Entrava pelos olhos


Sérgio de Almeida Correia,

“Nunca vi uma direcção capaz de organizar uma campanha política em torno de zero de fundamentos, a propósito de um tema como a morte das pessoas. 

Os partidos da oposição deviam pedir desculpa por se terem enganado e terem corrido atrás de uma especulação para a qual não havia o menor fundamento. São erros de táctica juntos a um erro de estratégia que não tem volta. O homem que teve o infeliz episódio dos suicídios devia pensar, não é duas vezes, dez vezes antes de voltar a falar em coisas deste tipo.”  

 

“Dá ideia de que o número de 64 mortos não era suficiente. É uma coisa perfeitamente impensável que nos últimos dias se tenha alimentado esta discussão, que ainda por cima era assente numa especulação, (…) especulação que nos últimos dias foi sendo alimentada pelos partidos da oposição. (…) De facto, é surrealista a oposição achar que nos tempos que correm, como dia Marcelo Rebelo de Sousa, numa país que é democrático, não pode ser comparado, como muitas pessoas têm feito, com as cheias de 65 [67]. Nós não vivemos no Estado Novo, vivemos numa democracia (…). Não faz sentido nenhum pensar que o Governo tinha uma lista escondida de mortos. (…) Então quantos mortos é que o PSD precisava para levar o caso à Assembleia da República para ter o seu debate urgente? (…) É isso que o PSD e o CDS estão a discutir? Eu acho que o Governo cometeu muitos erros (…). O Governo pode ter errado, mas a oposição consegue, é uma habilidade deles, não capitalizar com os erros do Governo, embora este caso não se preste a capitalizações. E é nisto que eu acho que o PSD e o CDS cometeram um erro de morte, que é pensar que podiam ter tido vantagens partidárias de uma tragédia destas. (…) É errado do ponto de vista ético e político. (…) É o grau zero da política.”  

26 comentários em “Entrava pelos olhos”

  1. Porque é que a lista foi mantida secreta em nome do segredo de justiça? Não foram só os partidos da oposição a indignarem-se. Veja Pedro Santos, Pinto Monteiro, Sa Fernandes…e depois as afirmações contraditórias sobre o SIRESP…falhas menores, depois erros graves…e depois veja a lei da rolha imposta aos comandantes dos bombeiros pela Protecção Civil -servem para comandar homens mas não para falarem como homens livres…e depois veja Tancos, onde os militares afastados já foram reintegrados…roubo gravíssimo, depois material fora do prazo e finalmente tudo uma farsa pois houve apenas uma simulação de um roubo que nunca sucedeu…a democracia é liberdade e responsabilidade….veja o BPN , com os camarilhas a darem todos de frosques deixando pendurado apenas o velho gágá…A democracia é muito mais que votar. É um conjunto vasto de ideias sobre justiça que culmina no voto livre, mas que se não esgota nele

  2. Ouvi vários juristas da nossa praça e todos eles disseram que a lista deveria ter sido pública. Eu também acho. Costa fez disso TABU sem qq sentido.
    Os afetos dirão sempre o contrário. Aliás a não publicação só prejudicava as vítimas nas provas para resolução de papelada.

      1. Theresa May pediu desculpa. Um conselheiro municipal, “Torie”, demitiu-se. Em Inglaterra, houve humildade, muita humildade, que criou condições para assumir e atribuir responsabilidades. Não ministras choronas e desnorteadas, nem primeiros ministros a pôr culpas em empresas de telecomunicações.

      2. Porque em Inglaterra não se escondeu o nome dos mortos já contabilizados, nem se escondeu que a lista fornecida era de carácter provisório.
        Socialismo de latrina, é o que temos.

      3. O número de mortos do incêndio na Torre Grenfell, em Londres, só deverá ser conhecido quando for possível terminar a operação de vistoria à torre de 24 andares. Ok, percebi. Clarinho.

        O número de mortos do incêndio de Pedrógão – Portugal só foi conhecido (?) porque a divulgação dessa informação foi requerida… pelo bom-senso.

        Parecem-me dimensões diferentes.

        Todavia, fiquei mais convencido que, a páginas tantas, o Governo andava mais aos papéis quanto ao concreto número de vítimas (isto sim, grave) do que a esconder o seu número (estúpido, por ser informação pública, embora de difícil recolha por entidades não-governamentais).

      4. No recente caso da torre de apartamentos, em Londres, se bem recordo o que então pude ler e ouvir, desde bem cedo que se afirmou que seria demorado determinar o número total de mortos, bem como a sua identificação. Foi mesmo colocada a possibilidade – que decerto subsiste – desse total nunca ser com segurança determinado. O total de mortos ou a sua identificação. Ou ambos. Isto, parece, dada a extrema intensidade do fogo.

        Ou seja, as autoridades reconheceram a sua provável incapacidade para garantir a absoluta determinação do número e identificação das vítimas.

        Por cá, com extraordinariamente preciso zelo burocrático, terão sido rapidamente definidos os critérios, assaz restritivos, será de crer, que permitiriam a aceitabilidade de uma morte como consequência do incêndio de Pedrógão Grande e fechada a lista de vítimas.

        O estado português, consagrado exemplo de competência, não falha e tudo resolve e determina com precisão e rapidez. Tem é hábitos de secretismo… Ou isso ou uma grande vontade de enterrar os mortos, cuidar (enfim, espera-se; mas a experiência não nos autoriza especial optimismo na matéria) dos vivos e deixar muito convenientemente para trás o assunto e seus embaraços.

        Mas agora até já pede mais informações a quem as possa ter.

        Costa

      5. Detesto aproveitamentos político-partidários, venham donde venham, sobre mortos em tais circunstâncias. Mas, sobre o incêndio de Londres, Theresa May já pediu desculpa.E ainda não há conclusões.

        Abraço

  3. Eu não vi nenhuma “direcção” a organizar tal campanha politica esganiçada na confabulação da D. Constança da Capita – aliás, no mesmo dia, esta linha de “spin” foi repetida pelo Xuxa Costa, por aquele jagunço que dizai que iria fazer “bullying” aos banqueiros alemães e pela ministra presenteada com uma vaca que voa.
    No fim-de-semana passado a prensa falava de listas não divulgadas, da dificuldade das seguradoras em aceder a essa informação para, por exemplo, decidir indemnizações.
    Viu-se então o xuxa Costa, o capatraz Gerigonço, naquele tom de azia quando tem de falar do Portugal fora do “Cosmopolitismo” tachista que é o único objecto da sua “governação”, a zurrar “assunto encerrado” para ver se calava as maltas.
    Vi desnorteados ministros e “spinners” da Gerigonça a falar de “segredo de Justiça” para não se explicarem nem assumirem responsabilidade.
    .
    E vi os partidos da oposição a exigir a publicação de listas, e surpresa, a lista afinal é públicada, não pelo governo, mas pela PGR.

    Na verdade, a xuxalada instalada, com tacho acomodado [a parte substantiva, de Leão, das “reversões” foi esta “restauração de ordenhas por parte de quadrilhas de incompetentes como, por exemplo, a alcandorada na Protecção Civil] abomina Pedrogão, Alijó, Mação, as periferias do Funchal, Arouca, etc. Estragaram-lhes a “narrativa”, e como em outras circunstâncias, arranjam estes esganiçares como o os da Dra. Constança – relembra-se que no mesmo dia, este “spin” foi repetido pelo Xuxa Costa, por aquele jagunço que fazia “bullying” aos banqueiros alemães e pela ministra presenteada com uma vaca que voa.

  4. estamos enfiados num gulag da urss de
    antónio das mortes

    isto é ‘o da joana’ sem ofensa

    o gajo até disse que o pm ganhou as eleições

  5. Vamos lá a ver se percebo (se calhar o burro sou eu).
    O Expresso publica em parangonas:
    LISTA DOS 64 MORTOS EXCLUI VÍTIMAS DE PEDROGÃO.
    “A morte de 64 cidadãos exige um pleno esclarecimento” diz Presidente da Comissão Independente.
    E então a oposição não devia questionar? Deveria estar calada?
    Acusam de “nojice” e de politiquice rasca e baixa, só por perguntar afinal quantas vítimas há?
    O senhor Xavier vem dizer que não havia o menor fundamento!
    Está tudo doido?

  6. Também disse por aqui que o alvo não podia ser os incêndios. O alvo será Tancos, a regulação da informação, os miseráveis e o crescimento residual do PIB demonstrado pelos números do 2º trimestre. Para não falar no IRS – que demonstra somente que existiu uma enorme devolução porque terá havido uma grande retenção – e no IRC. A governação PS-PCP-BE demonstra que se rendeu a Bruxelas, e anda encantada com os elogios de Schauble. Para parecer que não é assim dizem que vão aumentar uns pensionistas em 1 ou 2 ou 3 euro.

    Todavia, no que diz respeito a Tancos, acredito que nenhum partido, quer a troika que hoje governa quer a oposição, alguma vez se debruce sobre este fenómeno para além de umas audições.
    O PR também dá sinais de que este é assunto tabu. E quando as situações não são mexidas de acordo com a importância que têm para a Nação, conclui-se que existe uma qq mordaça naqueles que deviam ser expressão de quem é livre.

    Mas há um sinal que revela a importância da acção levada a efeito pela oposição, pois foi necessário o PSD apresentar um ultimatum ao governo para que o MP libertasse a lista dos mortos. É curioso saber que quando se lança um ultimatum a um governo responde quem não é alvo dessa acção.

  7. Concordo com o post. O problema é que o PSD não tem ideias e vive de encontrar falhas no governo e fazer de coisas minúsculas um cavalo de batalha.
    Mas este caso foi uma vergonha pois feriu a sensibilidade de toda agente. Depois é o demita-se, demita-se por tudo e por nada. Disto discordo, pois quem vai para Ministro é para desempenhar uma tarefa e não pode desertar à menor dificuldade. Concordo que o PSD devia pedir desculpa ao país e à família dos falecidos. Deram a ideia ao país de que queriam mais desgraças. Neste blogue o campeão dessa atitude foi o Senhor Pedro Correia. Com um mínimo de coerência (na mania do demita-se…) agora com as coisas esclarecidas ele deveria demitir-se de membro deste blogue. Demita-se e já!! Mas nisso ele não vai, ou vai?

      1. Acha mesmo que chamar nomes como imbecil é argumento? Se formos por aí eu tenho uma paranfernália de argumentos para lhe responder (mas não o faço, deixo à sua imaginação os palavrões com que lhe poderia replicar).

  8. Eu também acho que comparar com o desastre de 1967 não faz sentido nenhum. Nesse tempo havia uma ditadura e rigorosa censura aos meios de comunicação. Não vejo que é que a situação actual tenha a ver com a desse tempo. Só em desespero se pode ir buscar tal argumento! O que foi feito sobretudo pelo PSD e alguns bloguistas deste blogue o que não deixa o Delito de Opinião muito bem colocado.

  9. A lista não foi publicada de inicio por pura teimosia (?) do governo…

    O funeral d’uma vitima de desastre só pode ser feito depois da respectiva autópsia… Como se sabe, 64 cadáveres foram sepultados, logo a PGR estava na posse dos elementos contantes das autópsias ( identidade inclusive) … A partir daí o segredo de justiça deixou de se justificar… Se posteriormente, houver algum facto “novo” com algum cadáver, existe a possibilidade da exumação .

    Já que falou no caso inglês: As pessoas que morreram por se terem atirado das janelas.. foram consideradas como vitimas do incendio… Serve de exemplo, para a idosa que morreu atropelada quando fugia das chamas. O bombeiro também foi vitima de acidente.

    Não sou jurista… longe disso…

  10. Será que a incompreensível decisão governamental de não publicar, nem mandar publicar, a lista dos mortos, no incêndio de Pedrogão Grande, deixando a comunicação social e ao ovo anónimo em “pulgas”, não passou de uma artimanha, proposta por uma empresa de “imagem”, para apanhar os Partidos da oposição em falso e que estes caíram na armadilha que nem patos?
    A quem aproveitou aquele segredo tolo, como lhe chamou o nosso PM?
    Nestes tempos esquisitos, tudo é de ponderar…

    1. ” para apanhar os Partidos da oposição em falso e que estes caíram na armadilha que nem patos? ” Pode ter sido isso. Mas interessa pouco, o facto é que os partidos da oposição se comportaram como se comportaram e isso deriva da completa falta de ideias deles. Note que vivem de apontar falhas (por vezes ridículas ou inventadas) ao governo. Não apresentam nenhuma alternativa e por isso a geringonça está de pedra e cal.

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