O grau zero do jornalismo.


Luís Menezes Leitão,

É precisamente fazer uma notícia a questionar se alguém cortou o cabelo e depois chegar à conclusão de que apenas tem um penteado diferente. Não haverá nada mais importante para noticiar do que os penteados das cabeças reais como, por exemplo, as vítimas dos fogos, da legionella, as negociações do Brexit, etc., etc? É por isso que eu sou convictamente republicano.

26 comentários em “O grau zero do jornalismo.”

      1. Mas, está a ler isso em jornais de uma república não está?
        (Já agora, acha que a imprensa britânica é má? Pior do que a portuguesa, toda ela tão republicana?)
        Quanto ao mais, qualquer monárquico se indigna como tal tipo de notícias que fazem equivaler um membro de uma família real a uma “celebridade” – embora pouco ou nada haja a fazer num país com imprensa livre – senão esperar que a Duquesa de Cambridge nada faça para contribuir para esse tipo de notícias.

      1. Eu vivo em Portugal. A república colonizou a nacionalidade e destruiu os seus símbolos substituindo-os por um pano burocrático com a geometria manhosa do verde e do vermelho. O projecto foi sempre confundir-se com o país para o esmigalhar debaixo do peso de um estado ganancioso e muito pouco bem intencionado que é só para os amigos que se portam bem. Mas um pequeno punhado de galegos originais resistirá sempre ao invasor. Sempre e até à morte.

  1. Ah! O “púbico” da sãozinha…
    Consta que, entre aquilo que é considerado “élite” na paróquia, é considerado jornal(!) de referência…
    Pobre paróquia – e pobres paroquianos…

  2. Ó Luis eu também sou republicana, mas as roupas e maquilhagens das primeiras damas da França são tão propagadas quanto as das cabeças coroadas cuja origem, creio, já é maioritariamente plebeia!
    :-))

      1. Mas é republicano e vem advogar o jus uxoris? Bizarro!
        Não se vislumbra para o cônjuge de um presidente de um regime republicano qualquer legitimidade para exercer qualquer função que não seja uma sobrevivência de princípios monárquicos! – Mesmo em actos de mero protocolo.

        Quanto a França, creio que não pensou bem: o anterior presidente vivia, como se dizia, antigamente, amigado. E tinha, também, uma “petite amie”. Seria esta última discriminada ou iam as duas aos banquetes oficiais? E o princípio da igualdade?
        Mas, e se tivesse 3 ou 4 – ou 15 – petites amies? Como tenciona resolver a situação? A criação do Harém do Presidente não me parece uma ideia muito republicana – seja lá o que isso for, já que a França está longe de se poder comparar à Inglaterra no que diz respeito ao rule of the law e vivência democrática…

  3. LOL. Arrazoado fascinante: é republicano para poder ter notícias de 30 em 30 minutos sobre as vítimas dos fogos e da legionella por oposição a notícias de penteados. É pena vª exª não poder ser republicano sozinho porque eu assim tenho de gramar com esse massacre também. Ah, esqueceu-se do Benfica.

      1. Não, não: fogos, legionella e benfica — o alinhamento do noticiário republicano. Mas estive aqui a pensar e cheguei à conclusão de que você tem absoluta razão. Absoluta e definitiva: à excepção dessa história dos penteados não encontro outro motivo para se querer ser republicano.

  4. fui republicano de 1949 a1998
    agora sou anarca
    o estado não presta qualquer que ele seja

    venho na lista dos 1.500 do GOL
    (donde saí com o mesmo vigor da entrada), mas não me orgulho disso
    nem de do que quer que seja

    sou apenas e tão só um peregrino, nunca um turista
    aos 15 anos li a Odisseia e Ulisses alterou a minha visão do mundo
    sempre de mala na mão

    a nanotecnologia chegou com atraso ou fui eu que me adiantei

    os politicos de esquerda ainda estão no séc. xix

    desconhecem os desafios do futuro

    recusei uma cátedra pelos desafios da indústria
    nunca tive vocação para funcionário público

    voltaria ao início e percorreria o mesmo caminho

    ad augusta per angusta

  5. > convictamente republicano

    Eu como não gramo aristocratas, sou contra os republicanos.

    O meu herói é o Calígula, que os queria estrangular todos num só pescoço.

  6. E isto acontece em paises “atrasados” com povos/votantes incultos e estupidos, não é ? Deviam aprender com o que se passa, p.ex., num país republicanissimo, cá.

  7. Por causa do grau zero do jornalismo:
    — Sou fascista, Nazi , Comunista, Bloquista, Verdasco .. (não, Pan, porque que é o inicio de….)

  8. Não publicou o meu comentário porque não estava politicamente correto ou de acordo com as suas ideias segundo a sua censura pesoal ?

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