O esquecimento e a desmemória


Pedro Correia,

Caroline with her father, President John F. Kennedy

 

Em quatro dos cinco jornais diários generalistas de âmbito nacional que ainda se publicam em papel entre nós, não há hoje uma linha sobre o centenário de John Fitzgerald Kennedy, nascido a 29 de Maio de 1917.

Se o 35.º Presidente dos EUA tivesse sido futebolista, certamente não faltaria espaço para a efeméride num país onde dois canais de televisão supostamente especializados em “notícias” ocupam mais tempo a palrar sobre as tricas do futebol do que sobre qualquer outro tema.

Gastam-se demasiadas palavras a propósito da crise do jornalismo contemporâneo enquanto faltam exemplos concretos que configurem a tradução prática dessa crise – que é de modelo editorial, acima de tudo.

Pois aqui está um. Que devia envergonhar estes jornais que cultivam o esquecimento e se comportam como se a desmemória fosse uma virtude.

0 comentários em “O esquecimento e a desmemória”

  1. Esta efeméride foi comemorada pela Antena 1 (talvez a principal estação de rádio do país, a seguir à RR) com uma edição do programa “Radicais livres” que passou no sábado 27 de maio. O tema foi abundantemente discutido, durante uns 40 minutos, por Jaime Nogueira Pinto e Ruben de Carvalho. Sugiro ao Pedro que ouça essa edição (deve estar disponível em podcast no sítio da Antena 1).

  2. JFK, tal como Sa Carneiro, conquistou a eternidade não pelas obra concretizada mas pela promessa imaginada.Nesse sentido lembramo-nos não do homem concreto mas do mito criado. Kennedy foi tudo menos um homem modelar, viciado em sexo – tinha por amante a mulher de um capo da máfia – e em opiácios – em virtude do problema de costas que tinha. Hoover tinha-no na mão – Kennedy estava a ser vigiado – e o papel de Robert, nesta farsa bufa, comovente, no mínimo. Aliás a fortuna do clã Kennedy provinha da venda ilegal de álcool, na década de 20-30. Lamentável família. Homem lamentável.

    1. No Brasil, também tiveram um futebolista de nome Sócrates.
      E quando andou pelas políticas, declarou que, “gostaria de trabalhar com o presidente venezuelano Hugo Chávez”.

  3. Pois, o gajo que jogou no benfica também foi às análises e acusou daquela coisa. É o raio daquela porta. Disso, os jornalistas esqueceram-se depressa, como se esqueceram dos papéis do Panamá. Alguém lhes anda a meter o testículo na virilha. É o costume. É como o ministro do ambiente, a central nuclear de Almaraz, o monhé e o visionário da treta. Quando é para falar de coisas sérias, metem-nos na virilha. Ou, então, nem os têm. Até parece que o que digo não faz sentido nenhum com o que escreveu o Pedro. Mas faz. É que o russo e o cubano também foram obrigados pelo americano a metê-los na virilha. Por isso, fico ph.. quando desprestigiam JFK. Agora, isso de jornalistas é mais comentadeiros de painel TV, é mais paineleiros. Mas é o que está a dar. Tanto assim que temos dois ex paineleiros a mandar nesta merda.

      1. Só de imaginar o conteúdo até sinto calafrios.

        Curiosamente vi o filme Jackie este fim-de-semana, não é que fale muito do presidente, mas a imagem do tiro e como caiu no colo da esposa, ficou-me na memória, não imagino o choque que deve ter sido.

        Falando de JFK independentemente da sua morte prematura ter contribuído para que ficasse na história, não deixa de merecer ser lembrado, um tema muito mais interessante e importante do que muitos outros explorados exaustivamente pelos meios de comunicação.

          1. Já li o post, também gostei muito do filme.
            É de louvar a atitude de Jackie que quis que o marido morto de forma tão abrupta ficasse para sempre na história.

            Não consigo imaginar o que terão sido aqueles dias.
            A interpretação de Natalie Portman é sem dúvida fantástica, tão boa que magoa.

          2. É de louvar a atitude de Jackie que quis que o marido morto de forma tão abrupta ficasse para sempre na história.”

            Foi tão grande esse mérito, que a senhora depois se casou com rançoso do Onassis.
            O carcanhol dele, despertou-lhe tanta paixão e amor assolapado…

            Há “os maluquinhos da bola” e há os ingénuos que acreditam que o Pai Natal existe.

          3. Como se o facto de alguém refazer a sua vida tivesse alguma coisa a ver com a sua atitude, no momento certo, de proteger e enaltecer a morte do primeiro marido.

            Há os maluquinhos da bola, há os ingénuos que acreditam que o Pai Natal existe e existem anjos que só acreditam em teorias de conspiração criadas por demónios, sem esquecer claro os que acreditam que o Elvis Presley foi raptado por extraterrestres.

  4. Boa tarde.
    Não queria ser inconveniente, mas ontem, quando li este post, o texto era muito mais completo, li-o todo, deixei um simples comentário, no meio de tantos oportunos, outros menos, a manifestar o meu apreço pelo Presidente que foi John F Kennedy.
    Por volta da 1h00, do meu telemóvel, voltei ao Delito e o post tinha sido cortado, como se encontra hoje, e apenas estavam os 10 comentários que aqui estão.
    Voltei hoje, para ver se não tinha sido eu que vira mal do meu telemóvel, e afinal, confirmo.
    Gostei muito de (re)lembrar esse homem que os meus pai idolatravam.
    Cresci com uma admiração por esse homem.
    Lamento hoje não encontrar o post completo.
    Não me leve a mal.
    Apenas quis deixar a minha decepção.
    Cumprimentos.

    1. Este texto não foi cortado, Maria. Aliás os meus textos mantêm-se intocáveis: nunca apaguei texto algum. Não tenho esse hábito.
      Refere-se provavelmente a um texto anterior sobre Kennedy, onde deixou o seu comentário, que foi publicado. Este mesmo:
      http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/no-centenario-de-john-f-kennedy-9278856?thread=70800008#t70800008

  5. já no antigamente havia leitores de jornais generalistas, (entao nem os havia especializados ) que so liam á segunda feira… o desporto. Outros só lhe interessava a pagina da necrologia, e as donas de casa entretinham-se na pagina policial, seguindo as investigaçoes (era a telenovela daquela altura, em que nem televisao havia ).
    Desejavelmente tambem prefiro jornais serios, empenhados e…queridos. Mas os jornais sao os leitores, e se dao mais relevancia ao futebol é porque dos leitores que restam, sao maioritariamente “analfabetos”
    Um exemplo, de uma radio conhecida, e mais havera : pelos ouvintes que telefonam a opinar sobre diferentes assuntos, percebe-se que sao quase todos velhos, e até se percebe, o que até é normalissimo, que pararam na 4ª classe. Tanto assim, que mesmo que o assunto seja escola, alunos, adolescentes, estes nao ligam, só ligam os avos, a opinar como se estivessemos nos anos 40.
    conclusao : a radio nao muda os ouvintes fieis… fieis aos anos 40.
    E com os jornais será o mesmo, ou seja os jornais nao operam milagres, … mas a critica é livre.

  6. Caro Pedro Correia. A “informação” é um negócio, e, como tal, vendem o produto que melhor se consome (se fosse por mim, morriam de fome, porque nunca paguei um centavo para ver um jogo de futebol), e só ficaria preocupado se não tivesse alternativas a esses quatro ou cinco jornais generalistas.

    1. Alternativas vai havendo sempre. A perda de qualidade de uns conduz por osmose à perda de qualidade de outros. E a verdade é que nenhuma democracia sobrevive sem uma opinião pública esclarecida. E esta não pode formar-se sem conteúdo jornalísticos de qualidade.

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