O mistério do jornalista Sebastião Pereira.


Luís Menezes Leitão,

Como esta notícia bem demonstra, foi praticado um crime grave em Portugal. Há um indíviduo que escreve para o El Mundo, intitulando-se Sebastião Pereira, e que, com inaudita má fé, informou o povo espanhol de que a carreira política do nosso querido Primeiro-Ministro pode estar em risco com os incêndios. Que ignomínia! Nunca o nosso amado Primeiro-Ministro ou sequer o mais obscuro Secretário de Estado deste governo pode ter a carreira política em causa com um incêndio que matou apenas 64 pessoas.

 

Mas felizmente que já está a decorrer uma investigação jornalística séria que descobriu que o nome Sebastião Pereira não está registado como jornalista e se trata de alguém que se esconde sob um pseudónimo, violando todas as regras da deontologia. Não sabem que o uso do pseudónimo é expressamente proibido para qualquer jornalista? Não sabem que Mário Castrim se chamava mesmo assim? E têm alguma dúvida de que o Primo Basílio, o Agapito Pinto e o Agapito Pinto Filho, que em tempos escreveram no Correio da Manhã, eram pessoas reais e que nada têm a ver com um senhor que por acaso hoje até ocupa o palácio de Belém?

 

Há que esclarecer rapidamente o mistério do torpe jornalista que se esconde sob o pseudónimo de Sebastião Pereira. Deve ser seguramente alguém ao serviço de interesses ocultos, que não querem que o país continue a viver como habitualmente, feliz sob a gestão do excelso governo da geringonça. Este, demonstrando a sua enorme queda para a literatura, reage aos incêndios perguntando, como António Lobo Antunes, “que farei quando tudo arde”? E, quando o referido jornalista for apanhado, impõe-se rapidamente que ele seja imolado pelas suas horrorosas blasfémias em auto-de-fé no terreiro de Belém. Isto se entretanto não tiver surgido qualquer outro incêndio que se possa aproveitar para o efeito.

0 comentários em “O mistério do jornalista Sebastião Pereira.”

  1. Certos jornais cá da paróquia parecem ter investido mais tempo, espaço e meios na “investigação” de quem era o novo correspondente do El Mundo em Portugal (que se atreveu a escrever um artigo nada lisonjeiro para o PM) do que na investigação de todas as falhas técnicas, logísticas, administrativas e eventualmente até políticas ligadas à tragédia de Pedrógão. E é verdadeiramente espantoso o coro de virgens ofendidas perante a existência de pseudónimos na imprensa espanhola.
    Isto quando em Portugal sempre existiram pseudónimos na imprensa. Desde o célebre Repórter X a um tal Clain d’ Estaing (que mais tarde se soube ser ‘nom de plume’ de Mário Soares como correspondente do diário ‘República’ em Paris).

  2. Exacto. Quanto mais se lê e houve, sobre a floresta, mais tudo isso faz lembrar a fraze do empresário da Agência Funerária: “Gosto muito de toda a gente, mas também preciso de viver”.

  3. É treta a prevenção dos incêndios.
    Como sou um ser divino, reconhecido internacionalmente nesta qualidade, deixo aqui um registo parcial de minha luta contra o aquecimento global.
    Na qualidade de Vento já ando há milénios a apagar fogos e a arrefecer ambientes.

    https://www.youtube.com/watch?v=2GJ9T-p13cw
    Nota: neste vídeo poderão ver-me empenhado em arrefecer a gaiola de Monroe. Não vá o passarinho entrar no lar e sofrer um colapso por sobreaquecimento.

    E para que não me acusem de não ser universalista, deixo aqui outra prova da mesmíssima actividade. Desta feita preocupado com a temperatura da gaiola de uma rapariga in red, isto é, ao rubro.
    https://www.youtube.com/watch?v=pEoh3RwTNuo

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