Durão Barroso renovou o seu mandato à frente da Comissão, no Parlamento Europeu, com uma confortável maioria. Para tal, contou com uma frente alargada de apoio que incluiu, além do PPE, os votos dos eurocépticos do ECR e mais 63 votos de liberais e socialistas. Destes, a maioria foi de socialistas espanhóis e portugueses. O El Pais correu a sublinhá-lo. O presidente da Comissão também teve a perfeita noção disto, bem como, viu-se pelas declarações que produziu após a eleição, do trabalho que tem pela frente. Normal, pois, que tivesse agradecido a quem o apoiou, começando exactamente pelo primeiro-ministro português e pelo Presidente da República. A líder do PSD, quando lhe puseram um microfone à frente para comentar a eleição, a primeira coisa que quis enfatizar, para além dos parabéns transmitidos, foi o facto de Barroso ser militante do PSD. Ao fazê-lo, Ferreira Leite ignorava ostensivamente que o apoio dos governos socialistas de Portugal e de Espanha fora decisivo para esse resultado. Sem esse apoio Barroso não poderia sentir o conforto que sentiu após a eleição e, provavelmente, muitas das abstenções teriam sido votos contra. Quando há dias Ferreira Leite dizia que não queria espanhóis "metidos" na política portuguesa, esqueceu-se que os nossos vizinhos, mesmo contra a sua vontade, estão "metidos" na política europeia. Foi este facto, aliás, que conduziu aos compromissos que levaram à reeleição de Durão Barroso e, triste ironia, que permitiu a Manuela Ferreira Leite trazer para a campanha interna a lembrança sobre a filiação partidária do reeleito presidente da Comissão. Neste contexto, para quem não quer os espanhóis cá "metidos", faz algum sentido sublinhar a filiação partidária do reeleito presidente da Comissão? Se calhar faz. Eu é que não devo estar a ver bem.
Qui pro quo
Sérgio de Almeida Correia,

Sérgio:
Recordo-lhe estas palavras:
” É inconcebivel que o PM de Portugal fuja para Bruxelas a meio do mandato” quem disse isto em 2004 foi um tal de José Sócrates, na altura o PSD sublinhou que era importante ter um Português como Presidente da Comissão Europeia.
Em 2009, ontem o mesmo fulano que tinha dito o que escrevi acima, disse, pasme-se “era importante ter um Português como Presidente da Comissão Europeia” e melhor ainda é ver os “iluminados da treta” do Largo do Rato a dizerem que foi uma vitória do governo Português.
É com atitudes e situações destas que cada vez mais afastamos as pessoas da politica mas muito sinceramente entre um fulano envolvido em trapalhadas e que mente eu prefiro “a outra senhora” que tem o nome de MFL.
E eu devo estar a precisar de ir rever as dioptrias. Ando a ver mal que me farto!
Durão Barroso sublinhou a importância do governo português na sua reeleição. Que me conste, o governo ainda é do PS.
Não ouvi nenhum agradecimento de Durão Barroso a MFL e, talvez por isso, ela tenha sentido necessidade de se pôr em bicos de pés.
Tiro certeiro, Sérgio. A eleição de DB com o apoio expresso do Governo socialista português e da «perigosa» Espanha de Zapatero, aliás também socialista, ocorreu no zénite da onda anti-espanhola iniciada pela líder do PSD no seu frente-a-frente com o PM. Como bem sublinhas, na hora dos agradecimentos Durão não se esqueceu de fazer uma expressiva referência a Sócrates. Azar para a atabalhoada campanha laranja.