“Diz qualquer coisa de oposição”


Pedro Correia,

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Faz hoje um mês, previ aqui que Rui Rio seria uma das figuras em foco de Outubro a nível nacional. Pela necessidade de finalmente assumir uma candidatura à liderança ao PSD.

Passos Coelho facilitou-lhe a vida, saindo de cena após as humilhantes derrotas eleitorais que o partido sofreu em Lisboa e no Porto, aliás muito previsíveis.

 

Dizem-me que Rio já andava a preparar-se há mais de um ano para este momento, cuidando de tudo ao pormenor, como é do seu feitio meticuloso.

Teve azar: o dia mediático, que já andava dividido pelas primeiras informações públicas em torno do Orçamento do Estado para 2018 e pela réplica formal do Governo espanhol ao desafio separatista da Catalunha, acabou por ser totalmente absorvido pela acusação formal da Procuradoria-Geral da República ao ex-primeiro-ministro José Sócrates, que vai sentar-se no banco dos réus pela suspeita de ter cometido 31 crimes. Facto sem precedentes na história política e na história judicial do País.

 

Rio nunca poderia ter previsto isto. Mas podia e devia ter feito um discurso mais vibrante e mobilizador perante a galeria de apoiantes em Aveiro.

Escutei-o pela televisão. Iam já decorridos 15 minutos de discurso quando dei por mim a parafrasear aquela personagem de Nanni Moretti: “Diz qualquer coisa de oposição!”

Acabou por dizer, daí a momentos, nessa intervenção de 17 minutos. Com uma frase que sabia ser apropriada a títulos de jornal: “O PSD é um partido de poder, não é a muleta do poder.”

Achei muito pouco para quem se candidata à liderança do maior partido da oposição ao Governo socialista. Nestas coisas, como ensinava o engenheiro Guterres, nunca há segunda oportunidade para uma primeira impressão.

22 comentários em ““Diz qualquer coisa de oposição””

  1. Quer-me parecer que muitos dos supostos “apoiantes” só lá foram porque pensaram, lendo o slogan, que o Agir ia cantar a essa hora.
    Não acredito que este sujeitinho cinzentão da cidade de província venha alguma vez a reunir apoios de quem quer que seja com mais de meia dúzia de neurónios.

    1. “sujeitinho cinzentão da cidade de província”.
      Ou quando o preconceito elitista pacóvio mata à nascença qualquer hipótese de dar crédito a quem o carrega.

      1. Sim, eu sei: é sempre difícil reconhecer a realidade e aceitar.
        Mas o que será o Porto senão uma cidade de província? Bem se querem colocar em bicos de pés…

  2. El País

    Miles de personas participan en la manifestación del 12 de octubre en Barcelona
    Sociedad Civil Catalana pide en su manifiesto firmeza democrática ante el “golpismo delirante”
    Miles de personas se han manifestado este jueves en el centro de Barcelona para celebrar el 12 de octubre en medio de la crisis institucional tras la declaración de independencia formulada por el presidente catalán Carles Puigdemont y luego suspendida. Societat Civil Catalana, la principal entidad convocante, ha pedido en su manifiesto, leído por el catedrático Clemente Polo, “firmeza democrática” ante el “golpismo delirante”

  3. Parafraseando alguém :
    A melhor estratégia que a oposição pode fazer a Rui Rio é deixarem-no falar.

    Mas sinceramente não vejo ninguém capaz de liderar o PSD. Ao contrário do CDS, BE e PCP que para além de Cristas têm outras alternativas ( Nuno Mello, Mariana Mortágua, João Oliveira, etc)

  4. Teve azar: o dia mediático já andava dividido pelas primeiras informações públicas em torno do Orçamento do Estado para 2018 e pela réplica formal do Governo espanhol ao desafio separatista da Catalunha

    Isto não é azar, é falta de talento. Era perfeitamente previsível que o dia mediático estaria dividido por esses temas. Poderia ter adiado o anúncio para o fim de semana.

    1. Ignoro qual era a flexibilidade da candidatura em relação à logística envolvida. Sobretudo fora de Lisboa e Porto não é fácil alugar sala e materiais de apoio, e técnicos de som, e acima de tudo mobilizar pessoas e órgãos de informação de um dia para o outro.
      Mas houve algum azar porque de facto o elemento noticioso mais forte do dia acabou por ser imprevisível.

      1. fora de Lisboa e Porto

        Essa é uma questão que desde logo me coloquei, porque é que ele optou por fazer o “comício” fora do Porto, num hotel em Aveiro.

        Será por as salas de hotel em Aveiro serem mais baratas do que no Porto?

        acima de tudo mobilizar pessoas e órgãos de informação de um dia para o outro

        Os órgãos de informação ao fim de semana estão ansiosos por ser mobilizados, porque não têm com que encher os jornais.

        (Passos Coelho era um mestre nisso, em aproveitar os fins de semana para aparecer nas televisões.)

        E mobilizar pessoas para quê? Para que precisava ele de ter muita gente a apoiá-lo na cerimónia?

        1. Julgo que para simbolizar um combate à macrocefalia dos maiores centros urbanos. Eu simpatizo muito com Aveiro, confesso. Não apenas com a cidade mas com o distrito.

          1. Eu simpatizo muito com Aveiro, confesso. Não apenas com a cidade mas com o distrito.

            Muito obrigado pela parte que me toca: o meu pai era originário desse distrito (sul do concelho de Águeda) e eu ainda lá tenho casa e diversas propriedades. E vou lá várias vezes por ano.

          2. Como disse, gosto muito do distrito de Aveiro. De Águeda também. Cheguei até, em tempos, a procurar casa na Torreira: era um local onde gostaria de viver.

      1. A dois minutos de terminar a intervenção, lá surgiu uma frase digna de candidato a líder da oposição. Sá Carneiro, agora de novo tão invocado, tinha um estilo bem diferente.

  5. 1.O psd representa o vazio de projetos/ideias, e basta olhar…
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    a) Conhecem alguma ideia a Santana Lopes? Algum projeto?
    b) Conhecem a veia ideológica a Rio?
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    2.Só num país pouco dado ao pensamento, à iniciativa da sociedade civil e à responsabilidade do eleitor é alimentado no ram ram “politico” por um partido social democrata e por um socialista democrático…sendo a muleta um democrata social…
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    3. The show goes on…time for clowns!
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