«Um processo aqui, um caso de corrupção ali, uns empréstimos sem retorno, uns favores a amigos, uns assaltos a empresas, algumas manipulações do mercado, umas transferências para offshores, muita mentira e uma prodigiosa incompetência fizeram da “jóia da coroa” o que ela parece hoje e que faz com que os políticos tenham receio do pântano. Fica-se cada vez mais com a impressão de que o caso da Caixa é o caso do regime: tudo anda ligado, da política à banca, da PT aos telemóveis, das águas aos petróleos, da electricidade à celulose, do BES ao Banif, do BPN ao BCP… Podem fazer-se todos os inquéritos imagináveis, ficará sempre algo de fora, aparecerá sempre, à última hora, novo facto inesperado que permita negociação futura e ocultação passada. Debaixo de cada pedra há lacrau ou veneno. E muitos parecem interessados em esconder e esquecer. Mas acrescentam sempre qualquer coisa. (…) Se a democracia portuguesa não consegue apurar responsabilidades, julgar culpados, castigar nepotes e afilhados e refazer um banco seguro e honesto, se a democracia portuguesa tal não conseguir, condena-se a si própria. O processo da Caixa corre o risco de vir a ser o processo do regime.»
António Barreto, no Diário de Notícias

E dizíamos nos há uns recentes não sermos a Grécia. Até mandaram o Rodrigues dos Santos, o Inspector Noronha da RTP, fazer por Atenas uma reportagem sobre a corrupção grega. Rodrigues como é seu apanágio no final da dita rematava com o seu veredicto – culpados. E agora hein…? Somos ou não somos gregos? E ainda houve muito portuguesinho que culpava o porsche do vizinho. Santa ignorância. São os políticos, é a política, estúpido!!. Volta Salazar, estás perdoado, eu que até sou do Bloco
Conhecem maior tragédia do que a de uma sociedade que se exprime quase exclusivamente (e normalmente de forma batoteira e facínora) através da Política — e que revela o predomínio obsessivo de determinadas classes profissionais? Eu não.