A propósito da liberdade de expressão e da importância da troca de ideias (por mais distantes que sejam umas das outras) na construção e reforço de uma sociedade verdadeiramente democrática, nunca esqueci aquilo que um professor meu de Mestrado disse numa aula sobre a capacidade de estarmos sentados à mesma mesa de forma civilizada com alguém que, eventualmente, acredite em modelos ideológicos que possam corresponder a formas mais extremadas ou radicais de ver a organização da sociedade. Dizia esse meu professor, infelizmente já desaparecido e que era uma referência da academia portuguesa na área da sociologia, que o importante é termos a capacidade para debater com o próximo de forma livre e sem preconceitos. E dava o exemplo dele próprio, contando que tinha um amigo assumidamente de extrema direita, um tipo inteligentíssimo e cheio de piada, e com quem tinha conversas muito interessantes, apesar de não partilhar qualquer das suas ideias. Esse seu amigo, era educado, respeitava a lei e apresentava argumentos válidos na defesa dos seus pontos de vista, por mais desacordo que o meu professor tivesse com eles. A questão é que essa conversa era interessante e profícua e isso é algo que deve ser louvado num debate intelectual e académico. Infelizmente, muitas vezes, são aqueles que mais apregoam o seu pseudo estatuto de guardiões dos valores da liberdade que acabam por fazer os maiores disparates em matéria de democracia. A incapacidade de ouvir o outro com ideias diferentes das nossas é um caminho muito perigoso e inaceitável em fóruns e espaços que, pela sua natureza intrínseca, devem estar na vanguarda dos confrontos ideológicos, por mais extremadas que sejam as posições em debate.
Esta reflexão remete-me para 2001, ano em que a Intifada de Al Aqsa estava no seu clímax e em que me tornei no primeiro português a estudar na Universidade de Birzeit, a mais reputada instituição de ensino superior da Palestina. A experiência foi gratificante a várias níveis e apesar de ser uma universidade altamente politizada, claramente dominada pela Fatah, havia uma ampla liberdade de troca de opiniões divergentes em relação ao desempenho da Autoridade Palestiniana. Lembro-me perfeitamente que o meu professor do Estudos Palestinianos, Sattar Qassem, um proeminente académico e figura política conhecida na Palestina, assumia frontalmente o seu desagrado com a liderança de Yasser Arafat e mais tarde viria a candidatar-se contra este (entretanto, soube que foi detido no ano passado pela Autoridade Palestiniana sob acusações de “hurting the national feeling”). Ao andar pelos corredores daquela Universidade e nas conversas com os vários amigos que fui fazendo, retenho a forma interessada e apaixonada com que se discutia política, com várias opiniões contrárias e muitas delas altamente críticas à própria Fatah. E havia mesmo opiniões “arriscadas” (tendo em conta o ambiente de conflito que se vivia e os “olhares” sempre atentos de alguns elementos da Fatah) de jovens a assumir que não se podia culpar Israel por todos os problemas dos palestinianos. Debaixo daquele clima tenso e de violência, nunca vi ninguém inibido de dar a sua opinião e muito menos alguém impor o silêncio na troca de ideias. Para mim, foi um exercício de aprendizagem e de grande valor, que contrasta, segundo li e ouvir dizer, com a excitação de alguns “meninos” que, cegados pelo politicamente correcto e reféns de uma lógica político partidária mesquinha, estão a cercear os valores mais nobres que devem reger uma instituição de saber.

“Esse seu amigo, era educado, respeitava a lei e apresentava argumentos válidos na defesa dos seus pontos de vista, por mais desacordo que o meu professor tivesse com eles. A questão é que essa conversa era interessante e profícua e isso é algo que deve ser louvado num debate intelectual e académico. Infelizmente, muitas vezes, são aqueles que mais apregoam o seu pseudo estatuto de guardiões dos valores da liberdade que acabam por fazer os maiores disparates em matéria de democracia.”
Está tudo dito. As pessoas “de direita” respeitam a lei. As que se dizem de esquerda dobram sempre a lei para as suas permanentes inventonas que querem obrigar toda a gente a viver como eles. As pessoas “académicas” e democráticas são usadas pelas pessoas de esquerda (e agora pela ideologia islâmica) para instalar sub-repticiamente o seu cripto-fascismo e o seu fanatismo monocelular. A realidade comprova estas coisas todos os dias. E isto não vai acabar bem.
As pessoas “de direita” respeitam a lei.
Bava, Espirito Santo, Relvas, Dias Loureiro, Paulo Núncio….são de esquerda? Penso que também martelaram bem a lei. Ainda acredita nisso? Esquerda e direita? Quem respeita a lei é o Pobre. Quem a viola, as leis, são quem as criam – os do guito
Estava entre aspas para significar que as pessoas ditas normais (aquelas que são mesmo mesmo normais) correspondem, no linguajar marxista desta rocambolesca micro-república, a pessoas que muitos diriam “de direita”. Esses gestores que indicou são um tipo de fauna parasitária que corresponde a um outro universo estatístico.
Não vai querer comparar em maturidade, inteligência, capacidade argumentativa, os alunos desse país, com o pseudo alunos da faculdade em questão, pois não? É insultuoso para aqueles. Já basta a mácula que fica numa faculdade, cujo reitor cede aos caprichos de um bando de idiotas. Pior é o silêncio que é feito em redor desta questão. Já mostra muito da massa de que somos feitos como povo. Não temos vergonha, somos algozes de nós e regozijamo-nos com isso. Estes meninos, infelizmente para a sociedade portuguesa, irão guindar aos lugares cimeiros de instituições que nos deviam proteger.
“contando que tinha um amigo assumidamente de extrema direita, um tipo inteligentíssimo e cheio de piada, e com quem tinha conversas muito interessantes, apesar de não partilhar qualquer das suas ideias”
Também tinha um colega de faculdade que era de extrema direita. Ele e eu, numa faculdade de ciências naturais, eramos os únicos que gostávamos de História. E o problema estava aí.
Enquanto os outros viam nele, por ignorância, ou por não querem saber o que determinadas posições, dele, implicavam, eu sabia, o que por detrás daquela máscara, se escondia – ódio e violência, contra as mulheres, os “gays”, os pretos, muçulmanos (para ele a Palestina era para ser arrasada, pois os judeus eram “brancos”/europeus), etc.
Não consegui nunca ver nele um amigo – para isso é necessário comunhão de valores
…a excitação de alguns “meninos”
Não tem nada que ver com meninos, são adultos e se for ao corpo docente verá onde o bolchevismo nasceu nas suas cabeças.
Pode ir aos jornais estão cheios deles.