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Lembrei ontem que a esmagadora maioria dos escritores portugueses rejeita o impropriamente chamado “acordo ortográfico”. É justo mencionar outra categoria de utentes qualificados do nosso idioma que tem estado na primeira linha do justo combate às aberrações ortográficas tão bem enumeradas aqui pelo Nuno Pacheco. Tantas vezes incompreendidos, os tradutores – vários deles aliás também escritores, como Pedro Tamen, Ana Luísa Amaral, Daniel Jonas, José Miguel Silva, Desidério Mucho ou Ernesto Rodrigues, entre outros, podendo todos ser considerados autores, enquanto criadores ou recriadores literários – exercem uma função muito importante na oposição ao AO90, enfrentando por vezes pressões de determinados editores ou de certos “agentes culturais” indiferentes à absurda segmentação de famílias lexicais (quem sofre de epilepsia deixou de ser epiléptico, tornando-se epilético) e à disparatada diversificação ortográfica de palavras anteriormente escritas da mesma forma em Portugal e no Brasil (como decepção e recepção, que perderam a suposta consoante muda na escrita acordística cá da terra).
Aqui expresso portanto a devida homenagem a esses resistentes, que têm sabido remar contra a maré. É uma lista necessariamente incompleta, que irá aumentando à medida que me for lembrando de mais nomes, podendo os próprios leitores fazer-me tais sugestões também.
Uma lista que não poderia esquecer Rui Santana Brito, prolífico e competentíssimo tradutor, infelizmente falecido já este ano.
Com o meu agradecimento, enquanto leitor, a todos eles.
Alberto Gomes
Alberto Osório Fernandes
Alexandre Brandão da Veiga
Alice Rocha
Ana Barradas
Ana Corrêa da Silva
Ana Falcão Bastos
Ana Luísa Amaral
Ana Maciel
Ana Maria Chaves
Ana Maria Pinto da Silva
Ana Santos
Ana Simões
Aníbal Fernandes
António Guerreiro
António Lopes Cardoso
António Pescada
António Rodrigues
Carlos Afonso Lobo
Carlos Mota Cardoso
Carlos Sousa Almeida
Carlos Vaz Marques
Carlos Vieira da Silva
Catarina Mourão
Clara Alvarez
Cláudia J. Fischer
Daniel Jonas
Desidério Murcho
Diana V. Almeida
Diogo Ourique
Eliana Aguiar
Elsa Sertório
Elsa Vieira
Ernesto Rodrigues
Ester Cortegano
Filomena Vasconcelos
Frederico Pedreira
Gilda Lopes Encarnação
Gonçalo Neves
Gustavo Palma
Helder Guégués
Helena Pitta
Inês Dias
Isabel Castro Silva
Isabel Pettermann
Isabel St Aubyn
Isabel Veríssimo
João Barrento
João Bouza da Costa
João Moita
João Reis
João Tiago Proença
João Vala Roberto
Jorge Fallorca
Jorge Lima
Jorge Pereirinha Pires
Jorge Telles de Menezes
Jorge Vaz de Carvalho
José Alfaro
José Bento
José Colaço Barreiros
José Domingos Morais
José Manuel Ferreira
José Miguel Silva
José Miranda Justo
José Paulo Vaz
José Remelhe
José Santana Pereira
José Teixeira de Aguilar
Júlio Henriques
Liliete Martins
Lucília Filipe
Luís de Barros
Luís Leitão
Luís Lima
Luísa Luiz-Gomes
M. Gomes da Torre
Manuel de Freitas
Manuel Resende
Manuel Santos Marques
Manuela Barros
Manuela Gomes
Manuela Torres
Margarida Periquito
Margarida Vale do Gato
Maria Carvalho
Maria das Mercês de Sousa
Maria do Carmo Abreu
Maria Gomes Duarte
Maria João Freire de Andrade
Maria João Lourenço
Maria João Madeira
Maria João Teixeira Moreno
Maria José Figueiredo
Maria Manuel Viana
Maria Pacheco de Amorim
Maria Teresa Guerreiro
Mário Dias Correia
Marta Lança
Miguel Martins
Miguel Nogueira
Miguel Serras Pereira
Miranda das Neves
Mónica Dias
Natália Fortunato
Nuno Camarneiro
Nuno Costa Santos
Nuno Lobo Salgueiro
Patrícia Xavier
Paulo Faria
Paulo Osório de Castro
Paulo Ramos
Pedro Carvalho
Pedro Elói Duarte
Pedro Mochila
Pedro Tamen
Raquel Dutra Lopes
Raquel Mouta
Raquel Ochoa
Rita Almeida Simões
Rita Canas Mendes
Rita Carvalho e Guerra
Rogério Casanova
Rui Lagartinho
Rui Lopo
Rui Pires Cabral
Salvato Telles de Menezes
São Amaral
Sérgio Coelho
Sílvia Valentina
Sofia Castro Rodrigues
Susana Sousa e Silva
Tânia Ganho
Telma Costa
Teresa Casal
Vanda Gomes
Vasco Gato
Virgílio Tenreiro Viseu
ADENDA: Como bem me lembra Ivo Miguel Barroso na caixa de comentários, a Associação Portuguesa de Tradutores e a actual presidente da Direcção, Odette Collas, são subscritoras da petição Cidadãos contra o “Acordo Ortográfico” de 1990, ainda em fase de recolha de assinaturas.
Lista actualizada
Como os tradutores trabalham à linha, é normal que não queiram uma ortografia que suprime letras…
Um
enfrentando por vezes pressões de determinados editores
Os tradutores que preferem a nova ortografia também sofrerão por vezes pressões de editores… Solidarizo-me com esses tradutores!
Dois
Eu diria (posso estar errado) que quem decide a ortografia com que a tradução de um qualquer livro vai ser publicada é o editor, não o tradutor… O tradutor traduz da forma que lhe apetecer, e o editor depois passa depois o texto do tradutor por um corretor ortográfico ou por um revisor… Não é o tradutor quem decide qual a ortografia com que o livro vai sair.
Três
Parafusos soltos é sempre à unidade, como diriam no “Mário Mendes” 😉
Sempre.
Faltam-te muitos!
Não tenho a menor dúvida, Helena (mas a lista vai sendo ampliada). E é bom saber isso.
Portanto, o Pedro considera “disparatado” que se faça a “diversificação ortográfica de palavras anteriormente escritas da mesma forma em Portugal e no Brasil”, mas já não acha disparatado que se faça o contrário, a unificação ortográfica de palavras anteriormente escritas de forma distinta em Portugal e no Brasil.
Confesso que não entendo a posição do Pedro… É a favor da unificação das ortografias nuns casos, mas contra noutros?
Quatro
Que interessa resistir se, através das gerações mais novas podem simplesmente Obrigar e, ainda seleccionar os livros que esses alunos vão ler.
O mal está no Sistema onde estamos a ser padronizados, em nome de um colectivo virtual em que o indivíduo passou a ser uma mera peça irrelevante, da grande máquina estatal, cada vez teremos menos voz ou liberdade de escolha, tal qual, como em qualquer ideologia colectivista, seja comunista, socialista ou fascista.
Querem Estados autoritários, gordos e que roubem a uns para dar aos outros, pois têm precisamente as consequências de uma Lei Natural, Causa/Consequência ou queriam Sol na eira e Chuva no nabal?
Tudo por preguiça porque a Liberdade só vem com a Responsabilidade Individual, querem um papá Estado, pois então habituem-se a ser mandados do berço até à cova e, não me venha falar de Democracia ou quer que eu repita as razões, de já não votarmos para coisa nenhuma?
Há muitos, agarrados aos seus Direitos adquiridos e garantidos, quando outra parte da população já não tem ou nunca terá esses direitos mas, com papas e bolos se enganam os tolos e, se alguém pensa que neste Mundo há alguma coisa garantida é só esperar, até não haver mais saída e aí, tarde demais e, mais uma vez, vão agarrar-se ao… papel de vítimas, quando são moralmente responsáveis em colaborar com o Sistema onde vivem e, ainda, obrigam a viver da mesma maneira quem não quer.
O Papel do Estado devia ser minimalista, só para garantir as liberdades individuais, não para tirar Liberdade e direitos ao indivíduo, nem andar a roubar a uns para dar a outros e, isto, seja em que grau for, é e será sempre fascismo, socialismo ou comunismo, onde quem manda é sempre um grupo que elege, entre eles, o ou os, chefes da “Banda”.
Como há vários grupos, cada um promete umas quantas migalhas e até dão brindes mas, a melhor, quem paga essas migalhas e brindes?
Os que, apenas e só, servem para pagar milhões, sustentar burros a pão-de-ló, incompetentes e todo o tipo de mordomias a irresponsáveis mas, sempre à espera de uma migalha mais gorda ou brinde em época de eleições, quando lhes saía muito mais barato, poupando milhões, se fossem a uma loja chinesa, comprar uma esferográfica, um boné ou uma bandeirinha.
Vai para lá um grupo e serve os do grupo, vai outro e faz a mesma coisa, obviamente, a Nação, temos o que está à vista, esfarrapada, vendida e de rastos.
Veja a diferença com a Suíça onde nada é resolvido sem Referendo, não há pão-de-ló para “gosmas” (indivíduos que procuram, sem escrúpulos, viver à custa de outrem) e, Referendo, é sempre uma maioria Real, não a treta de dizer que com 2.413.956 votos, representa 52% de portugueses… Democracia? ou Conto do Vigário para Patos?
No caminho que isto vai, os portugueses já nem precisam saber escrever de maneira nenhuma, basta aprenderem a grasnar ou balir e, no entretanto, enquanto se pode e, deve estar por pouco, prefiro rugir ou uivar.
Parece que a grande maioria virou médico da tanga, identificam todos os sintomas, descrevem cada chaga, ferimento, lesão ou úlcera mas, nunca, identificam a Doença. Neste caso, obviamente, já se sabe o que acontecerá aos pacientes… vão lentamente sucumbindo… passando de seres humanos a couves, não tronchas mas Trouxas.
Isto não é uma queixa, apenas e, como de costume, um comentário delituoso
“Que interessa resistir”?
Claro que interessa. Você prefere o quê? Amochar?
Querer mudar o Sistema não é amochar mas, se resistir, for só não escrever da nova maneira, quando nas escolas estão a obrigar as gerações mais novas, futuros leitores que, depois de bem “formatados”, vão ler e querer ler como lhes ensinaram, essa de resistir, basta o tempo para perder a batalha.
Para resistir é preciso estratégia, há alguma resistência em relação ao que ensinam aos mais novos?
Se não há, quem quiser impôr o acordo nem precisa fazer nada, basta esperar sentado.
Sabe que há livros de leitura obrigatória nas escolas?
Quem selecciona esses livros?
Santa ingenuidade mas, é bonito dizer estar a resistir, mesmo que a maneira escolhida de resistir não vá alterar nada.
No entretanto nas escolas, miúdo que não cumpra o novo acordo nos exames, cada erro, cada desconto na pontuação final, basta isto para os pais não comprarem aos filhos livros dos “resistentes”.
Dos Problemas todos sabem falar mas, a maneira de os resolver é como terem um barco cheio de buracos, estar prestes a afundar mas, vamos resistir, tapando os buracos com bolinhas de algodão.
Mas percebo-o muito bem, vamos só mudar isto e aquilo porque, o que está a saber bem não se muda. Por esta e por outras é que vamos todos num barco, cada um agarradinho à sua trave do casco, num barco podre, sem leme e completamente à deriva. Só falta no intervalo de tanta “resistência”, servir uns martinis secos brancos.
“Vamos num barco podre”?!
Deixe lá o plural. Fale por si.
Niemand ist mehr Sklave, als der sich für frei hält, ohne es zu sein.
(None are more hopelessly enslaved than those who falsely believe they are free)
Johann Wolfgang von Goethe
Goethe era tradutor de alemão para inglês?
O problema das traduções, acabam sempre por destruir a ideia original do autor mas, posso tentar estragar mais um bocadinho passando para português
“Ninguém consegue ser mais escravo, do que quem é livre sem o ser”
Passar para português é “estragar”?
Pensar poder traduzir sem alterar o sentido ou sem adulterar pensamentos do autor, basta o simples facto de quando se quer escrever noutra língua, se quiser um trabalho bem feito, tem que Pensar nessa língua ou sai tolice porque não é só trocar vocabulário mas, manter o sentido que não se pode perder, nem entrar em ambiguidades.
Aliás, não é por acaso que estrangeiros tenham tanta dificuldade em aprender português, com tantas palavras que até pensam significar o mesmo.
Para quem não seja exigente, até pode traduzir “ao metro”, nos tempos que correm, já qualquer coisa parece servir, até palha, desde que os críticos, façam parte do círculo de compinchas.
Mais alguma dúvida sobre que “estragar” estou a falar?
A dúvida parece-me ser sua, não minha. Eu não duvido que qualquer destes 136 tradutores que menciono no meu artigo é capaz de exercer com toda a competência essa importante função.
Por acaso já reparou como argumenta?
Sem qualquer sucessão lógica de pensamento, salta de um assunto para outro completamente diferente. Por acaso estávamos a avaliar alguém?
Respondo à sua questão e explico aquilo que eu queria dizer com “estragar”, pergunto se percebeu essa minha explicação e responde como se eu tivesse feito alguma avaliação sobre alguém.
“A dúvida parece-me ser sua, não minha”
Qual dúvida?
Deve estar habituado a dizer qualquer coisa que sirva para responder a qualquer coisa e, pronto, nem interessa se faz sentido.
Discurso e respostas a metro? Para despachar serviço?
Nem preciso que me responda porque até pode sair que estou contra a caldeirada ou as sardinhas fritas.
Discurso a metro.
Saltar de um assunto para outro.
Duas frases que se encaixam na perfeição no seu auto-retrato.
Confesso que este seu, não argumento, teve graça.
Tipo Argumento “Old School”
“quem diz é quem é”!
Cumprimento-O pela rara concisão, Zeus.
só aqui a “pensar para o ar”, o Zeus não me arranja essa tradução para de português para mandarim, e correspondência aproximada IPA. tenho aqui uma colega de trabalho que gostaria de impressionar.
Zeus também tem direito a férias.
A Associação Portuguesa de Tradutores e a actual Presidente de Direcção, ODETTE COLLAS, são Subscritores da Petição “Cidadãos contra o “Acordo Ortográfico” de 1990″.
A Petição pode e deve continuar a ser assinada.
Obrigado, caro Ivo Barroso. Aproveitarei a sua oportuna adenda para uma referência no meu texto.
Um abraço.
Contra os canhões, marchar, marchar!
Obrigado ao autor e sempre amigo.
Abraço.
Forte abraço, Diogo. E parabéns pela excelente tradução do ‘Orgulho e Preconceito’ – um dos melhores romances de todos os tempos – para a Guerra & Paz.