Espero num lobby de uma torre de escritórios. À minha frente também esperam três raparigas que, não se conhecendo entre si, parecem coreografadas. Todas seguram o telemóvel, todas com unhas de gel, todas com pestanas postiças, todas com pernas traçadas, cabelos compridos e lisos e dentro da mesma faixa etária. Uma das portas do lobby dá para um gueto de fumadores onde de momento só se avistam homens e então reparo neles. Também com idades aproximadas, em grupos ou separados apresentam-se com fatos semelhantes, os mesmos modelos de sapatos, a mesma barba aparada. É certo que a moda masculina é mais monótona, mas talvez porque todo este cenário é enquadrado por tecnologia (eles também olham obsessivamente para o telemóvel enquanto fumam), ou porque falta um toque de humanidade em tudo isto, parece que estou a vê-los através de um ecrã.
Padronizados como nunca
Teresa Ribeiro,

Muito bem observado, Teresa. Antes da massificação dos robôs, entrámos já na fase dos robôs humanos. Tudo automatizado, como há meio século antecipava Jacques Tati nessa obra-prima chamada ‘Playtime’ (‘Vida Moderna’).
Reparo sobretudo nelas. Cada vez mais iguais. Parecem ter sido extraídas do mesmo molde. Sem perceberem que o segredo da sedução está sempre na diferença.
Sei que já não será tão instintivo, mas experimenta. Repara neles. É o mesmo!
Verdade, mesmo. Mas é tão difícil resistir à padronização. Por mais que se queira e que disso se tenha consciência.Um monte de razões diversas explica isso, nem vale a pena lembrar…
Essa pressão sempre existiu, mas agora parece que se tornou mais intensa. Ou então sou eu que estou a ficar velha e ganhei por isso maior distanciação em relação a modas e a comportamentos estereotipados…
E a Teresa, em que é que coincidia com as 3 raparigas? No telemóvel? Nas unhas? Nas pestanas? No cabelo? Em tudo????
Deixo à sua imaginação.
“Parece que estou a vê-los através de um ecrã”. Chave de ouro para um texto magnífico.
Obrigada 🙂
Ué!, os bebés vêm de smartphone ou iphone ou ipad ou qualquer ishit; e quiçá com o uso de uma app. Só revela que têm uns pais muito evoluídos, daqueles muito avançados civilizacionalmente.
Está tudo muito bem. É melhor assim que irem parar a uma cadeia por causa de um piropo.
Mas elas também podiam estar a consultar se já as tinham chamado para ocupar aquela quota na empresa; e eles a consultarem se o lugar tinha ido ao ar em favor de uma delas.
Hoje em dia tudo é possível. Nada melhor que ter um desses devices na mão para estar dentro da modernice.
Ainda sobre padrões, não compreendi se isto da igualdade do género tem alguma coisa que ver com géneros iguais ou géneros diferentes. to-editora-suspende-venda-de-blocos-de-a tividades-para-meninos-e-meninas
http://24.sapo.pt/atualidade/artigos/por
http://observador.pt/2017/08/23/livros-p olemicos-veja-as-diferencas-dos-exercici os-para-rapazes-e-meninas/
E parece-me que é neste tipo de actividades que o dinheiro dos cidadãos (cá temos a inclusão dos géneros) é estourado.
Eu sinto que estão couraçados.Armaduras.Um código que os defende.
Nessas situações procuro um compincha,alguém que passe—Era preciso um traje especial? Não me avisaram.
CLONES.
Dress code.
Et nunc et semper et in saecula saeculorum amen
É mesmo o que parecem…