«Ao mais alto nível da chefia do Exército foi comunicado ao País que: a) os ladrões fizeram um favor ao Exército assaltando o paiol de Tancos, onde só havia sucata militar, assim poupando aos responsáveis o problema da sua inutilização; b) em lugar de apurar e explicar as circunstâncias em que um paiol de um quartel é assaltado e tratar de corrigi-las para que idêntica vergonha não se repita, optou-se por fechar de vez o paiol, assim garantindo o sucesso eterno da sua guarda e o fracasso de futuros assaltos semelhantes; c) nada de grave se tendo, pois, passado e nada havendo a lamentar ou a temer no futuro, os cinco oficiais provisoriamente suspensos foram reintegrados nas mesmíssimas funções – entre as quais as de guardar o paiol… que já não existe. Não foi anedota, foi genuíno fado lusitano.»
Miguel Sousa Tavares, no Expresso

Falta desgraçadamente esclarecer as condições que Tancos não tem, e se elas existem em local existente ou a construir para onde pensam transferir tais preciosidades.
Deus queira que o burrico não vá à feira de chorudo negócio imobiliário, já se diz e ouve à boca pequena.
O MST é quase sempre assertivo , lúcido e coerente no que diz. E diz muito bem.
O que neste teu post, agora, mais me choca é a aceitação de reintegração nos seus anteriores lugares, por parte dos oficiais suspensos.
Serei eu anormal? Julgo que se tivesse sido afastada do meu lugar, daquela forma, jamais aceitaria essa reintegração naqueles moldes e sem um publico pedido de desculpas. No mínimo. Mas nada.
Agora vais para casa para não falares demais e provocares problemas, Agora voltas porque o material era velho e por isso não há de que falar.
E o Chefe Supremo das Forças Armadas não tem nada para dizer?!
Fui militar, segunda metade da década de 1960, Caldas da Rainha, Tavira, Bragança, Tancos, Torres Novas, primeiro como instruendo e depois como cabo miliciano instrutor, e finalmente em Angola furriel miliciano.
Foram 44 meses disciplinados em que era exigida/induzida aplicação, verticalidade, honradez, dignidade e aprumo, que se transmitia vigorosamente do topo à base.
Seria então impensável que os superiores a todos os níveis não assumissem um comportamento exemplar em toda a dimensão das exigências da missão, sob pena, condição bem presente, de perderem qualquer crédito junto das tropas sob o seu comando.
Quando um militar graduado abandona esse tipo de valores a começar pelos subordinados, deixa de o ser e ainda mais deixa de fazer falta.
Quando temos o general supremo a confessar ter recebido um “murro no estômago” pelo roubo em Tancos, que foi notícia em todo o mundo, enquanto se mantém imperturbável em funções, fica tudo dito.
O próprio porte físico desse general diz quase tudo dele. E desta tropa actual, enxovalhada com a pilhagem de Tancos.
Caríssima Helena: a dignidade militar, ao que parece, já não é o que era.
Não, caro Pedro, não recebi os seus e-mails.
Indique-me aqui o seu e-mail actualizado, por favor (não será publicado).
A bem da dignidade militar,este generalato devia ser obrigado a devolver o “pechisbeque” que ostenta imerecidamente na farda…
E chegados ao fim (?) da novela, vemos que os únicos que se lixaram foram o Calçada e o Faria Menezes, cuja indignação demissionária acaba por parecer de uma ingenuidade atroz.
Dizem que uma espécie de cenário alternativo. A fingir . Está tudo doido.
Luís, já lhe enviei um novo convite. Se não recebeu, indique-me outro endereço electrónico, se o tiver, sff.