O léxico político português acaba de ser enriquecido com uma nova expressão, proferida pelo dúctil ministro Centeno: entre ele e António Domingues, o malogrado presidente da Caixa Geral de Depósitos, houve afinal um “erro de percepção mútuo”.
Extraordinária expressão, apropriada que nem uma luva a estes tempos de pós-verdade.

Uma expressão a vencer a medalha de ouro de 2017.
Candidata–se desde já.
Tão ou mais brilhante do que isso, é a razão para não ser demitido, porque isso iria deixar os mercados nervosos, numa altura em que se colocam questões de financiamento da banca.
Assim sendo, e nessa brilhante lógica o ministro pode pegar numa metralhadora, aniquilar meio mundo e não é demitido pois se o for isso é mau para os mercados e assim sendo nem sequer deve ser julgado pela justiça porque isso deixa os mercados nervosos.
No caso dos mercados tratou-se de um “euro de percepção mútua”.
É pá pegar numa metralhadora e aniquilar meio mundo não é parecido com enviar um SMS.
Perdeu o sentido das proporções ou a sua intenção é defender Centeno?
Foi suscitar uma resposta. Neste caso, a sua.
O Pedro tem de fazer anexos ao DPP: 1. Seres mitológicos 2. Forças ocultas. 3. Percepção extra-sensorial 4. Outros fenómenos e telecinésia (talvez o volume mais radical de todos).
Tudo “tricas”, segundo a doutora Ferreira Leite.
Sim, caro Pedro Correia, tricas! Apenas tricas da Dra. Ferreira Leite. Anda cega que atira a tudo que possa, de algum modo, melindrar PPC!
Mas a mais extraordinária, é do PCP! Eu cresci num tempo em que muito desconfiava do papão. No meu tempo o papão era verde por fora e vermelho por dentro, diziam. A qualquer coisa atiravam com o perigo do papão vermelho!! Era o lobo mau, encarnado! Hoje, vivemos num tempo em que o papão traja, regra geral, azul stcp!! Não é que, e sem saber, PPC tem, de acordo com os dizeres do PCP, poderes para proceder à privatização da CGD. Papão!! Esquizofrenia!? Não! Universo alternativo!! O bicho papão V. 3.3.
Mais extraordinário para mim, Justiniano, é ver a convergência actual entre Manuela Ferreira Leite e Catarina Martins. Não admira, após a senhora ter acolhido com tanto entusiasmo a vitória do Syriza na Grécia.
Erro de percepção mútuo, quer dizer que estavam mutuamente enganados? Ou que se estavam mutuamente a enganar?
Mas quem é que queria enganar quem?
Seria razoável acreditar que as figuras públicas convidadas pelo Dr. Domingos, em nome do governo de Portugal, aceitassem integrar o Conselho de Administração da CGD como não executivos, com a condição de mostrarem ao TC as suas fortunas e os seus rendimentos? Mesmo os eram cidadãos estrangeiros? Mesmo aqueles que iriam desempenhar aquelas funções pro-bono, como era o caso da Leonor Beleza?
Foram essas figuras que tiveram erro de percepção mútuo? Quem acredita nisso? Lá está: eu acho que só acredita nisso quem quer.
Eu acreditei nas maravilhosas previsões do doutor Centeno, quando garantiu que poria o País a crescer 2,4% em 2016. O dobro do crescimento real.
Fica-me de emenda: não há como fazer o totobola à segunda-feira. Nunca falha.
Novilíngua, Pedro. Novilíngua. Andam a comprar o 1984 aos magotes nos EUA, mas por cá também devia estar a saltar das prateleiras.
Dá-me vontade de escrever um poema épico, Diogo. Os Centeníadas.
Simulação, fraude à lei.
Conluio de simuladores.
Manobras debaixo da mesa, para ludibrio.
“orchestral manoeuvres in the dark”
Prestidigitação safada.