Vencer com paixão


odiplomata,

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No desporto há dois tipos de vencedores: aqueles que, de acordo com as suas competências e capacidades, vão gerindo a sua carreira de forma metódica e cuidada, com muito trabalho e empenho, apoiando-se e confiando numa equipa para alcançar os seus êxitos; e há aqueles que, para lá disso tudo e do talento que é sempre preciso ter, emanam uma forte paixão, uma estética intangível, uma irreverência e um espírito combativo destemido, muitas vezes em desafios quase condenados ao fracasso. São aqueles atletas que arriscam sempre, que vão contra tudo e contra todos. São aqueles atletas que emocionam, que fazem sonhar, que levam crianças e adultos a chorar pelos seus feitos ou desaires. Alberto Contador é um desses atletas. O que se viu este Sábado na penúltima e decisiva etapa da Vuelta na subida ao mítico Alto do Angliru foi grandioso e memorável, daqueles momentos que ficam na memória de todos os que gostam de desporto, em geral, e de ciclismo, em particular. Era o último desafio de Contador antes de terminar a sua carreira, com o fim da Vuelta este Domingo. Ele sabia que tinha de chegar em primeiro ao topo do “inferno” do Angliru. Todos nós esperávamos isso, como se tratasse de um final épico cinematográfico. Contador atacou logo ao início da subida e foi passando por todos os ciclistas à sua frente. Paixão, sacrifício, talento, arte… deixou tudo na estrada, ao mesmo tempo que era retribuído pela euforia de milhares de pessoas em delírio. No fim, ganhou. O desporto assim, é simplesmente belo.

5 comentários em “Vencer com paixão”

    1. Caro Luís,
      se tiver condições para tal, obviamente, experimente um dia pedalar e verá a boa sensação que é. Terei todo o gosto em acompanhá-lo numa volta.
      Cumprimentos,
      Alexandre

  1. Apetece-me muito comentar este texto.
    Mas ele é tão certeiro e assertivo que não me deixa margem para tal.
    É por estas e por outras que considero o desporto uma das mais nobres atividades humanas.
    Apesar de tudo, no desporto, é o resultado que conta (Contador!).
    A paixão é a cereja no topo do bolo.
    Somos alguém nalgumas modalidades desportivas, precisamente por isso.
    Nos antípodas, estão a nossa política e os nossos políticos, aos quais nos habituamos a não exigir responsabilidades e resultados.
    E os “resultados” estão à vista.
    Ainda ontem não deixei de sorrir quando Passos Coelho dizia que seria impensável a AR fazer greve. Que sorte seria: em greve ao trabalho efetivo está permanentemente a maioria dos deputados, além de que, dessa maneira, se pouparia um rio de dinheiro. Olha lá que façam greve… É de facto impensável!
    João de Brito

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