Sobre a candidatura do Porto à Agência Europeia do Medicamento, Rui Moreira disse que o importante era “o Porto demonstrar que faz parte de um núcleo restrito de cidades capazes”. Vaidade, portanto.
O Governo, em vez de fazer o possível para garantir a vitória, cedeu ao umbiguismo de bairro. O percurso da coisa foi bem traçado pelo Pedro Correia através de títulos de notícias que, vistas como um todo, são uma espécie de anatomia de uma derrota auto-infligida.
O que era evidente para muitos foi sempre negado. Principalmente a partir do Porto. Na Invicta, Ricardo Valente, vereador no município, fez o papel de Muhammed Saeed al-Sahaf: “Porto tem melhores condições que a cidade de Lisboa”; o Porto tem “condições únicas”; “estamos muito bem posicionados”. Como escreveu o Luís Menezes Leitão, a Agência Europeia do Medicamento está numa capital europeia e o seu novo destino será também uma capital europeia. Vale o que vale, mas Lisboa era o destino preferido pelos funcionários desta agência.
Para que não se pense que isto são contas de política interna, de opositores do Governo, leia-se o artigo que o Politico dedica ao assunto.

Não me sinto em condições de saber se a candidatura foi ou não bem conduzida.
Mas, quando reparo noutras candidaturas que ficaram pelo caminho, interrogo-me:
– o que levará esta gente toda, e tão insistente, a pensar que tínhamos a obrigação de ganhar este concurso?!…
João de Brito
Não está em causa a “obrigação” de vencer, mas sim a obrigação de conduzir o processo de forma a aumentar as possibilidades de vitória. Os ziguezagues, a retirada de uma candidatura para apresentar outra sem explicar qual o interesse/vantagem, o palco dado a vaidades locais não me parecem uma forma adequada de conduzir este assunto (ou qualquer outro).
Derrota? Ganhamos! Até sinto o fervor nortenho da vitória!
Um “honroso sétimo lugar” na final destes 400 metros barreiras.
Rui Moreira deverá sentir-se orgulhoso, não por ter perdido a AEM mas por ter facilitado a derrota de Lisboa com a conivência dos imbecis que nos desgovernam.
Venha a regionalização. Os caciques já cá estão, e o governo central eclipsa-se sempre que alguém levanta a voz.
É o ethos de gerações inteiras de políticos portugueses: “de vitória em vitória até à derrota final”. Não são assim tão diferentes do sindicalismo de fragrância “Rosa-PCP”, tão na moda este outono.
Talvez isso explique o porquê de a derrota ser entendida como um meio para aumentar o perfil internacional da cidade do Porto e do país.
Mouro
Allah-u-akbar.
Não faço ideia se o Porto seria uma boa opção ou não nem se seria melhor ou pior que Lisboa. Sei que Milão empatou com Amesterdão (a escolha final foi por sorteio) e que não é capital. Esse argumento, pelo menos, não colhe.
Ainda assim não percebo o problema. Nenhuma cidade portuguesa foi escolhida. Se viesse mudar a cidade escolhida seria compreensível o esforço, mas há tanta coisa que Portugal (e Porto, e Lisboa) têm que melhorar que não compreendo a obsessão com estes “prémios”…
O problema, João, está em se ter retirado a candidatura inicial para a substituir por outra sem nunca esclarecer em que medida esse passo defendia o interesse nacional ou fortalecia as hipóteses de Portugal nesta corrida. O problema está também na navegação à vista e errática que presidiu à condução de todo o processo. O problema está, como refere o Politico, na subordinação de interesses nacionais à política paroquiana.
a subordinação de interesses nacionais à política paroquiana
Mas não há nem nunca houve nenhum interesse nacional em jogo, porque sempre foi evidente que Portugal não tinha quaisquer hipóteses!!!
Nem Lisboa nem Funchal nem o Porto nem Braga tinham quaisquer hipóteses de acolher a sede de uma agência tão importante, tão central, tão objeto de lobbying, como a do Medicamento. Isso é claro à partida para quem quer que tenha dois olhos na cara.
Portanto, Portugal competiu por competir, não com o objetivo – irrealizável – de ganhar, mas com o fim – concretizado – de mobilizar a sua diplomacia com o objetivo de dar a conhecer as vantagens e méritos de uma importante cidade do país.
Certo. Para a próxima apresentamos a candidatura de Rabo de Peixe ou de Vila Verde de Ficalho.
Eu escrevi “dar a conhecer as vantagens e méritos de uma importante cidade do país”. Não, evidentemente, de Rabo de Peixe nem Vila Verde de Ficalho. Tinha que se concorrer com uma cidade que tenha efetivamente vantagens e méritos relevantes, não para ser sede da Agência do Medicamento, mas para atrair os estrangeiros para muitas outras coisas (conferências, turismo, etc).
Realmente….AMESTERDÃO ou MILÃO são capitais!!!! Que pobreza de ressabiados lisboetas e outros. Mediocres satisfeitos com uma derrota.[:
Amesterdão é a capital da Holanda – julgo até que assim está definido na Constituição daquele país -, embora as instituições políticas estejam sediadas em Haia. Percebi por onde ia o seu (pobre e mediocre) comentário, mas olhe que é um tiro no pé.
“Homem pequeno, cão grande.” Sempre ouvi a minha avó dizer este antigo provérbio popular, de que muito gosto.
Aplicado às caixas de comentários, este provérbio pode ser actualizado assim: Quanto mais anónimo, mais pontos de exclamação.
Lisboa era o destino preferido pelos funcionários desta agência
O que raio interessa isso? Não são os trabalhadores da agência quem deve decidir onde esta fique situada. A agência deve ficar onde seja melhor para o desempenho do seu serviço, não onde os trabalhadores queiram.
É claro que qualquer indivíduo prefere viver ao sol de Lisboa do que na bruma de Amesterdão. Mas há muitos mais negócios em Amesterdão do que em Lisboa.
No fundo, no fundo o que o argumentador deste post diz é que o importante e o fundamental é meter tudo no cú de lisboa. Afinal é assim que este país centralista e colonialista funciona. Sacar impostos em barda aos parolos da província e fazer inchar a putrefacta capital. Que se “coza” o país.
No fundo, no fundo não é nada disso. Como, aliás, é fácil de entender. Mas espero que se sinta mais aliviado.