![naom_594cb32f62f02[2].jpg naom_594cb32f62f02[2].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2017/20508679_ABgy2.jpeg)
Foto: Rafael Marchante/Reuters
Em 4 de Março de 2001, caiu a ponte de Entre-os-Rios. Balanço trágico: 59 mortos. O ministro do Equipamento Social, Jorge Coelho, demitiu-se nessa mesma noite.
Em 14 Junho de 2017, um pavoroso incêndio numa torre de apartamentos em Londres provocou 79 mortos. O responsável máximo da autarquia londrina de Kensington e Chelsea, local onde se encontra implantado o edifício, demitiu-se oito dias depois.
Em 17 de Junho de 2017 ocorreu o mais mortífero incêndio florestal de sempre em Portugal, causando 64 mortos e 254 feridos. Mais de quatro dezenas destas vítimas morreram numa estrada nacional para a qual tinham sido encaminhadas por agentes da autoridade. O Estado falhou em toda a linha na sua elementar missão de preservar e acautelar vidas humanas.
Chegámos ao 12.º dia após a catástrofe. Nem uma demissão: todos continuam nos seus cargos. Tanto nas estruturas de comando da Guarda Nacional Republicana como na Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interma, que gere o controverso SIRESP. Tanto na Autoridade Nacional da Protecção Civil como no Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
O director nacional da Polícia Judiciária, que se apressou a afastar a hipótese de “origem criminosa” do incêndio de Pedrógão Grande com assombrosa leviandade antes do início de qualquer investigação, mantém-se em funções. Tal como o director operacional da Protecção Civil, que começou por garantir aos portugueses a eficácia do SIRESP (“falhas inferiores a meio minuto”), prontamente desmentida pelos factos já apurados, e o presidente da Autoridade Nacional de Protecção Civil, seu responsável imediato.
Assistimos a um indecoroso jogo de passa-culpas, sob a resignada apatia da ministra da Administração Interna, também agarrada ao lugar.
A ética da responsabilidade, tão apregoada nos discursos, continua ausente em parte incerta. Como se fosse possível esconder 64 vítimas mortais e silenciar explicações a um País ainda em choque que se mantém à espera de respostas.
Leitura complementar: O Estado falhou, mas a culpa é da Judite de Sousa.
(Editorial do i, assinado pela Ana Sá Lopes)

Começou o jogo do empurra. Vai ver que no fim de várias comissões pagas a peso de ouro estudarem durante anos o sucedido e apuraram as responsabilidades na tragédia, verificar-se-á que as falhas foram humanas, e foram seguramente das vítimas que não deviam de todo estar no local errado à hora errada, nem deviam ter tampouco falecido naquele inferno.
Ninguém será digno qb para se demitir e o PM não irá demitir quem quer que seja sem evidências concretas.
Quando começar o futebol em Agosto, tudo isto não terá passado de um pesadelo, mas o que conta serão as novas contratações e os onze inicias, relegando para um terceiro ou quarto plano os outros sessenta e quatro.
Triste e vexada por ter que de algum modo mentir, e porque me perguntam muitas vezes sobre o fogo que viram nas notícias um pouco por todo o mundo, respondo apenas o mesmo milhões de pessoas como eu podem dizer : Não se sabe (ainda…) como nem porquê.
O jogo do empurra começou na própria noite da tragédia, Dulce. Mas a culpa não vai morrer solteira. Tenho a firme convicção disso. Porque desta vez não arderam só árvores e animais: morreram 64 pessoas. Grande parte das quais numa estrada nacional, gerida pelo Estado e confiada à guarda de autoridades públicas.
Quero muito que tenha razão , Pedro. É fundamental não cair no esquecimento, tampouco em saco roto. Assinar petições e contribuir financeiramente não me livram de um peganhento sentimento de culpa . Culpa que não tenho mas sinto, sinto aquele peso no peito, aquela opressão que se experimenta por não conseguir fazer parte da solução … talvez porque há anos faça parte do problema, porque é bem mais simples não fazer nada, ser mais uma cabeça no rebanho, deixar andar…
Falar, eu falo, mas não creio que o aforismo de Bulwer-Lytton neste caso se prove correcto.
O que mais me espanta, Dulce, é que o partido do Governo, pela voz de um dos seus mais experientes deputados, fez há dois meses um apelo público a uma “nova ética da responsabilidade”. Precisamente na sessão parlamentar solene do 25 de Abril. s-pede-recusa-do-conformismo-e-nova-etic a-de-responsabilidade-6243280.html
http://www.tsf.pt/politica/interior/p
Palavras, leva-os o vento. Ou o fogo. Pelo menos até agora.
Pedro, faço aqui copy de um resposta que deixei a um comentário do Sr. Luís Lavoura, num post de Luís Menezes Leitão, intitulado Colapso do Estado.
Parece-me que existem opiniões que conferem, promovem, delitos.
Através da Liberdade de Consciência e Pensamento não deveríamos permitir, publicamente, toda a Opinião , pois é assim que se mina, corrompe e desvirtua esse Direito soberano e notável que é a Liberdade de Pensamento. Nunca um Direito se deve legitimar pela ofensa, desrespeito, maldade, injuria, insensibilidade, e descompaixão pelo com o Outro. Ao permitirmos que tal suceda somos, paradoxalmente, coniventes com a corrupção de todo o Direito, Por ser um defensor intransigente e radical da Liberdade, aqui fica o meu apelo.
” muitas das culpas das mortes podem ser assacadas aos próprios mortos, ao seu comportamento negligente ou estouvado(….) Não se pode dizer que as mortes foram devidas ao Estado – elas foram, antes de tudo, devidas ao comportamento leviano dos mortos.”
Esta coisa apodada de Luís Lavoura, constitui uma ofensa ultrajante, até ao vómito, para todo aquele dotado do mínimo de civismo, educação, moralidade e empatia para com o outro. Qualidades estas que nos fazem pessoas humanas.
Assim e em virtude dos comentários passarem, em teoria, pelo crivo da moderação, mas na prática isso não se verificar, despeço-me desde já do Delito de Opinião. Sabendo eu que existe Liberdade de Expressão, ela deve decorrer dentro de certos limites de civismo e honradez, não devendo esse Direito sobrepor-se ao Dever de respeitarmos o bom nome, honra e respeito pelos mortos de Pedrogão, apanhados num turbilhão de chamas, medo, pânico, abandono e desespero, onde se encontravam crianças, e dos seus familiares.
E lá diz o ditado: quem não sente não é filho de boa gente
Parece-me que opiniões deste calibre não deveriam ser permitidos. Por muito menos já tive alguns comentários “esquecidos”
Peço-lhe que reconsidere. O Lavoura é inimputável.
Pedro, embora discordemos uns com os outros, não perdemos a capacidade de sorrir, quero imaginar, e do respeito (já por aqui pedi desculpas, várias vezes)
Não vejo TV desde o tempo de Sócrates. Não suportava ver tanta mentira e falsidade. Começava a somatizar – literalmente dava-me náuseas tamanha malvadez.
E por aqui começo também o somatizar com esse inimputável – e a maldade nunca deveria ser inimputável, apenas a bondade.
Abraço e muita sorte!!
Quem somatiza facilmente não deve meter-se em debates nem em discussões. Pode não aguentar.
eheheheh
Pois é
O Pedro Correia continua com a tara das demissões. Quer demissões, dê lá por onde der.
Não é só ele. O mal está muito generalizado.
Mais generalizada ainda é proliferação de anónimos. Pior que a filoxera.
Sim, mas são eles (ou nós) que apimentam os blogues. Pior que blogue sem anónimos, só mesmo blogue sem comentários.
E que viva o Delito com todos os seus anónimos que não são poucos.
De acordo. Um dia destes passamos até a eleger o Anónimo da Semana.
Por acaso acho muito boa ideia: eleger o melhor comentário de um anónimo. Pode identificar-se pelo dia e hora em que fez o comentário. Acho uma óptima ideia. Mais, é capaz de ser uma das poucas ideias interessantes apresentada por um dos donos do blogue. Apoio o Zé Ninguém: “E que viva o Delito” e acrescento: o mais original de todos os blogues. O mais pluralista, o que tem mais comentários e de gente muito (a)variada.
Mas que fixação acerca dos anónimos que comentam nos blogues.
O valor do que se diz (num blog, evidentemente) é independente da sua assinatura. Ou somos adeptos da crítica ad hominem?
Quanto ao conteúdo: de facto, 64 mortos deveriam ter consequências traduzidas em demissões. Se os próprios não reconhecem responsabilidades no sucedido e não se demitem, os inquéritos lá chegarão. Poderá suceder que as conclusões dos inquéritos apontem responsáveis pelo sucedido e não sejam aqueles que desbragadamente se deseja. Mas isso é outra questão.
Tomando como verdade o que tem saído, parece-me que ter uma viatura do SIRESP avariada e outra em reparação nesta altura do ano não é lá grande gestão de recursos da protecção civil.
Estamos de acordo no essencial, que nunca pode ser confundido com o acessório. E o essencial é encontrar todas as respostas, sem subterfúgios nem biombos, que permitam explicar como ocorreu esta tragédia. A tese da “trovoada homicida” já caducou. E a da “árvore assassina” hoje não convence ninguém: lamento que o director nacional da PJ tenha sido o primeiro a anunciá-la ao País sem investigação nem fundamento.
Nunca ouvi falar nessas teses.
Apenas ouvi falar nisso como factores que iniciaram o fogo. E parecem-me bastante plausíveis.
A da “árvore assassina” equivale à história da carochinha. Infelizmente avalizada e propagada pelo responsável máximo da PJ quando a floresta ainda ardia, sem qualquer investigação credível.
Nunca tinha ouvido falar nessa. Cheira-me a soundbyte.
O Pedro Correia afirma que a GNR “encaminhou” as pessoas para uma estrada, e coloca um linque. Nesse linque apenas se diz que a GNR não cortou essa estrada. Não cortar uma estrada não é a mesma coisa que encaminhar as pessoas para ela.
L~e o que eu escrevim vai ao Google maps e repete lá a afirmação sem pareceres tolinho.
Havia o IC8 mais perto do que a N236-1 para vários habitantes e transeuntes que foram ter à N236-1.
Foram ter porque o IC8 foi fechado por motivos logísticos.
Se fosse por causa do fogo, então eram ainda mais retardados mentais por pensarem que ali era perigoso e mais acima, na serra, não era,
De todo o modo a Protecção Civil soube do fogo na serra, avisou gente e não mandou cortar a estrada mais perigosa.
Quem mandou cortar o IC8 não sei. Mas aposto com 95% de certeza que até o Costa percebeu que nada tinha a ver com o perigo de incêndio, assim como o Marcello, pois levantaram as fitas e deixaram-nos passar.
Se ele não soubesse a pergunta do inquérito era outra.
Era esta: Por que motivo cortaram o IC8 para proteger as populações do fogo e não cortaram a N-236-1.
Ele não perguntou isso porque sabia.
O acesso ao IC8 que estava cortado fica a noroeste de Figueiró dos Vinhos e fica a 3 kilometros de Figueiró. Só 1 das vítimas que faleceu na estrada provinha dessa direcção… era o bombeiro que faleceu no hospital e não está nos 64 falecidos (apesar de lá estarem 2 que se despistaram na manhã seguinte em excesso de velocidade nessa mesma estrada). TODOS os falecidos eram provenientes de aldeias/localidades (quer fossem moradores quer estivessem lá alojados) que ficam ao longo da EN236-1 e todas mais perto de Figueiró do que da Castanheira.
Fazer afirmações sem conhecer o sítio é coisa muito má…
Já agora, encerrar uma estrada nacional é impossível. Com centenas de acessos de dezenas de localidades, nem com 500 polícias, enviados para lá 3 horas antes do fogo conseguiam evitar que os carros lá estivessem aquela hora.
Encaminhou por ter cortado o IC8 sem ser por perigo de fogo.
As pessoas não tiveram outra alternativa a não ser enfiarem-se na estrada que estava a arder.
Se fosse um familiar seu a quem isso acontecesse, imagino que punha o Estado em tribunal.
E ganhava facilmente, como penso que vão ganhar as pessoas que o fizerem.
Até um advogado de vão de escada ganha uma causa destas.
Completamente!
O IC8 não tem nada que ver com a EN236-1. O IC8 vai no sentido leste-oeste. A EN236-1 vai no sentido norte-sul. Não são estradas alternativa uma à outra. Portanto, fechar o IC-8 não encaminha ninguém para a EN236-a.
Além disso, “encaminhar” uma pessoa é indicar a essa pessoa que siga por um determinado caminho. A GNR não fez isso – não disse a ninguém que tomasse a EN236-1. A GNR limitou-se a vedar uma estrada (o IC8) que era perigosa e que podia ser vedada. A GNR não disse a ninguém que fosse pela EN236-1.
O IC 8 era o tanas perigoso!
Mentira. Dwe tal modo mentira que foi por lá que circularam os carros de bombeiros e todo o séquito oficial!
Para terem achado qeu o IC8 era perigoso por causa do incêndio na serra e cortarem depois das 7 da tarde, tinham então cortado a N236-1 que essa sim, era falta para os moradores das aldeias que a tinham mais perto!
Tu és muito científico mas deve ser a jogar pokemons que nem um mapa sabes ler e nem entendes o troço do IC8 que foi cortado, em nós amplos de acesso à auto-estrada.
As pessoas não tiveram outra alternativa a não ser enfiarem-se na estrada que estava a arder.
Que disparate. As pessoas tinham sempre a alternativa de ficarem quietas dentro onde estavam. Se uma pessoa está numa povoação e a única saída dela é uma estrada perigosa, há sempre a alternativa de ficar na povoação.
Quando referi mais acima que depois de apurados os factos, se constataria que a culpa de toda a tragédia ter terminado com a perda de 64 vidas, seria atribuída precisamente às vítimas, verifico que de facto parece bem que é o que está a acontecer, ironias à parte.
É embaraçoso para todos os que lêem os seus comentários, caramba.
Era uma alternativa que devias ponderar em aplicar aos teus comentários.
Também podes ficar calado e não escrever mais nada que era melhor.
Se telefonam da protecção civil para Várzeas a dizer para fugirem a responsabilidade nem é sequer de uma entidade oficial- deve ser da ausência de espírito crítico de quem atendeu o telefone.
Se mandam para trás quem vem das piscinas e obrigam a ir para a N-236-1, é porque não eram autoridades como o Presidente e ministra a quem levantaram as barreiras e não obrigaram a esse desvio (ainda que tenha sido depois das mortes na N-236-1)
Para que é que bloquearam o IC8?
Diz lá. Apresenta uma hipótese lógica e responde.
Para quê? alguém já colocou esta pergunta e alguém já lhe respondeu.
Pois eu aposto que quando for colocada vai ser em tribunal e todos nós é que ainda vamos pagar brutas indeminizações em nome do Estado por este desleixo e tremenda irresponsabilidade
(1) Faça o favor de não me tratar por tu, que eu não a conheço de lado nenhum nem lhe dei confiança para isso.
(2) Porque é que o IC8 foi cortado, não sei. Nem estou aqui a defender tal decisão. Não sei se foi uma boa decisão ou não, mas acredito que tenha sido má.
(3) Apenas disse que o facto de o IC8 estar cortado não justifica que as pessoas se metam pela EN 236-1, que vai num sentido diferente. Se uma estrada está cortada, uma alternativa óbvia é ficar parado, não ir para lado nenhum. Tomar outra estrada que vai num sentido ortogonal é que não me parece ser razoável.
Se uma pessoa está num carro numa estrada secundária que vai dar ao IC8 e descobre que o acesso ao IC8 está cortado, tem sempre uma alternativa – continuar ao longo dessa estrada secundária, passando por baixo ou por cima do IC8, para lá dele. Não tem nada que voltar atrás para ir tomar uma outra estrada a EN 236-1, que fica noutro sítio.
Por exemplo, uma pessoa que venha de Vila Facaia a fugir para sul e vá ter ao IC8 depois de Adega, ao descobrir que o IC8 está fechado o que deverá fazer é prosseguir em direção a Outão a por aí adiante. Não tem nada que voltar para Vila Facaia para procurar a EN236-1, que fica bastante mais a oeste.
Ainda por cima o IC8 vai de leste para oeste, logo, lá por ele estar cortado não faz sentido nenhum tomar a EN236-1, que vai de norte para sul. As pessoas ou querem ir para sul ou querem ir para oeste – não querem ir para um qualquer dos lados.
Tudo isto para dizer, mais uma vez, que o corte do IC8 não empurra as pessoas para a EN 236-1. Não se trata de estradas alternativas.
Não.
Os que vinham das piscinas foram literalmente desviados para a N236-1.
Os que fugiram de Nodeirinho morreram todos na N-236-1 e, apenas esses, não teriam alternativa a menos que fossem avisados a tempo e iriam pela 169-1.
Todos os que procuraram chegar à IC8 foram desviados pelas BT para a N-236-1.
E foram-no sem eles saberem que estava a arder. O que é ainda mais grave pois, bastava terem helicópteros a sobrevoar o terreno para saberem que 7 kms
à frente do nó que foi bloqueado da IC8 havia incêndio.
O km 7 a que morreram na N236-1 é mesmo a 7 kms do local onde a BT decidiu cortar a estrada mais larga e segura- o IC8.
Lavoura, com todo o respeito que cada vez menos nutro por si, pegue num mapa, na fita do tempo, veja o vídeo do local da tragédia, ouça as entrevistas a sobreviventes.
O IC8 foi cortado no sentido oeste-este no nó da N236-1. Primeiro foi cortado em Outão, mas à hora a que se estima ter-se dado a tragédia, era naquele nó que o IC8 estava cortado.
Todas as viaturas em causa seguiam para norte na N236-1. O nó do IC8, cortado, está a escassos 2km a sul dali.
Não há muitas alternativas. Ou todas aquelas viaturas vieram da estrada das Várzeas, ou algumas daquelas viaturas passaram pelo nó em que a GNR cortou o IC8.
Morreram 40 pessoas incineradas nos seus veículos numa EN a 2km do local onde a GNR cortou outra estrada, tudo indica, menos perigosa.
É perfeitamente legítimo perguntar o que correu mal, e esperar uma resposta minimamente esclarecedora. “O fogo atingiu esta estrada de forma totalmente inesperada, inusitada e assustadoramente repentina, surpreendendo todos”, não chega, não é minimamente aceitável, é uma vergonha.
Como são uma vergonha todos os relatórios que entretanto vieram a público. Impotência, passa culpas, avaliação de esforço nunca de desempenho.
Nuno, eu já olhei repetidas vezes para o google maps do local. E aquilo que vi, repito, é que o IC8 é no sentido leste-oeste e a EN 236-1 é no sentido norte-sul. Uma estrada não é alternativa à outra. Se o IC8 está cortado no nó da EN 236-1, como você diz que esteve, aquilo que as pessoas têm a fazer é irem pela EN 236-1 para sul (não para norte), para Figueiró dos Vinhos, que está a 2 km dali, arranjarem lugar numa pensão para um par de noites e esperarem que o fogo passe. Isso é o único procedimento seguro. Se as pessoas não tomaram esse procedimento seguro, então é culpa delas.
Eu pergunto, que raio é que uma pessoa que queria ir no sentido leste-oeste ao longo do IC8 vai fazer à EN 236-1, que fica noutro sentido?
Todas as viaturas em causa seguiam para norte na N236-1. O nó do IC8, cortado, está a escassos 2km a sul dali.
Mas se seguiam para norte, é porque queriam ir para norte. O corte do IC8 nada tem a ver com isso, porque o IC8 não segue para norte.
Além disso, repito, Figueiró dos Vinhos, que é uma vila e portanto é um lugar seguro, e tem restaurantes para jantar e pensões para dormir, fica apenas a 2 km a sul. Porque é que as pessoas não se foram abrigar a Figueiró em vez de se meterem numa estrada no sentido oposto?
Se as pessoas não tomaram esse procedimento seguro, então é culpa delas.
40 pessoas a decidirem mal e a morrer carbonizados por sua própria culpa. Bruxaria ? Zombieficação? O Fantasma do Jim Jones ? Que raio originou aquela vontade inesperada de suicídio colectivo?
Que tristeza…
Mais que tristeza, Dulce: asco. É o que sinto ao ler estes dislates.
Nem toda a gente que foi apanhada ali estava necessariamente a fugir do incêndio. Há relatos de pessoas que vinham de Figueiró dos Vinhos em direcção a Castanheira de Pêra e ali passaram minutos antes da tragédia que, quando saíram, não sabiam da gravidade do incêndio (que havia começado já várias horas antes).
Passaram por um nó que a GNR cortou no sentido oeste-este, mas não no sentido sul-norte. Porquê? Se é tão óbvio para si que era perigoso ir para norte, porque é que a GNR que já ali estava não impediu outras pessoas de seguir para norte?
Além disso, alguém que venha de oeste no IC8 com intenção de ir para Pedrógão, ou alguma daquelas aldeias, sem perfeita consciência da gravidade da situação, se não for devidamente aconselhado e encaminhado pela GNR que está a cortar a estrada, pode perfeitamente decidir virar para norte para tentar “contornar” o problema e chegar ao seu destino.
É óbvio para si que não o devia fazer, e devia ser óbvio para todos os que estavam nas viaturas. Só não era óbvio para a GNR. Se fosse óbvio, a GNR teria seguramente dito isso a quem ali passou, e se o tivesse feito teria certamente escrito isso no seu relatório de passa culpas. Mas não era óbvio: o que aconteceu foi “totalmente inesperado [e sinónimos redundantes]” para a GNR, segundo a própria GNR.
Morreram numa estrada nacional, 40 pessoas, a 1.8km dum nó onde estava a GNR a cortar outra estrada, tudo indica mais segura. Não é 7km como disse a Zassie, é 1.8km.
Que o Luís diga que a culpa é da falta de bom senso dos cidadãos demonstra bem a dimensão do falhanço do estado nesta situação. O Luís espera melhor informação e mais bom senso do cidadão anónimo que segue em direcção à sua morte, que dos guardas da GNR destacados para cortarem uma estrada.
O papel do estado não se esgota no combate ao incêndio. O estado usou todos os meios ao seu dispôr para tentar informar os cidadãos da gravidade da situação? O que estavam as televiões e rádios públicas a emitir àquela hora? Que conselhos práticos deram às populações afectadas? O que foi escrito nos Twitters da GNR, da Protecção Civil, do MAI, do Governo, do PM? Alguma informação útil para a população que os média pudessem depois difundir?
A verdade é que nem a GNR sabia onde se encontrava a frente de fogo, não sabia que aldeias evacuar, que estradas eram seguras, não sabia que conselhos dar. É isso que está no relatório, e posto isto, o Lavoura entretem-se a culpar os mortos pela sua inconsciência. Tenha vergonha.
Nuno, obrigado pelo seu esclarecedor comentário.
Há relatos de pessoas que vinham de Figueiró dos Vinhos em direcção a Castanheira de Pêra e ali passaram minutos antes da tragédia que, quando saíram, não sabiam da gravidade do incêndio (que havia começado já várias horas antes).
Isto só confirma que o incêndio atingiu a estrada muito repentinamente e de forma imprevista, o que confirma que as autoridades nada podiam ter feito.
Passaram por um nó que a GNR cortou no sentido oeste-este, mas não no sentido sul-norte. Porquê? Se é tão óbvio para si que era perigoso ir para norte, porque é que a GNR que já ali estava não impediu outras pessoas de seguir para norte?
Porque isso escassamente afetaria o tráfego na EN 236-1, o qual é dominado por carros que acedem a ela vindos das múltiplas aldeias que ficam ao longo dela. Parece, de facto, que todos ou a maior parte dos mortos na EN 236-1 não provinham do nó de Figueiró, mas sim das aldeias que ficam ao logo da estrada. Fechar o nó com o IC8 pouco teria afetado. Não se encerra o tráfego numa estrada a metade dos utilizadores quando se deixa a outra metade aceder a ela.
alguém que venha de oeste no IC8 com intenção de ir para Pedrógão, ou alguma daquelas aldeias, sem perfeita consciência da gravidade da situação, se não for devidamente aconselhado e encaminhado pela GNR que está a cortar a estrada, pode perfeitamente decidir virar para norte para tentar “contornar” o problema e chegar ao seu destino
Você quer dizer que um automobilista, em vez de se preparar para atravessar uma floresta potencialmente a arder durante 12 quilómetros (de Figueiró a Castanheira), se prepara para o fazer duante 30 quilómetros (de Figueiró para Castanheira e depois para Pedrogão). Esse automobilista é ainda mais temerário do que eu pensava.
Sejamos claros: se o IC8 estava cortado por causa de um incêndio, e sabendo-se que a estrada Figueiró-Castanheira-Pedrogão vai sempre pelo meio da floresta durante 30 quilómetros, um automobilista prudente teria dito, “não sei por onde vou, mas não vou por aí”. Na ausência de alguma estrada segura, o automobilista prudente teria abandonado o seu automóvel e alugado um quarto numa pensão em Figueiró.
o que aconteceu foi “totalmente inesperado [e sinónimos redundantes]” para a GNR, segundo a própria GNR
Pois foi, tal como foi inesperado para automobilistas que passaram pela EN 236-1 poucos minutos antes das mortes e que não sofreram percalço nenhum. Pelos vstos, foi de facto uma coisa muito repentina, a expansão do incêndio para a EN 236-1.
Errado. Se eu fechar as outras estradas todas e deixar só uma estrada aberta estou efectivamente a obrigar as pessoas a usar aquela e há depoimentos de pessoas que dizem que foram “encaminhadas” por ali. Portanto pare lá com isso, homem. Não tem razão nenhuma. Acha que é normal as pessoas de sítios diferentes que iam para sítios diferentes fugirem todas ao mesmo tempo pelo mesmo sítio? Não é.
Se eu fechar as outras estradas todas e deixar só uma estrada aberta estou efectivamente a obrigar as pessoas a usar aquela
Errado. Suponha que você está em Lisboa, quer ir para o Porto mas todas as estradas estão fechadas, com exceção da A6 que vai para Elvas. Você toma a A6? Não!
A EN 236-1 é ortogonal ao IC8. Logo, o facto de o IC8 estar cortado não justifica que se tome a EN 236-1, que vai para outro lado.
Há sempre uma opção: ficar quietinho na povoação onde se está. Usualmente, as casas são melhor proteção contra incêndios do que andar cá fora. O nó do IC8 com a EN 236-1 fica a apenas 2 km da vila de Figueiró dos Vinhos. As pessoas poderiam ter ido para lá e ter lá ficado quietinhas à espera que o IC8 reabrisse. Teriam perdido tempo e dinheiro, mas não a vida.
Escusa de olhar para o google maps porque isso não indica a funcionalidade das estradas no local. Só há ali duas estradas dignas desse nome (ou três). A 236-1 que faz Figueiró-Castanheira, a de Castanheira-Pedrogão mais para dentro pela N2 e o IC8 que fecha o triângulo cá em baixo e faz Figueiró-Pedrógão. O resto é no meio do mato, são acessos locais ou estradas verdadeiramente no meio da floresta. Quem quiser sair da serra tem de usar o IC8 para Ansião ou a 236-1 nas duas direcções: para sul para o lado de Tomar e para norte para Castanheira mas para virar para Penela>Coimbra pela estrada de Campelo que percorre todo o lado oeste serra da Lousã. Ou seja, sem o IC8 e a norte de Figueiró só resta a 236-1 por onde as pessoas tiveram de ir.
Também me espanta que nos blogues se diga tanta asneira e nenhum boguista se demite. Gostam do posto!!
Cuidado com a quantidade de “digestivos” ingeridos ao almoço, “boguista”. Se entrares em coma etílico e precisares do SIRESP podes esperar deitado.
Tem toda a razão. Faltou-me o “r” depois do “o”. Eu queria dizer borguista (é do que gosto). Tamanho erro é imperdoável e demito-me já de comentador.
Está enganado. Aquele tipo que tinha um blogue e vaticinou o fim do Euro em 2015 nunca mais escreveu. Os únicos que continuam a errar e não páram de palrar são os barbudos da Clara Ferreira Alves lá na Má-Língua ou Cães da Meia-Noite ou lá que raio é aquilo com a fanfarra à Kusturica no genérico.
Estamos perante sonoro e repulsivo traque do jogo do empurra que já cheira a soltada e persistente bufa.
É urgente parar esta roleta de fedorenta fraude largada por licenciador e batoteiro.
Se o SIRESP não falhou, e mesmo que tenha falhado, não deixou de haver erro humano, o que devia ter determinado e decretado desde logo a sentença de mergulho próprio ou pontapé no traseiro de Costa.
Se um general nunca se desculpa com as suas tropas, nem se pergunta se já cumpriu a obrigação de se demitir antes de ser empurrado..
Nem por mais uma hora tal afronta ao país e à sociedade!
Chega de pivete.
Há dois detalhes factuais que no Portadaloja já praticamente se chegou à conclusão.
1- Não havia nada helicópteros a sobrevoar a área ardida junto das aldeias- daí nem a Portecção Civil ter informação correcta.
2- E este é meu, pois pensei no caso logo que li. O IC8 nunca foi cortado por qualquer necessidade de protecção do fogo de quem aí passava, mas por meras questões logísticas- para transitarem os tanques de bombeiros vindos até da auto-estrada.
Cheguei a esta conclusão vendo bem no mapa em que consistia o tal corte entre o nó do Outão e o da Zona Industrial
O Marcello passou por ele, a ministra idem, secretário também, ainda no dia 17. Se não passassem tinha ido parar à N236-1 e esbarravam com os mortos na estrada. No dia seguinte o Costa passou também para entrar em Pedrógão Grande.
Sendo isto o que me parece uma evidência. daqui decorre o mais grave. Não sabiam do fogo na serra e, com o IC8 cortado nesses acessos, desviaram todas aquelas pessoas para a morte.
Um povo menor,pouco informado e pouco exigente, infantilizado , facilmente toureável pelos charlatães de turno.
Um povo que toma a “opinião publicada” por “opinião pública” , presa fácil da droga estupidificante que, na paróquia, passa por jornalismo( escrito e, sobretudo, televisivo).
Não me parece nada que o povo português seja “menor”. E parece-me até de muito mau gosto exprimir uma opinião destas no rescaldo da catástrofe de Pedrógão.
Menor é o esquerdismo crónico que tolda a vista aos funcionários públicos. Uma receita que nunca gerou senão miséria e estupro fiscal.. e depois vêm dizer que os outros que não seguem essa cartilha sem glória estão cegos e “estupidificados”.
64 mortos – e uma mansidão, chamemos-lhe assim,perante quem mente, ilude responsabilidades,mostra uma incapacidade total para , minimamente, explicar o que se passou e, ao invés, tenta lançar , através dos lacaios das redacções, uma campanha de desinformação ( atentemos na importância atribuída à asneira do anterior primeiro-ministro pela caixa de ressonância mediática) para confundir ainda mais os espíritos…
Fiquemo-nos então, e para não ferir susceptibilidades, pela (bem comportada e bem anestesiada) “mansidão”.
Acho altamente significativo ninguém (se) lembrar da demissão do João Soares, claro que por motivos completamente distintos mas, caramba, se se demite por ameaçar dar um par de estalos e nem em causa se põe uma demissão por 64 mortos, algo não está lá muito bem.
Ou estou a ver mal ?
Vê muito bem, meu caro. Já tinha pensado nisso. Hoje mesmo sou capaz de abordar esse tema.
Um abraço.
Grazie.
Forte abraço Peter
Aí está a prosa: t/do-tabefe-virtual-ao-drama-real-935751 4
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.p
Abraço.
eu tinha visto o titulo da ana sa lopes, pareceu-me apelativo, mas nao tive tempo para o ler. Ate simpatizo com a dita, enquanto seu ouvinte, se calhar agora lendo o seu editorial, quiça simpatizaria mais. Ou nao.
Mas aqui o que interessa é que ao Pedro interessa sangue. Até diz que está, e o país, á espera de respostas. Mesmo assim, exige que alguem se demita. Vá lá saber-se porque, pois o Pedro só pode saber, como todos nós, que as demissoes sao circos, ou seja tudo é circo, e a demissao é um exercicio de magia, ilusao. A menos que o Pedro diga pouco, as pinguinhas, e a seguir venha aqui exigir o fuzilamento de quantos se demitirem.
Noticia , tambem de hoje, o comandante dos bombeiros contesta a chamada fita do tempo. Parece que o que ontem era verdade, nao o é hoje, e a de hoje, nao o será amanha. Em que é que a demissao de qualquer ou todos, nos garante a verdadeira fita do tempo ?
Se bem percebi a sua tese – e parafraseando o título do editorial da Ana Sá Lopes – a culpa é mesmo da Judite Sousa. Deve ser ela a demitir-se.
e mais este aspeto que acabei por esuqcer.
O Pedro nao refere aqui, noutros seus escritos nao sei, o bombeiro mor, o presiente marcelo, que ate esteve no comando. Ainda incerta a chamada fita do tempo, nao sabemos exactamente se quando falou, poupou mais mortes, se continuaram a morrer. Deve tambem o marcelo demitir-se ?
Marcelo, Judite Sousa, Sebastião Pereira: devem todos demitir-se. Todos menos um membro do Governo. Como é sabido, só há demissões no Governo quando um ministro promete dar bofetadas a um comentador no Facebook. Isso é muito mais relevante do que haver 64 mortos no mais mortífero incêndio da história contemporânea em Portugal.
Vamos descrever o quadro e comecemos pelo gajo da PJ. Já devia ter sido medalhado pelo cavaleiro da triste figura. Sim, porque o gajo que, entre milhares e milhares de pinheiros e outro tipo de árvores, num ápice descobre o pinheiro onde o raio da trovoada seca acertou, o gajo, repito, merece ser elevado a herói nacional e com direito a pensão vitalícia de, pelo menos, o equivalente ao ordenado do CR7. Ao lado do cavaleiro da triste figura ficará o monhé sancho pança com aquele ar contristado de quem não contratou o siresp por milhões e milhões. E para arrasar com a tristeza do cenário, coloca-se a noviça do convento, boca ao lado, com as mãos entrelaçadas ao pé da pita. Na frente destes quatro apocalípticos, coloca-se a anãzinha Catarina do bloco, com uma fitinha hippie no cabelo e um eucaliptozinho na cabeça. O Galamba, entretanto, anda por ali a rir-se como se acabasse de saír do manicómio. Nisto vem o Carlos César de espada empunhada para decapitar o eucaliptozinho. Levanta a espada, toma balanço e decapita a anãzinha, sendo certo que, para a plateia que bate palmas, a culpa do golpe que a degolou se ficou a dever ao estúpido do Galamba e a mais ninguém. Assim, tal como a ministra Constança já culpou o Passos pelo incêndio, a populaça tem de culpar um anjinho qualquer pelo morte da Catarina. Ora vamos lá pedir ao gajo da PJ que descubra quem é o culpado. De certeza que vai dizer que foi o Salvador Sobral que mandou um peido no pinhal.
tambem nao sei, se o Pedro escreveu ou que pensa sobre a onda de solidariedade. Apenas imagino que ao menos outrem no blogue alinhou, viveu essa onda. É que estou a ver agora um titulo noticia : casal lucrou um milhao com falsos peditorios.
Serve como exemplo, nao sao precisos mais.
E sobre ser a santa casa a amealhar (gerir, como quiser ) o dinheiro da solidariedade ?
Não sei a que se refere. Se for mais explícito, talvez perceba.
4 de Março de 2001.
Março, sim, e não Maio – como por lapso escrevi. Grato pelo reparo. Já corrigi.
E fico ainda mais danado que sejam partidos de Lisboa sem representatividade popular que vão legislar sobre uma floresta que não é deles. Que raio de país é este. O planeamento e a gestão da floresta (e o que ela deve ser ou não ser) deve ser local, não compete a um bando de anarco-sindicalista que a única coisa que sabem é que “odeiam eucaliptos” por inspiração do sacerdote Saruman-Louçã e dos panascas do sushi. Razão tinha o Integralismo Lusitano (com a devida distância) quando defendia que o parlamento não devia ter políticos e partidos mas representantes eleitos das actividades económicas e das regiões. Há regimes melhores do que esta república manhosa de barões partidários e gestores de EPs.
Eis a solução milagrosa para todos os problemas,,, a demissão. Genial, parabéns!
Diga isso ao Daniel Oliveira, que no ano passado figurou entre os primeiros que ferveram de indignação em defesa da demissão imediata do ministro João Soares: _daniel_oliveira_antes_pelo_contrario/20 16-04-07-Obviamente-demita-se
http://expresso.sapo.pt/blogues/opiniao
Concordo que devam ser apontados culpados e apuradas responsabilidades, mas não sei se servirá de muito a demissão da Ministra, já se demitiram outros e não foi por isso que houve responsabilização efetiva.
A coordenação das operações claramente falhou, mas porquê? Quem tomou ou não tomou as decisões que fizeram ou poderiam ter feito diferença?
Porque é que a lei não estava a ser cumprida? A estrada e a floresta não respeitavam a lei, de quem era a obrigação fiscalizar e entrevir?
Porque é que o sistema de comunicação não funcionou?
Porque é que não haviam aeronaves no céu?
Quem é que investigou a árvore e declarou logo o motivo do incêndio?
A Ministra demitir-se ou não a mim não me faz diferença, ela pode continuar em funções se responder a estas e tantas outras questões pertinentes e nos apresentar os culpados, se depois de apuradas responsabilidades ela considerar que foi negligente de algum modo que se demita.
O que não quero é que isto caia no esquecimento e corremos o risco que com a sua demissão isso aconteça, rola uma cabeça, dá-se um nome à tragédia e continua tudo na mesma.
Não precisamos de bodes expiatórios, precisamos da verdade.
Essa é a questão central, Psicogata. A verdade, no entanto, é que morreram 64 pessoas e outras 254 ficaram feridas e até ao momento ninguém assumiu qualquer responsabilidade pela tragédia. Nem do Siresp, nem da secretária-geral do MAI que gere o sistema, nem da GNR, nem da Protecção Civil, nem dos bombeiros, nem das autarquias, nem do poder central.
À medida que o tempo for passando e os ecos desta catástrofe forem desaparecendo das primeiras páginas, a culpa tenderá a morrer solteira. Daí a importância de nos insurgirmos desde já contra qualquer tentativa de silenciamento. É uma questão de cidadania, é uma questão de valores.
E nunca é de mais recordar que neste país já houve um ministro demitido por contar uma anedota de mau gosto, outro por ter posto os dedos na testa a simular cornos e outro por ter prometido no FB umas bofetadas num comentador que o criticara.
O que é tudo isto comparado com a perda de 64 vidas humanas?
No que de mim depender falarei desta tragédia até que sejam apuradas responsabilidades, mas também não quero que se demita a Ministra e se termine a história, como costuma acontecer. É preciso investigar a fundo e realizar mudanças.
A última pergunta infelizmente é fácil de responder, porque o povo português a uma tragédia responde com solidariedade, a uma falta de educação com crucifixação.
Os políticos, e não só, podem fazer tudo menos ser mal-educados, nesse caso caem-lhes em cima até que não lhes reste mais nada senão a demissão.
Falo várias vezes disto no blog, se reclamássemos de tudo como reclamamos dessas pequenas coisas, tivéssemos esse mesmo nível de exigência em tudo este país estaria afinado com um relógio suíço.
Mas as pessoas preferem falar da frase do Salvador Sobral…
Pois, a questão é essa. Qualquer frase do Salvador Sobral ou de outro qualquer, por mais infeliz que seja, desvia logo as atenções para outro assunto. Hoje as redes sociais fartam-se com muita rapidez do mesmo tema e logo saltam para outro qualquer.
Novidade. O que é preciso é novidade.
Receio que a tragédia há dias ocorrida possa cair também num relativo esquecimento. Por mim, na medida em que puder, tudo farei para que isso não aconteça.
Isso acontece porque as pessoas ficaram mais indignadas com e peça jornalística da Judite do que com as mortes.
Não quero com isto dizer que as pessoas não sentiram as mortes, sentiram muito e por isso é que se despoletou uma onda solidária sem par, mas é necessário o mesmo nível de empenho em exigir que se apurem responsabilidades, a mesma exigência e indignação e que ela seja permanente até se apurarem os culpados.
Como é possível em 2017 morrerem 64 pessoas num incêndio? Como? Esta pergunta deveria ser feita e repetida todos os dias.
Simples, porque os incendios levam tudo à frente a não há homens nem meios que os consigam parar muito menos se for um incendio daquelas dimensões o com condições atmosféricas dantescas….só não percebe isto quem nunca viu um incendio de perto
Se não existissem outras condicionantes como o facto de a floresta não estar ordenada e não terem sido respeitados os limites entre as árvores e a estrada, entre outros factos, até poderia aceitar isso.
Não obstante, é preciso ter consciência que existem poucos meios em Portugal, basta comparar com o recente incêndio que aconteceu em Espanha.
Poderia escrever que quem justifica os incêndios gigantes em Portugal apenas com condições atmosféricas é porque não conhece estatísticas, mas como não o conheço não tenho legitimidade para assumir o que quer que seja.
Demissão por demissão, só porque sim, não leva a nada, porque o mais provável é que de seguida seja nomeado alguém igual, ou quiçá, até pior.
A história revela que muitos problemas já estão identificados há muito e todos os que por lá passaram nada fizeram.
Assim sendo, demissão, só acompanhada com medidas que garantam que quem vem a seguir vai fazer o que é preciso e que vai ser escrutinado de forma eficaz, e responsabilizado para além da politica sobre as ações que praticar.
De outra forma, não vale a pena incorrer em despesas suplementares e perdas de tempo inerentes a mudanças.
Por essa lógica, acaba-se a democracia. Para quê haver rotação governamental, sufragada pelo voto, se “o mais provável é que de seguida seja nomeado alguém igual, ou quiçá, até pior”?
Concordo com a sua análise. Mas infelizmente é do temos mais, não é?
No entanto no caso em apreço só haveria voto se houvesse eleições e o mais provável é que o boverno se mantenha e se troque um ou outro personagem.
E que tal as responsabilidades para além das politicas, cuja pena não passa da demissão, e de uma eventual travessia do deserto? Situação que por vezes ainda é acompanhada com um bom tacho.
Se fosses António, eras Marco António e já estavas demitido e decapitado pelo Carlos, digo, Júlio César. Como és Antunes, ele há muitos e são todos uns bananas. De modo que, segundo o teu raciocínio, não há qualquer vantagem em substituir um banana por outro banana, o que é inteiramente verdade. Mas, porra, porque é que entendes que os bananas que lá estão só conseguem arranjar bananas para os substituir? É que eles, afinal, não são bananas, são eucaliptos, secam tudo à sua volta.
Basta tem em conta a história. Os problemas estão identificados há muito. Medidas para combater os problemas já foram anunciadas, legisladas há muito.
E o que é que temos? Os mesmos problemas ano após ano verificando-se que as medidas (já velhas) nunca foram aplicadas. Enfim, andamos de banana em banana. E não sei quem é que é mais banana, se os que lá estão ou se os que acreditam que algum messias vai aparecer e resolver, considerando a atual forma de pedir responsabilidades aos bananas que lá vão estando.
Enfim, quando a política é do “bota a baixo”… O que interessa é deitar a baixo ministros, e fragilizar governo para irem outros para o poleiro… é esta a nossa (deles) política
Exacto. Quando Jorge Coelho se demitiu em Março de 2001, para que a culpa não morresse solteira, foi outro para o lugar dele.
O mesmo aconteceu ao Manuel Pinho, quando pôs dois dedos na testa, a imitar cornos.
E ao João Soares, porque escreveu no FB que lhe apetecia dar um par de galhetas em não sei quem.
Nunca a cadeira ficou vazia. Foram todos substituídos.
António Costa está enterrado no SIRESP até ás orelhas!
A primeira demissão, vai ser a dele… se alguém tiver a coragem de dar com a lingua nos dentes! Depois, lógicamente, tudo se desmoronará.
Eu não acredito… mas vamos esperar, pode ser que…