Irreverências


João Pedro Pimenta,

Passo na rua e reparo num cartaz, de cores e imagem gráfica fortes, anunciando nova edição do Desobedoc – Mostra de Cinema Insubmisso, um pequeno festival, ou uma mostra, como o título indica, patrocinada pelo Bloco de Esquerda. tudo ali nos remete para uma ideia de irreverência, de não acatamento das regras mais restritas, de resistência ao conformismo, ao status quo, à opinião dominante a que os cidadãos estão obrigados pelo modelo de sociedade opressiva em que vivemos.

 

Depois, por qualquer razão, fico a pensar em que ponto é que ficaram as propostas de criminalização do piropo e as acusações feitas pelo Bloco a Pedro Arroja e às suas declarações sobre as “esganiçadas”, e a subsequente exigência de um pedido de desculpas à Porto Canal. Enfim, pensamentos que surgem do nada.

0 comentários em “Irreverências”

  1. Se pensar bem, os pensamentos nunca surgem do nada, por vezes, andam a “fermentar”, durante muito tempo, no nosso inconsciente.

    Por vezes, até começam por uma sensação incómoda de que há “qualquer coisa” que não bate certo… depois, depende… se lhes prestamos a devida atenção ou não. A solução para virem à tona, pode ser muito simples, basta fazer um pequenino “intervalo”, do constante “circo”, criado propositadamente, para desviarmos a atenção dos nossos próprios pensamentos. Até no meditar nos aconselham a “esvaziar” a cabeça de pensamentos, a silenciar a mente inquieta, calar a voz interior… tudo o que evite a nossa “resistência ao conformismo, ao status quo, à opinião dominante”… já só falta legislar que temos de balir ou balar, 3 vezes ao dia

  2. As propostas de criminalização do piropo e a questão das “esganiçadas” estão acima de critérios de coerência burguesa: são questões de esquerda, portanto superiores, e como tal modela-se a realidade em função do que lhes seja conveniente. É assim há mais de quarenta anos e é assim reforçadamente desde há ano e meio, mais coisa menos coisa. Consta que está muito bem assim: o povo parece que gosta.

    Essa “mostra” (vivemos em país de “mostras” e de “degustações”, umas mais à esquerda, outras mais à direita; todas “incontornáveis”, evidentemente), para entretenimento de meninas e meninos insubmissos de iPhone ao ouvido e “smart casual” vestido, porque eles, como vanguarda, podem ser burgueses à vontade, há-de ser paga com dinheiros públicos.

    De acordo, democracia sem partidos é coisa que se vê com dificuldade. Embora para eles seja a fórmula certa. Mas o meu dinheiro gasto nestas inutilidades deliberadamente provocatórias e ou dolosamente danosas ou, na melhor hipótese, perfeitamente estéreis, o meu dinheiro gasto nesta gente que vive dos meus impostos e sonha acabar comigo…

    Costa

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