Esta noite, ao assistir ao Eixo do Mal (como contei em post abaixo), verifiquei com espanto que ainda há muita gente a ver o caso TVI só com um olho. Mesmo entre pessoas que pontuam na comunicação social, o que é mais espantoso ainda. Consigo entender a confusão de um leigo nestas matérias, como de alguns comentários que temos recebido aqui, de quem está menos atento e mais afastado destas coisas e tem outras preocupações. Entendo, sim. Mas – que diabo! – começa a ser altura de distinguir o que está em causa. Era o que eu esperava, pelo menos, por parte daqueles que era suposto estarem informados e acostumados a ter uma visão mais ampla dos acontecimentos.
Trata-se de intuir que a legislação sobre esta matéria foi atropelada. Trata-se de reflectir sobre o afastamento de uma jornalista. Trata-se de discutir a alçada e os limites das administrações que querem ter órgãos de comunicação social. Trata-se de tudo isso. Só não se trata de avaliar a qualidade da jornalista e do jornalismo que ela expunha naquele espaço de informação.
Sejamos sérios: não houve tempo bastante, ao longo de tantos meses, para fazer essa avaliação e opinar sobre isso à fartazana? A que propósito se perde agora tempo a discorrer sobre a jornalista e o seu tom? A quem interessa ficar a chover no molhado e deixar o sol tapado com a peneira? Só por manobra de diversão, que alguns ingénuos têm ajudado a prolongar. E isso – pensem bem – é muito capaz de estar a dar jeito a alguém.

…Um reparo, há um erro de concordância verbal em: “daqueles que era suposto estar”.
Abraço.
Thanks. Feito.
Claramente (e naturalmente) de acordo, compadre. Da primeira à última linha.
Ainda bem que o dizes, compadre. Fico mais tranquilo. Porque já cheguei a pensar que eu é que estou obtuso.
Onde é que eu assino?
Basta-me a tua palavra e fico grato.
É isso mesmo, caro João Carvalho. O problema não tem que ver com bom ou mau gosto, apesar de achar que os gostos possam ser discutidos.
A cultura política dos portugueses (excluo quem, de um modo ou de outro, está a aproveitar-se), de uma maneira geral, não vai além do nível de um comprador de sapatos. Compra-os porque acha bonitos, só que, muitas vezes, acaba por verificar que são incómodos. Aí, tenta socorrer-se das leis do consumidor para devolvê-los, só que, quando vai fazê-lo já é tarde.
Claro, Fernando. Os gostos podem discutir-se, sim, mas convenhamos que já houve muito tempo e oportunidade para discutir o assunto. Agora, o tempo é outro e o que está em causa também.
Yessss.
Carlinhos