Muito do que lemos na Imprensa reflecte o crescente conflito em torno da criação de uma nova identidade nacional desenraizada, repleta de culpa do homem branco, de leituras alternativas da História e de simplificações ideológicas alheias à vivência normal das pessoas comuns. Após a queda do Muro de Berlim, a esquerda entrou em crise, fragmentou-se, e a sua franja mais radical começou a negar a própria herança. Após lutar durante décadas contra as discriminações a grupos maioritários, como trabalhadores ou mulheres, a esquerda abandonou o passado e adoptou novas lutas ligadas a questões de minorias. Os movimentos que saíram desta fragmentação começaram a olhar para a sociedade como uma manta de retalhos de pequenos grupos, tentando federar o maior número possível numa agenda política que procura acomodar os problemas de cada um e de todos ao mesmo tempo. Esta abordagem precisa por outro lado de combater e até de negar tudo aquilo que possa parecer maioritário: contesta-se a religião da maioria, os grandes partidos e empresas, a língua (onde houver mais que uma), todos os costumes enraizados, incluindo o casamento tradicional, a ideia da nação e os respectivos símbolos. Terá isto futuro? É possível, mas para já está a criar forte reacção dos conservadores radicais, que começam a defender cada pedaço de território ameaçado como se fosse o último. Uns querem substituir tudo e criar o homem novo, os outros não admitem mexer uma vírgula, como se a identidade fosse algo imutável. E, no meio disto tudo, está um público perplexo, por vezes divertido, a assistir a gritarias ridículas sobre assuntos que, do seu ponto de vista, são de lana-caprina.
Os radicais
Luís Naves,

O Luís também captou bem a pedagogia.
Mas já que falamos em pedagogia, permita que apresenta aqui algo que julgo sustentar a oportunidade de seu texto.
A onda “avançada civilizacional” é um microcosmos que se fragmentará no seio da complexidade.
Quando a física apresentava o todo balizado na teoria dos dois infinitos, o ínfimo (quanta) e o imenso (relatividade), surgiu o terceiro infinito que deu origem à Teoria da Recorrência. Isto é, a Complexidade, que veio a ser conhecida como Consciência, impregnou a matéria a tal ponto que hoje não se poderá dissociar a Vida (Bio) da Física. De tal forma assim é que a Consciência é a matéria que hoje necessita ser considerada como essencial, fundamental.
Transpondo as teorias dos diversos infinitos, à razão da compreensão sobre a complexidade de cada um que se deixa interligar, impregnar, no todo pela Consciência, importa referir que o fenómeno que se assiste na ordem social presente pretende ser um mero satélite desta ordem, fingindo não pertencer à mesma mas ter necessidade desta para sua própria sobrevivência.
No fundo o que se assiste tem que ver com o pássaro nas costas do búfalo, que sabendo que pode voar não deixa de se alimentar do que este último possui em si.
Mas para parecer que não é assim, cria umas habilidades semânticas atribuindo a outros preconceitos que eles mesmo carregam.
É evidência desta afirmação o facto de se legislar e verter na jurisprudência sobre uma ou diversas condições, criando-se prerrogativas de excepção. Isto aplica-se a matéria racial, sexual e do género, penso concretamente nos estatutos de excepção designados por quotas e até mesmo na igualdade de género.
A lei natural sempre entendeu o Todo humano como Pessoa, e verteu nas mais variadas esferas constitucionais a ideia de que a agressão a uma parte seria uma agressão ao Todo.
Como tal, os ditos “avanços civilizacionais” nada mais nada menos são que o referido preconceito. São, na medida em que se exclui a Pessoa como agregada a essa Humanidade para se introduzir a matéria Condição: condição racial, condição sexual e condição do género.
Todos nós sabemos que uma régua não se equilibra se por debaixo de seu centro não existir um eixo. Sendo assim, a meu ver, a matéria jurídica e legislativa em torno desta semântica – toda ela preconceituosa – visa precisamente coagir uma grande parte do Todo, submetendo-o a ideologias que lhe são marginais, por saber que não se sustenta num eixo. O mesmo será dizer que ao colocar-se a Pessoa fora da Humanidade, a Humanidade fora da Vida e a Vida fora do Universo, tudo isto acabará como borrasca.
As minorias têm de parar de ser preconceituosas. Como o futuro não parece trazer bons ventos, recomendo mais serenidade.
http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2017-08-2 4-Nao-e-de-menor-importancia-o-tipo-de-i magens-que-transmitimos-as-nossas-crianc as-1
Estas afirmações só revelam o absurdo a que se chegou, e também nos leva a compreender que a formação recebida em muitos casos é baseada numa propaganda de enlatados que em nada correspondem à realidade.
Eu não sei o que a personalidade pretende dizer com “antes do 25 de Abril”. Será que se refere ao século XVII?
Não é correcto que se afirme que antes os rapazes e as meninas (termos que tanto incomodam a entrevistada) estudavam separados e com matérias diferentes. Os beatniks, os teenagers os hippies e tantos outros movimentos são fenómenos transversais a todos os tempos, e nunca a estrutura que os agregava alguma vez prevaleceu sobre a ordem natural. Pelo contrário, eles assimilaram isso mesmo que contrariavam.
Mas também não é correcto que não exista diferenciação nos rapazes e nas meninas. Se em matéria cognitiva as capacidades são as mesmas, dizem os mais diversos estudos na área da psicologia, psiquiatria e neurociências que existem substantivas diferenças de natureza estrutural.
São estas diferenças que determinam as opções e/ou orientações futuras dos rapazes e das meninas.
Mesmo que em variadíssimas situações as opções possam vir a ser coincidentes, o que nunca lhes poderá ser negado é a natural relação de complementaridade.
Não é por acaso que desde a filosofia até aos mais recentes estudos sobre a natureza e características do género se tivesse concluído a seguinte afirmação: “Instabilidade, teu nome é mulher”.
Emocionalmente também quer os rapazes quer as meninas quer os homens quer as mulheres possuem ESTRUTURALMENTE dimensões diferentes.
O que se pretende fazer é apagar a relação de complementaridade, também conhecida pelo Yin-Yang, baseada em teorias da conspiração que estão aí para subverter relações e princípios naturais.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Yin-yang
É chegado o momento da sociedade portuguesa ser mais participativa e colocar cobro a esta lavagem cerebral que tem vindo a ser implementada por minorias desestruturadas.
Mundialmente algumas destas acções são patrocinadas por fundações que possuem uma agenda política de controlo e que se tem vindo a estender às estruturas governativas de várias nações.
O Estado não tem autoridade para subverter os princípios naturais de uma sociedade, e tampouco impor uma ordem que lhe é hostil.
A primeira estrutura da nação não é o Estado, é a família. É aqui que se constroem os fundamentos de uma sociedade. Atacar a estrutura familiar e as relações naturais que daí emanam é precisamente pactuar que através desta desordem uma minoria, que em nada representa estes princípios, possa apoderar-se de forma estalinista e hitleriana dos modelos que a regem.
Ficámos a saber que às minorias não lhes basta ser reconhecidos os direitos à diferença, elas pretendem que todos sejam a sua imagem e semelhança. Isto é perigoso e tem de ser contrariado.
“Quem podendo não impede o pecado, ordena-o” – Padre António Vieira
E se tudo assim permanecer, devemos pressionar a um referendo para clarificar em definitivo o que na realidade se pretende. Mas também podemos começar a pressionar outro referendo sobre o aborto. Com a informação que hoje existe a população certamente participará de forma mais consciente.
Muito bem observado: «Após lutar durante décadas contra as discriminações a grupos maioritários, como trabalhadores ou mulheres, a esquerda abandonou o passado e adoptou novas lutas ligadas a questões de minorias.»
Dá trabalho! Mas vale o resultado: ler os escritos de pessoas altamente conceituadas (e com razão) sobre a sua raça e sobre as raças de outros — Lincoln, Gandhi, Guevara, por exemplo.