Eu ia escrever um pequeno ensaio sobre uma disciplina inventada a que chamaria “Economia Quântica”, fazendo um paralelo muito arguto entre a incerteza que parece caracterizar o comportamento das partículas subatómicas e aquela que vem alapando o corrosivo germe da dúvida nos hoje tão fragilizados alicerces da Economia. Começaria com este naco de prosa da mais fina cientificidade:
“Qualquer economista quântico sabe que, das quatro forças do Universo – gravidade, nuclear fraca, electromagnética e nuclear forte –, a gravidade é a menos séria e a nuclear forte é a de maior gravidade. É com este aparente paradoxo que, (etc., etc.)”
Mas fiz uma pesquisa, e – como pude não ter adivinhado?– já existe uma Economia Quântica. Como Nietzsche, estarei num chalé suíço recuperando, ou não.

João César das Neves, Sumo Sacerdote da Igreja Quântica:
“A maior parte dos pensionistas não são pobres e estão a fingir”.
Esse católico também já desancou o Papa Francisco, num livro sobre economia, cujo titulo é:
Porque o Papa Francisco Não Tem Razão…enfim, um herege
As outras ciências também não estão muito melhor na capacidade de previsão.
Lucklucky, se assim é, porquê tantas certezas?
Em muitos casos, já o chamarem-se “ciências”… mas que sei eu, que sei eu.
Nem estou a falar dessas “ciências”. Estou a falar de biologia/medicina/saúde e na quantidade de textos com conclusões que não conseguem ser replicados. Na Física onde boa parte dos recursos foram para os fãs dos multi-universos e “string theory” e depois de décadas nada há para mostrar. Podemos ir à nutrição onde nos EUA que têm a mania de ter recomendações oficiais as regras estão ir em alguns casos a 180º do que eram há 30 anos. Ou Climatologia onde pretendem que conseguem encontar motivos para subidas e descidas de 0.x graus.
Por favor, não me recorde que gastei horas e horas do meu tempo a ler as 700 páginas de The Elegant Universe quando podia estar a fazer qualquer coisa verdadeiramente útil, como namorar, comer uns gelados ou visitar o jardim zoológico.
Também o famoso texto sem sentido de Sokal para denunciar o que se passava na ciência tinha o título:
Transgressing the Boundaries: Toward a Transformative Hermeneutics of Quantum Gravity.
http://www.physics.nyu.edu/sokal/transgr ess_v2_noafterword.pdf
Conheço bem o texto. E estive na Aula Magna a assistir quando o Sokal cá veio debater o assunto. Foi (paradoxalmente) esclarecedor e muito divertido.
E já conhece o D-Wave o computador Quântico mais avançado do Mundo?
http://www.dwavesys.com/d-wave-two-syste m
Porque se a malta não consegue relacionar factos para entender o Mundo onde vive, para perceber como funciona um computador quântico vai acabar por queimar o resto dos fusíveis
“Entering the 103rd dimension: Scientists reveal major quantum breakthrough that could lead to ultrafast computers”
“Researchers created entanglement of 103 dimensions with only two photons – smashing the previous record of 11”
‘We have two Schrödinger cats which could be alive, dead, or in 101 other states simultaneously’, Huber jokes, ‘plus, they are entangled in such a way that what happens to one immediately affects the other’.
Acompanhei com avidez o nascimento da besta: aprendi como funcionava um processador para não lhe atribuir os efeitos ao sobrenatural; só não desci ao nível do binário porque isso deixava um homem doido (conheci pelo menos um programador de cartões perfurados que perdeu o tino) e o Assembly chegava para as minhas precisões, que eram tão-só curiosidade. A iluminação atinge-se quando se percebe que é tudo muito simples, apenas incrivelmente rápido. Quanto aos quanta, lá chegarei – por algum motivo os aviões ainda são equipados com processadores da idade da pedra, fiáveis, seguros, aterráveis. :o)