
Um voto de pesar na Assembleia da República pelo falecimento de alguém não é a expressão de condolências pessoais, é um acto político. Como tal é perfeitamente legítimo, ainda que possa (erradamente) parecer antipático, votar contra a expressão política desse pesar. Belmiro de Azevedo foi um grande empresário português, um grande capitalista como antes se dizia, e também foi simbólico desta nossa via económico-social. Assim sendo é perfeitamente normal que o PCP, como adverso a esta via, vote contra a expressão política de um pesar pelo seu desaparecimento. É isto a política e a sua componente ideológica.
Agora o que não tem qualquer tipo de pertinência, o que é mesmo incompreensível porque inexplicável, é uma abstenção. Por outras palavras, ou sim ou sopas. E assim sendo este pequeno caso político, a posição da assembleia face à morte do empresário, mostra bem a vacuidade medíocre dos … abstencionistas.

Permita-me ter uma leitura contrária dos sentidos de voto. Creio que uma abstenção pode significar respeito pelo homem, enquanto tal, mas discordância do que ele politicamente representa. Já um voto contra, em minha opinião, representa, além de um desalinhamento político, falta de respeito pelo homem enquanto tal. Em minha opinião justificar-se-ia apenas para casos extremos de falta de humanidade, como é o caso de alguns ditadores.
António Topa Gomes
Compreendo e não me choca o que diz. Mas discordo. Para que servem os votos de pesar da AR? Eu botei acima, a AR não serve para enviar as condolência às famílias e amigos próximos dos falecidos. A AR expressa declarações políticas: a sociedade política (passe o pleonasmo) expressa através dela o pesar pela morte de um cidadão (próprio ou alheio), devido aos seus méritos, contributo. Se a avaliação política do contributo é negativa vota-se contra. O que não implica obrigatoriamente uma desconsideração pela dor dos próximos. Nem é uma afronta à pessoa morta, é a continuidade post-mortem da relação política que com ela se tinha. Isto não é simpático, nem é decorativo, nem “fica bem”. Mas é política. Abster-se é o contrário, é confundir a esfera da política com outra coisa qualquer.
(com tudo isto até pode parecer que estou a defender um voto contra, o que não é o caso. A posição é curial. É é errada, o que é outra coisa)
Quando se tem duvidas ou se é contra uma prática pessoal, na politica como em tudo na vida e por maioria de razão na hora da morte, a abstenção no mínimo mostra respeito e é absolutamente digna.
A maior vacuidade mediocre mostra-se em toda a grandeza naquele parlamento onde os supostos deputados da nação se submetem à repetida e indecorosa disciplina partidária.
Mais que vacuidade trata-se de atropelar a própria consciência e dignidade.
A disciplina partidária é outra coisa, outro assunto a discutir. Em abstracto, é penalizadora do sistema democrático. Por outro lado, enfim, já tivemos a falsa indisciplina partidária do senhor do queijo de Limianos – que foi a pior história da AR em 40 anos, uma absoluta vergonha, que todos fizemos por esquecer, tanto que Portas até chegou a vice-primeiro-ministro (e o queijeiro, recuperado, a secretário de estado).
A disciplina partidária é sempre a mesma coisa, nunca se sabendo onde ela começa e onde pode acabar.
Passa como se constata por abafar o sentimento pessoal profundo tanto em casos rotineiros como em situações extremas como a morte de um semelhante.
Parece-me mesmo que seguindo o seu guião de outros assuntos a discutir, além do homem da queijaria também Portas não me parece que sejam para aqui chamados.
E tu de PARVO não te falta nada.
Discordo, por mais que (se) tente a completude nunca é alcançável.
E seria uma perda de tempo, isso de procurar a completude perante quem insulta no anonimato e sem se dar à entediante e decerto fascizante maçada de um esboço de fundamentação. Sendo certo que isso, a completude, é o objectivo dogmático – leia-se, imposto e usando para tanto a força que se tiver que usar (bem o sabemos, os fins justificam os meios) – dos religiosamente ateus adoradores do “colectivo”.
Porque pensar pela própria cabeça é acto subversivo e intolerável. Mas mesmo perdendo câmaras, eles mandam neste país como em mais nenhum entre os civilizados. Não abona a favor deste povo. Mas é questionável que integremos esse grupo, em qualquer caso.
Costa
Pensa-se pela própria cabeça quando se pensa à Costa
Em contrapartida, quando o Trump mandar o Kim p’ró car”lho, o índio jerónimo e quejandos vão exigir um voto de pesar pelo anafado.
O Trump nem sequer o apoio do próprio partido consegue e você está à espera que ele derrote um país com armas nucleares? Ganhe juízo!
Um voto de pesar na Assembleia da República pelo falecimento de alguém não é a expressão de condolências pessoais, é um acto político.
Pois deve ser por isso mesmo que no voto de pesar aprovado figuravam elogios à Sonae. Porque o objetivo desse voto de pesar não era exprimir condolências pessoais, mas sim fazer o elogio político de uma empresa.
Só que, então, em minha opinião, não lhe deviam chamar “voto de pesar”, mas sim outro nome qualquer.