![14908091977725[1].jpg 14908091977725[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2017/20783714_iyd0u.jpeg)
Este foi o último fim de semana em que se tornou possível comprar um exemplar do El Mundo nos quiosques portugueses. Na próxima quinta-feira cessará a distribuição no nosso país do influente diário espanhol, a partir daí só disponível para nós na versão digital. É mais uma etapa no progressivo confinamento da imprensa aos meios electrónicos, tendência iniciada no virar do século.
Confesso a minha predilecção pelo papel, embora seja sensível ao argumento ecológico e não ignore os incomportáveis custos de impressão e distribuição associados às publicações que dependem de uma empresa gráfica para circularem no mercado. É portanto com nostalgia antecipada que me preparo para dizer adeus a um hábito de longos anos: folhear um dos meus jornais europeus preferidos, sublinhá-lo e recortá-lo e transportá-lo para qualquer lado.
Deixarei de ler em papel os textos de jornalistas e colunistas de que tanto gosto, como Lucia Méndez, Jorge Bustos, Emilia Landaluce, Manuel Hidalgo, Santiago González, Carmen Rigalt ou Arcadi Espada. E de saborear no mesmo suporte o humor sarcástico do cartunista Ricardo ou da dupla Gallego & Rey em caricaturas como as que aqui reproduzo, com vénia irónica mas sinceramente grata.
Por cá terei apenas a opção de reencontrá-los no ecrã. Mas não os afastarei da vista. Nada se perde, tudo se transforma.
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“embora seja sensível ao argumento ecológico”
hum.
já conversei (tinha uma enorme curiosidade, sou também, por questões sensitivas adepta do papel)sobre isto com um informático que mantém enormes dúvidas sobre os custos que implica manter em versão digital toda a informação que habitualmente escolhemos. Ninguém desconhece aquelas salas gigantescas com servidores em ambiente condicionado, por exemplo.
Essa é uma questão que ainda não está devidamente debatida. Urge travar esse debate.
Pois compreendo a aversão ao suporte digital, embora eu praticamente só leia notícias em suporte digital, até porque das que chegam cá a casa em papel só as locais procuro e, mesmo assim, apenas nos casos em que não tenho as edições on line. Nacionais não só leio na net, como assino por esta via.
Agora livros: ficção e poesia, até agora só em papel… mas ensaios, análise política, econónomica já aderi em força ao digital.
Afinal tenho uma aversão selectiva ao digital
Não faço divisões dessas, Carlos. Há excelentes ensaios e péssimos romances. Gosto de ter ‘Massa e Poder’, de Canetti, em livro. Mesmo que ocupe espaço na estante.
A distinção que fiz não é qualitativa, foi uma estratégia de adaptação, até porque cerca de 90% dos livros também não os folheio em papel antes de os adquirir, pois compro-os pela Net por aqui não ter boas livrarias. Como os ensaios consulto-os mais amiúde, eles assim estão sempre acessíveis nos meus gadgets.
Também eu vou estranhar pelos mesmos motivos. Mas a vida faz-se caminhando e o digital será o futuro enquanto os quânticos não derem cabo do que resta!
Tudo se transforma, Helena. É isso mesmo.
Era tão bom que acabassem com a distribuição do Correio da Manhã…
Alguns gostariam de acabar com todos os jornais. Sobretudo com os jornais mais lidos.