Uma obrigação cívica


odiplomata,

Estranho país este, onde metade está a banhos e a outra metade se auto-destrói. Dizem que a culpa é do calor e do vento, mas, de acordo com os dados divulgados há dias pelo Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais (EFFIS) da Comissão Europeia, desde 1 de Janeiro até 5 de Agosto, arderam quase 140 mil hectares em Portugal, ou seja, mais de um terço de toda a área ardida nos países da União Europeia nesse mesmo período. É a falência do Estado na protecção do seu território perante uma “ameaça” que nos destrói. O Inferno veio passar o Verão a Portugal e, confortavelmente, vai-se passeando por montes, serras, vales e aldeias. Para trás, fica a terra queimada e, em lágrimas, os despojados dos bens de toda uma vida. É certo que estamos em período estival, pouco convidativo a grande reflexões, mas tudo isto é demasiado triste para não deixarmos de pensar no país que vamos deixar aos nossos filhos e netos. É uma obrigação cívica.

18 comentários em “Uma obrigação cívica”

  1. Os nossos filhos e netos são e serão, como nós, NIFs e sujeitos passivos de direito fiscal. Será por isso, pelo seu “número de contribuinte” (o que como se sabe verdadeiramente releva, no dia-a-dia, para o mais banal acontecimento, tenha ou não a ver com finanças e fiscalidade) e pela sua condição oficialmente consagrada de “passivos” – a verdadeira do cidadão (perdão, contribuinte) – que se regerá a sua existência.

    Números e obedientes geradores de receita para um insaciável, irresponsável e irresponsabilizável estado. Enquanto assim for está tudo muito bem, arda a percentagem que arder a cada estio.

    Posso parecer com isto alinhar nas tremendas visões conspirativas e de controlo mundial, por grupos e clubes secretos, que por aqui nos vão sendo regular e generosamente servidas. Não é o caso.

    Costa

    1. Com uma Dívida de 138,47% do PIB e, com juros Anuais, de 7,604,921,372€ porque, só a Dívida já passa os 223.056.000.000 euros, para ser paga por 10.374.289 alminhas, nunca esquecendo, os juros anuais, onde, “por acaso”, votar já nem muda nada, será tudo para nosso Bem e das futuras gerações mas, não se esqueça do que aqui escreveu, quando vierem cobrar, o que adquiriram com dinheiro que criaram do ar.

      Porque será que há países a quem emprestam mais e a outros menos?
      Deve ser por tamanho ou simpatia, não por terem mais bens reais como colateral da Dívida e, quando não houver mais nada colectivo, “de certeza” que não vão buscar nada aos cidadãos que, por acaso até têm número de contribuinte para facilitar.

      Mas deve ter razão, os Homens são uns Santos à espera de Nada, nem de cobrar a Dívida.
      Querer alguma coisa em troca?
      Como dizia o outro… “Jamé”
      Controlar?
      Nem pensar!
      Não querem nada, absolutamente nada e, muito menos, bens reais e, até a Alemanha só de juros da Dívida paga, anualmente 49,603,257,088€, um país a quem sobrava dinheiro e, deixou de sobrar, por mero acaso ou azar.

      Quanto a clubes secretos, pode crer que já não são secretos mas, alguns, são como S.Tomé, precisam de ver para crer, pois então, basta esperar se não quiser investigar mas, é melhor não saber porque, se não souber nem sequer existem.

      Quanto a ser por aqui, não é só, até há quem fale mais e saiba mais… sobre o que não existe, nunca existiu e nunca existirá porque, basta o Costa dizer, mesmo que haja milhares a demonstrar o contrário.
      Com documentos?
      Não existem, tudo material contrafeito.
      Whistleblowers?
      São todos mentirosos.
      Historiadores?
      Apenas uns criativos para chatear o Costa

      1. Sabe, eu fico neste caso – e muito prosaicamente – bem a montante dessas poderosíssimas forças ocultas ou já não tão ocultas que a fascinam. Parece-me mesmo que o nosso caso está ainda bem a montante dessas conspirações universais. Não temos sequer dignidade para ser alvos dessas tramas (muito menos seus mandantes).

        Tudo radica ainda, por cá, acredito (veja bem, somos tão pequeninos…) numa tão sólida quanto mesquinha e histórica tradição de corrupção e venalidade por parte de dirigentes e ditos servidores do estado. O poder entre nós é sobretudo forma de acesso a manjedoura inesgotável – a uma robusta e fértil marrã, como tão bem foi há muitos anos já ilustrado – de que se servem copiosamente aqueles que, prestando-se a percorrer a patriótica e abnegada carreira partidária, onde tudo se vende (até a mãe e por baixo preço, apetece dizer), chegam ao momento da tão merecida recompensa.

        E para isso se manobrará a crédula massa como seja necessário.

        Quanto ao mais, calcule, eu acredito piamente que o Homem foi à Lua. O que suponho me desqualificará completa e irreversivelmente perante si.

        Creia que posso viver com isso.

        Costa

    2. Subscrevo inteiramente o seu pensamento, Costa. Só não concorda com ele quem anda muito distraído ou se faz desentendido.

  2. O inferno já passa o verão em Portugal há muitos anos. E nunca foi feito nada a não ser alimentar com milhões o orçamento de combate aos incêndios. Porque será? Porque será que todos os anos surgem relatórios de especialistas em florestas e projetos piloto de florestacao e o governo não quer saber minimamente?
    Tudo isto e outros factos, são para mim, simples cidadão, incompreensiveis e por mais que analise não consigo alcançar qual o sentido de toda a governação em Portugal até há data. Não consigo entender.

  3. Afinal o problema não são os eucaliptos. É a organização. Salazar percebia disto, em matéria de cantoneiros, guardas florestais e limpeza das matas. Fico com a impressão que é mais rentável apagar fogos que preveni-los.

  4. Excelência Chefe Estado Maior das F. Armadas

    A participação das FA no auxilio ao combate dos incendios é de louvar..

    Mas, por favor, dê instruções aos respectivos comandos para que os militares não vão para o terreno vestidos de camuflado, por razões obvias… Pelo menos, que vistam um colete reflector.

  5. os tele”jornais” fogem dos comentários acerca da origem dos incêndios como ‘o diabo da cruz’.

    basta um popular em desespero mencionar ‘fogo de origem criminosa’, em directo, para o “jornalista”, em plena flexão semântica, desviar imediatamente o assunto.

    “jornalista”: então ocorreu o reacendimento ao final da tarde…
    (não chega a ser uma pergunta)

    autarca: não foi reacendimento. foi um novo foco de incêndio…
    (parecia querer dizer mais, embora sem iniciativa)

    “jornalista”: e que medidas estão a ser tomadas?

    provavelmente está-se a rezar. é essa a medida de combate ao incêndio florestal em “época de incêndio natural”. rezar enquanto se tenta fugir.

    talvez seja do lixo das merendas que se fazem no meio da floresta, em locais inacessíveis aos próprios bombeiros.
    talvez sejam os esquilos. felizmente há sempre albufeiras por perto.

    foi o eucalipto. aliás, Portugal, ainda há duas semanas, “era um eucaliptal”. depois apareceram umas estatísticas a dizer que não é bem assim.
    agora é o pinheiro bravo e as videiras.

    e os cabos, que não estão enterrados. o sr PM que não sabe o que são antenas direccionais de comunicação ponto a ponto.
    neste ímpeto redentor da responsabilidade (alheia) acabará também por acusar os distribuidores de energia eléctrica por não levarem “cabos enterrados” até às torres de comunicação.

    muito se tem discutido o conceito de democracia em comentários a outros posts.

    Portugal, vivendo sucessivas democracias com pouco contra poder, tem tido sempre políticos que lidam muito mal com as verdades inconvenientes.
    outros ficam calados, aqueles que ainda há pouco queriam ministros “na guilhotina política” todos os meses (não que os ministros fossem grandes génios é certo).
    mas a esses há muito lhes caiu o véu.

    antes de Pedrógão nada se ouvia nos tele”jornais” acerca da enormidade de área ardida.

    dá que pensar, no rumo deste pequeno País.

  6. isto é demasiado triste para não deixarmos de pensar no país que vamos deixar aos nossos filhos e netos

    Errado. O país tem uma área florestal cada vez maior e uma floresta cada vez mais pujante. Há cada vez mais carvalhos e sobreiros por todo o lado. Passeie-se o Alexandre pelo país e verá como a floresta portuguesa está em constante progressão, quantitativa e, sobretudo, qualitativa.

    1. Qualitativa? Isso aí… Ainda este fim de semana ouvi uma palavra de que já me tinha esquecido, no contexto da limpeza dumas leiras cheias de ervas: carvalhiços. Carvalhiços são matos, e se ninguém os arrelantar nunca chegarão a carvalhais.
      Aliás, estes grandes fogos sucessivos, a que se segue o (aparentemente) inevitável abandono, só contribuem para a homogenização da paisagem com hectares e hectares de matos debaixo das árvores, prontos a arder cada vez mais rapidamente.

  7. Ocorre-me um pensamento horrendo: fogos políticos para deitar governo abaixo.
    Há desesperados no psd.
    desculpem o desabafo

  8. “Estranho país este”…
    Concordo com esta a sua afirmação.
    É que além dos banhos, percorremos alegremente o país com a Volta a Portugal em bicicleta, arrancamos do esquecimento a que parecem votadas aldeias remotas, celebramos em muitos povoados com festas o dia do seu santo patrono.
    Realmente que estranho país este que ainda tem, por vezes ouço-o, quatro mil operacionais a combater incêndios.
    Rui Carlos

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *