![palloneCalcio[1].jpg palloneCalcio[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2017/20432261_UdRg3.jpeg)
Vivemos por estes dias mergulhados na futebolização do País. As pantalhas dedicam horas sem fim à conversa de taberna sobre bola transposta para os estúdios televisivos. Os partidos manipulam militantes, tratando-os como membros de claques de futebol. Os debates políticos estão cheios de metáforas associadas ao chamado desporto-rei. E a linguagem mediática imita o pior dos jargões ouvidos nos estádios, anunciando divergências ao som de clarins de guerra.
Há dois aspectos a ter em conta neste fenómeno: um é o factor de identidade tribal potenciado pelos clubes desportivos. Em regra este é um factor positivo: o ser humano necessita de mecanismos de afinidade grupal e quando faltam outros, mais tradicionais, o desporto – ou, no caso português, apenas o futebol – potencia-o como forma de preencher algum vazio deixado pelos restantes (família, igrejas, sindicatos, partidos, academias, etc.)
Outro – muito diferente e claramente negativo – é o da diabolização do antagonista. Este é um fenómeno com ramificações muito diferentes, e algumas bem recentes, influenciadas pela linguagem dicotómica das redes sociais, que tendem a ver tudo a preto e branco, numa réplica do imaginário infantil (cowboys & índios; polícias & ladrões, etc) transfigurado para a idade adulta.
O eco que os meios de informação tradicionais fazem do que se publica na Rede, amplificando tudo de forma acrítica e seguidista, vai produzindo cada vez mais estragos.
A crise financeira dos media conduziu nos últimos anos a drásticas alterações de âmbito editorial. A deontologia jornalística manda auscultar todas as partes com interesses atendíveis numa determinada história, obrigando também o jornalista a não eleger uma “verdade” sem pelo menos registar a soma das “verdades” em disputa. Acontece que a urgência de conseguir leitores e audiências tem levado muitos jornais e televisões a “queimar etapas” e a elevar o tom do relato noticioso, desvirtuando-o.
Os adversários tornaram-se inimigos, os desafios transformaram-se em batalhas, os saudáveis confrontos derivaram para devastadoras guerras.
Somar a febre do futebol à necessidade imperiosa de estancar quebras de tiragens dos jornais e fugas dos telespectadores para canais temáticos alternativos dá nisto: visões extremadas onde a emoção substitui o raciocínio, toda a moderação é considerada imprestável e o “vencedor” proclamado dos debates é invariavelmente o que berra mais que os outros.
Eis-nos mergulhados num caldo de cultura que nada augura de bom.

Diz que a afinidade grupal é um fator positivo, por oposição à diabolização do antagonista. Mas quase todas as afinidades grupais se definem por uma diabolização dos outros grupos. A afinidade grupal tem quase sempre um ponto de vista positivo estreitamente associado a um negativo. Faz parte de um qualquer grupo diabolizar os outros grupos.
Jamais me passaria pela cabeça defender que a afinidade grupal é um “fator positivo”.
Defendo, isso sim, que a afinidade grupal é um factor positivo.
Depende do tamanho do grupo. Quanto maior, menor os antagonismos…por outro lado, veja também o impacto do grupo sobre o individuo! Castrador, pelas imposições/regras/leis da criatividade/liberdade individual…
Depende do tamanho do grupo. E também das suas características. Se um grupo reduzido de ‘trolls’ já incomoda muita gente, um grupo maior incomoda muito mais.
Passei muito tempo em tabernas (fazia parte das cadeiras anuais nas licenciaturas há uns anos) e nunca ouvi falar de futebol da maneira obsessiva como fazem os jornalistas e os comentadores na televisão. Nem entre os homens das obras. Nem nos táxis, sequer. Suponho que os pescadores também não tenham tempo para tanta bola mesmo quando o mar está mau. É mesmo deles: criaram uma economia infernal em torno do futebol, só eles vivem daquilo e impingem-no com violência e sadismo a toda a gente.
Em muitas noites de Agosto a Maio, o futebol falado chega a preencher cem por cento do chamado horário nobre nos supostos “canais de notícias”. Só substituído nos meses de Junho e Julho – férias futebolísticas – pela tradicional “vaga de assaltos” logo seguida pela fatal “onda de incêndios”.
E com a criminalidade, de ano para ano, sempre a baixar.
Falta aí, associado aos incêndios e assaltos, as doenças raras, a portagem, por pagar, de um defunto que já morreu (sem exagero)…deixem-me cá ver….cães maus que mordem….só mais um pouco e acabo…hmmmm a mãe que se apaixona pelo filho desaparecido…ou isto nunca aconteceu?…não isto é da novela…julgo…mas qual? a das 16, 17, 18, 19, 21h??….bom, olhe, fico no defunto…ah e já me lembro ….. na epidemias de mortes por tactor – tractorite sistémica aguda, vulgo TSA ….etc
Sim, mas o clássico dos clássico é mesmo o da “vaga de assaltos”. Se reparar bem nos canais de “notícias”, nunca há tanta criminalidade no País como nas seis ou sete semanas de defeso futebolístico.
Nessas semanas, Portugal parece sempre a Chicago dos anos 20.
Agora com os socialistas e a esquerda no poleiro está na moda também os anúncios diários sobre as variações homólogas. Homólogas disto e homólogas daquilo. Hoje é a economia que cresceu mais do que a Zona Euro (lol, gostava de ver como chegaram àquele número). Eu cá não vejo nada. Será que tenho de voltar para Lisboa? Como é que eu pago uma renda?
Nem pense em voltar para Lisboa, a menos que seja bombeiro voluntário. As rendas em Lisboa são fogo.
Nunca percebi com é que as rendas em Lisboa —durante os anos negros de Passos e da Troika, com imigração diária de filhas e filhos em busca de pão nos países capitalistas opressores, fome generalizada e um volume de actividade sindical para a qual nem os próprios sindicalistas se tinham inscrito (aquilo dá muito trabalho, escolher os cartazes para as manifs) — nunca percebi, dizia, eu, como é que as rendas em Lisboa nunca chegaram a baixar. Ah, já sei: é uma cidade de funcionários públicos. Uma parte trabalha no Estado e a outra parte tira um ordenado limpinho das rendas que cobram a quem as pode pagar. E devem ser muitos que as podem pagar, se as rendas não baixam. Sei que pareço a Helena Matos a escrever uma crónica, mas digo isto porque quem trabalha para privados ou dá umas aulitas aqui e ali e recebe 500 euros a recibos verdes não as consegue pagar de certezinha absoluta.
V, não se preocupe que o crescimento deriva das politicas do anterior Executivo (fica mais giro, que Governo, não acha?)…o giro é ver também as justificações daqueles que auguravam a desgraça…
Sabe alguma coisa do TOP?
O que era giro era que isto fosse independente do Atrapalhador (melhor ainda do que Executivo?)… O que é um TOP?
https://www.youtube.com/watch?v=APvEKQd6 7Vs
1-0, para Nebauten
Mas não se arranjará um qualquer campeonato de futebol de praia, “mundialito” ou de juntas de freguesia? Qualquer coisita que ajude a combater a falta do “chuto” diário… É do superior interesse nacional, que diabo!
Costa
É ligar ao engenheiro Guterres. Talvez ele consiga alguma coisa.