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«Existe uma relação íntima entre o sexo e o crime. Na realidade, afirmo que o crime – na sociedade moderna – se tornou um substituto para o sexo. (…) Ambos partilham uma idêntica característica – a característica mais importante – da penetração. O assaltante dum banco força o caminho até dentro duma abóboda. O assaltante de casas força o caminho até dentro duma moradia ou dum andar. O vulgar ladrão força o caminho até dentro duma carteira ou duma bolsa. Teriam intenção de penetrar um corpo – uma vida privada?
Até os crimes mais complexos incluem este motivo de penetração. O homem de confiança abusa da fortuna da vítima, quer se trate dum cofre de parede quer de economias depositadas. O contabilista criminoso viola a firma para a qual trabalha. O funcionário público que comete uma fraude violenta a sociedade. (…) Todos os crimes são crimes sexuais.»
Lawrence Sanders, Dossier Anderson (1970), pp. 224/225
Círculo de Leitores, Lisboa, 1978. Tradução de Ângela Sarmento
