![e741fbd83d43aceec6cf1b8e77517171-783x450[1].jpg e741fbd83d43aceec6cf1b8e77517171-783x450[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2017/20773835_J1LOy.jpeg)
Mário Centeno e Jeroen Dijsselbloem
A memória colectiva anda cada vez mais fragmentada e diluída em mil peripécias nascidas e enterradas no efémero fragor das redes sociais. Só isto explica que o Eurogrupo tenha passado em tão pouco tempo, cá na terra, de órgão desprezível por ser apenas câmara de eco da “austeridade alemã” a instituição digna e respeitável.
Convém lembrar que há menos de nove meses, nos idos de Março, estalou em Portugal um clamor de indignação patriótica contra o Eurogrupo, a associação informal dos 19 ministros das Finanças da eurozona. Motivo: o titular holandês desta pasta, e por inerência presidente do Eurogrupo, insurgira-se contra os países do sul da Europa por só pensarem em “vinho e mulheres”.
Rebentou o escândalo. António Costa, com o sentido de oportunidade que todos lhe reconhecem, apressou-se a fazer voz grossa: “Numa Europa a sério, o senhor Dijsselbloem já estava demitido neste momento.”
O que Jeroen Dijsselbloem – socialista, tal como Costa – dissera, literalmente, em entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung foi isto: “Eu não posso gastar o meu dinheiro todo em copos e mulheres e depois ir ter consigo a pedir-lhe ajuda. Este princípio é válido a nível pessoal, local, nacional e até a nível europeu.” O Bloco de Esquerda destacou-se dos demais a rasgar as vestes, apresentando um voto de protesto contra o ministro holandês na Assembleia da República. E durante uns dias os editorialistas de turno exibiram uma imaculada folha de serviços: todos picaram o ponto na abordagem ao tema, pouco antes de a questão mergulhar no esquecimento.
Indiferente à voz grossa de Costa, o planeta continuou a girar no seu eixo e as instituições europeias prosseguiram na sua modorrenta rotina. Agora, por involuntária ironia, a mesma Europa que em Março o primeiro-ministro português acusou de não ser séria designa Mário Centeno para presidir ao Eurogrupo – e é o próprio Dijsselbloem a anunciar em primeira mão a escolha, que aliás contou com o voto expresso do holandês.
Acto contínuo, muitos daqueles que então arderam de fúria contra um “grupo informal, pouco transparente e nada representativo” da vontade dos povos saltam agora de júbilo com a entronização do “Ronaldo do Ecofin”, como o baptizou o ministro alemão cessante das Finanças, Wolfgang Schäuble, numa evidente demonstração de que até um austero monetarista germânico possui sentido de humor.
O destino prega destas partidas a certa rebeldia de etiqueta: aquele que alguns propagandistas domésticos apontavam há dois anos como principal contestatário das regras financeiras da União Europeia emerge hoje como líder dos ministros das Finanças da moeda única, ungido pela ortodoxia de Berlim.
A 14 de Janeiro, receberá o testemunho de Dijsselbloem. Numa reedição ao vivo da feliz parábola evocada por Lucas no Evangelho: “Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se converte do que por noventa e nove justos que não necessitam de conversão.”

Os portugueses em 24 de Abril de 74 eram na maioria adeptos do Estado Novo e no 26 de Abril de 74 passaram a adeptos do Socialismo nas suas mais variadas formas. Mudam facilmente de posição facilmente e são facilmente comprados assim como vestem facilmente as camisolas dos outros.
“rebeldia de etiqueta”
Boa.
Rebeldia de etiqueta. É o que mais há por aí. Sempre de tinta bem fresca.
A dualidade de critérios em Portugal é uma situação que faz estremecer os ossos, não há coerência em nada.
Uma coisa é desprezar as palavras de uma pessoa, outra é desprezar a instituição que representa, que agora por artes mágicas passou a ser muitíssimo importante.
A dualidade de critérios e a desmemória. Aliás, uma puxa a outra. E vice-versa.
Caminham de mãos-dadas.
É isso, Psicogata. São irmãs siamesas.
Estimado Pedro, não seja tão analítico e ocidental!! – o PT Geringonço transporta-nos para o “realm” do realismo mágico versão novo milénio, pós-óbito de Garcia Marquez.
Não fora o xuxa Costa ter uma relação tão geringonça com a língua portuguesa, ainda poderíamos aspirar como Nação a novo Nobel da Literatura, versão émulo de Churchill, isto para novo desconsolo de Lobo Antunes!! Eu por mim, sugeria prosseguimento de tal demanda com “revisionamentos e actualizações” pelo prof. Farinho da Academia da Capital.
Esta do Centeno, a outra do Guterres, e aquela do Durão mais CR7 e o pai natal de Águeda…chiça!
Não esquecer Freitas do Amaral, que presidiu à assembleia geral da ONU em 1995-96. E Constâncio, vice-presidente do BCE. E os nossos comissários europeus – Deus Pinheiro, Vitorino, Moedas…
Parece-me um pouco precipitado concluir já pela incoerência.
A austeridade futura é que vai decidir.
Se crescer, o post está certo.
Se regredir, quem está certo é Centeno.
Veremos.
João de Brito
Sim, mas eu prefiro fazer prognósticos antes do jogo. Fazer o totobola à segunda-feira é especialidade dos tudólogos.
Não pus em causa o timing.
O que pus em causa foi o conteúdo.
João de Brito
Meu caro: no futuro, como diria o grande Keynes, todos estaremos mortos.
Urge que Centeno denuncie esses europeus do norte que tudo gastam com haxixe e homens …
É p’ra já. Ou para o ano que vem. Ou para a década seguinte,
Bem observado. Sintoma da frágil, instável, mesmo incongruente imagem -que é difundida para consumo da opinião pública portuguêsa- do que realmente é, ou será, esta União Europeia.
Porque será assim?. Será por via de uma das tipicidades da cultura portuguêsa, ou do que realmente é esta dita União Europeia?.
Não será porque o mencionado inócuo organismo é apenas mais um, dos vários, que foram instituídos com o escuso fim de esconder a face de quem tem realmente poder ?.
Se fizesse essa pergunta final ao professor Centeno de 2015, ele dir-lhe-ia que sim. Se perguntar ao ministro Centeno de 2017, ele dir-lhe-á que não.
Também há os que consideavam o Eurogrupo uma instituição muitíssimo respeitável que ia por as finanças da UE na ordem e que agora dizem que uma instituição que elege ministros da Gerigonça não pode ser grande coisa.
Compreende-se, está na linha das declarações do ministro luxemburguês: dores nas articulações dos membros superiores.
Fala de quem? De si próprio? De outro, tão anónimo como você?
Precisa de pomadinha para as articulações?
Não sei se notou mas não há um grande entusiasmo do BE e do PCP com esta eleição, o que refreia de certo modo as manifestações do PS.
A oposição é que parece ter tomado um remédio amargo e tem de por cá fora depressa que ou o cargo não presta ou não foi ganho por mérito.
Mas se o cargo é irrelevante (como se o ministro se tornasse confrade da confraria do vinho do Porto p. ex.) então não merecia comentários.
Se lhe deram o cargo independentemente do mérito dele ou das suas políticas, então também não faz sentido estar a pensar em que é que isso implica alterações de política.
Falando em anónimo: cá está mais um. A não ser que “jo” seja um ‘petit-nom’ de Dijsselbloem. O tal que detesta vinho e mulheres.
Por amor da santa!
Se me explicar publicamente o que vai fazer com a minha identificação completa mando-lhe uma cópia do cc.
Agradeço uma cópia do seu na volta do correio.
Sentido de humor falhado. Pode continuar a tentar, mas não tem a menor graça.
Não fuja das respostas!
Para que quer saber da minha identidade?
Bem lembrado…
Se bem me lembro…
(como dizia o outro).
Pedro, ness/eurogroup-president-mario-centeno.h tml?smid=fb-share
Parece-me que o New York Times, que nesta matéria não deve remar a favor de nem contra ninguém, tem uma outra visão de tudo isto. E deve ser lida:
https://www.nytimes.com/2017/12/04/busi
Admito que sim, Sérgio. Estou sempre receptivo a novas teses. Tal como o prof. Centeno.
Não rema? o NYT é unionista social.
O ‘Financial Times’ tem uma opinião diferente. omia/europa/uniao-europeia/zona-euro/det alhe/ft-a-esquerda-nao-vai-tomar-conta-d o-eurogrupo
http://www.jornaldenegocios.pt/econ
Os senhores invocam a inadmissibilidade de declarações e a ausente dignidade imperativa do acto de demissão sacrificial, os senhores disparam umas tiradas de retórica de segunda categoria, em amigáveis arrufos de circunstância, os senhores reúnem, elegem ou cooptam, os senhores felicitam-se, o resultado do intenso labor dos senhores é apresentado como gloriosa vitória de um povo (ah, as memórias do Dia da Raça não se ficam pela bola!).
O povo paga uma e outra vez as viris e inflamadas declarações dos senhores. Senhores que pragmaticamente rasgam e cosem as suas vestes como necessário. E sente-se feliz.
Que tédio. De morte. Não se sai disto.
Costa
Entretanto, a Europa que em Março não era “a sério”, agora adquiriu súbita seriedade.
Eis como se molda a realidade às conveniências políticas e pessoais de cada um.