade paralela a esta…….infinitamente….e depois temos os paradoxos de Shrodinger….podemos estar vivos, mortos, e vivos e mortos, simultaneamente…
o que sei é por mais que tente não atravesso paredes (previsto pela Quântica)….muitas das previsões quânticas dependem de um tempo infinito (e bidirecional), o que em termos práticos pouco, ou nenhum impacto têm nas nossas vidas mundanas.
Contudo existe uma ideia que me atrai. Vislumbrada já por Nietzsche. Se o tempo for infinito e a matéria finita (os blocos que constroem a realidade) então é possível tudo voltar a repetir-se – Eterno Retorno. Eu mesmo dentro de milhões de milhões de anos, novamente a escrever, a dizer, a pensar o que agora manifesto, a si….
Einstein opunha-se às visões quânticas…
Falta o Gravitão, António!
Abraço
Buraco negro para onde foi boa parte da Física é precisamente o multiverso. Mais uma vez muitas teoria sem provas mas muitas palavras e retórica.
Muito bom comentário ,profético. Ainda que eu pense que antes disso nos vamos extinguir . Gaia não brinca em serviço 🙂
Gracias!