Dito isto, no dia 6 de Janeiro há algo que muda na minha forma de estar e estou pronta para fazer a simpatia dos Reis. Reunimos amigos à volta da mesa – a melhor forma de estar com os amigos, diria – e munidos de uma nota de cinco euros e de bagos de romã vamos dizendo e embrulhando três bagos: Melchior, Gaspar e Baltazar eis uma semente para ter e para dar.

A dita nota, no meu caso, está velha e seca, é sempre a mesma. Fica enrolada e bem apertada dentro da minha carteira durante o ano e tenho a certeza que nunca terei os 117 milhões de Cristiano Ronaldo, mas terei para ter e para dar. Todos os anos, o ritual repete-se. Depois de dobrar a nota três vezes com três bagos de romã, dou-me conta que ter e dar é apenas uma extensão do afecto gigantesco de quem partilha a mesa comigo.