Recordei aqui quem foram os inquilinos da Casa Branca, ano a ano, durante o último meio século – de Lyndon Johnson, em 1967, a Barack Obama, entretanto substituído por Donald Trump.
Na antevéspera da eleição de um novo inquilino do Palácio do Eliseu, quando se confrontam nesta segunda volta das presidenciais o centrista Emmanuel Marcon e a nacionalista Marine Le Pen, relembro agora quem foram os titulares da Presidência da República Francesa, também durante os últimos 50 anos.
Volto a dividir este período por cinco décadas, para uma consulta mais fácil. Só altero as cores: vermelho para os Chefes do Estado mais conotados com o socialismo, azul para aqueles que assumiram ser conservadores ou liberais.
No final do mês farei o mesmo em relação ao Reino Unido, que irá a votos já em Junho para escolher um novo elenco parlamentar.
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1968/1977
1968 – Charles de Gaulle
1969 – Georges Pompidou
1970 – Georges Pompidou
1971 – Georges Pompidou
1972 – Georges Pompidou
1973 – Georges Pompidou
1974 – Giscard d’ Eistang
1975 – Giscard d’ Eistang
1976 – Giscard d’ Eistang
1977 – Giscard d’ Eistang
O conservador Pompidou, continuador do gaullismo sem De Gaulle, foi a figura dominante nesta década de transição em França. Até à sua morte prematura.
1978/1987
1978 – Giscard d’ Eistang
1979 – Giscard d’ Eistang
1980 – Giscard d’ Eistang
1981 – François Mitterrand
1982 – François Mitterrand
1983 – François Mitterrand
1984 – François Mitterrand
1985 – François Mitterrand
1986 – François Mitterrand
1987 – François Mitterrand
Outra década, mudança de ciclo político em Paris. Com o socialista Mitterrand – derrotado nas presidenciais de 1965 e 1974 – a impor-se enfim na eleição de 1981.
1988/1997
1988 – François Mitterrand
1989 – François Mitterrand
1990 – François Mitterrand
1991 – François Mitterrand
1992 – François Mitterrand
1993 – François Mitterrand
1994 – François Mitterrand
1995 – Jacques Chirac
1996 – Jacques Chirac
1997 – Jacques Chirac
Segunda década com predomínio de Mitterrand no Eliseu. Foi até agora o mais longo consulado desde o início da vigência da V República francesa, em 1958.
1998/2007
1998 – Jacques Chirac
1999 – Jacques Chirac
2000 – Jacques Chirac
2001 – Jacques Chirac
2002 – Jacques Chirac
2003 – Jacques Chirac
2004 – Jacques Chirac
2005 – Jacques Chirac
2006 – Jacques Chirac
2007 – Nicolas Sarkozy
Um decénio quase completo sob a presença tutelar de Chirac, discípulo político do general De Gaulle. Conservador, beneficiou do voto maciço da esquerda contra Jean Marie Le Pen na segunda volta das presidenciais de 2002.
2008/2017
2008 – Nicolas Sarkozy
2009 – Nicolas Sarkozy
2010 – Nicolas Sarkozy
2011 – Nicolas Sarkozy
2012 – François Hollande
2013 – François Hollande
2014 – François Hollande
2015 – François Hollande
2016 – François Hollande
2017 – François Hollande
Uma década repartida entre a direita e a esquerda. Na segunda metade da década em contraciclo com a Alemanha e o Reino Unido, onde têm predominado os conservadores. A partir de agora abre-se uma incógnita.
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Balanço: a direita política dominou o Eliseu em 30 dos últimos 50 anos (percentagem: 60%). Com cinco presidentes: De Gaulle, Pompidou, Giscard, Chirac e Sarkozy.
O Partido Socialista só teve dois inquilinos no palácio presidencial durante este meio século: Mitterrand e Hollande. Este último sai sem deixar saudades.

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Conservadores que nada conservam?
Em França são todos conservadores. O último não-conservador ficou sem pescoço. Era o Robespierre.
Pergunto-me que cor será usada para qualificar o próximo /a próxima titular…
Pode sempre usar-se o branco, para completar a tricolor.
Se me permite, caro Pedro,
há um detalhe que lhe escapou: a alteração da duração dos mandatos.
Sim, os mandatos presidenciais em França foram alterados durante o consulado de Chirac – que cumpriu os sete iniciais, como estabelecido inicialmente na Constituição de 1958, e após a reeleição já cumpriu o mandato de cinco anos que passou a vigorar desde então.
Mas porque diz que isto me “escapou”, António?
Pompidou foi um grande presidente da França, teve que reerguer o país dos escombros do Maio 68. Infelizmente morreu prematuramente, e deixou o Eliseu ao maior bleuff politico da 5ª Républica: Valéry Gisgard d’Estaing.
Nem Chirac nem Hollande foram bleuffs porque toda a gente sabia o que eles valiam, que era poucochinho.
“La Cinquième c’ést foutu”, diziam no genial “L’Aventure C’est L’Aventure” do Lellouch, enquanto falavam na revolucionária “clareza na confusão”. É a França dos nossos dias: “c’est foutu” e a confusão não podia ser mais clara!