Os polacos protestam contra a anunciada visita do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, a Gdansk, no Mar Báltico, para assinalar o aniversário do início da II Guerra Mundial nesta terça-feira. Húngaros e eslovacos esgrimem tensos argumentos dos dois lados da fronteira. A minoria húngara na Roménia reclama direitos que, segundo garante, não lhe são reconhecidos. O mesmo se passa com a minoria russa na Letónia. O exército turco desfila em parada para lembrar o dia em que esmagou os invasores gregos. Bascos continuam a lançar bombas para cortar os elos políticos com Madrid. Na Finlândia e na Lituânia, as recordações dos massacres soviéticos ainda ferem muitas sensibilidades. A Bélgica ameaça implodir a todo o momento, fragmentada por conflitos étnicos e linguísticos. Os Balcãs são um barril de pólvora temporariamente neutralizado. Na antiga Alemanha de Leste crescem os sentimentos xenófobos: os movimentos de extrema-direita atingem já mais de 20 por cento das simpatias dos eleitores jovens em certas cidades. Convém anotar, de passagem: Gdansk é o nome actual da velha Danzig, onde começou a II Guerra Mundial. Há precisamente 70 anos.
A Europa é uma construção política demasiado frágil para podermos adormecer confiados em sonhos de paz perpétua. Não nos iludamos: este continente em que vivemos mantém feridas mal cicatrizadas, fronteiras mal definidas, conflitos de toda a natureza que poderão reacender-se a qualquer pretexto. Quem se gaba de a Europa ser a parcela mais ‘civilizada’ do globo terrestre esquece que foi precisamente aqui que começaram as duas guerras mais sangrentas e devastadoras de todos os tempos. Saibamos interpretar os sinais da História.


O pior é que esse lado bélico da História depende sempre de muito poucos. Nem sempre sensatos, muitas vezes a raiar a demência.
A I Guerra Mundial começou com um tiro de carabina disparado numa praça de Sarajevo, Teresa. Na altura, ninguém acreditou. Mas era o início de um conflito em cadeia que mobilizou mais de 70 milhões de soldados e provocou mais de 15 milhões de mortos.
Eu vou mais longe Pedro, esse tiro causou 75 milhões de mortos, 15 na I e 60 na II guerra mundial. E ainda levou a um período de guerra fria e até se poderia dizer que terá ainda efeitos nestas tensões actuais.
Seja como for Pedro, temos que nos lembrar que as guerras mais globais tendem a começar pelos motivos mais espatafúrdios. Até podem existir focos de tensão, como todos os referidos no post, mas basta lembrar as guerras que a França e a Alemanha (habitualmente os maiores parceiros comerciais um do outro) foram tendo ao longo da História para vermos a irracionalidade destas coisas.
Só posso dar-lhe razão, meu caro.
Nem mais. Estes humanos são loucos e um dia o céu ainda lhes cai em cima.
Bem aplicada, essa linguagem de irredutível gaulês.
A Segunda Guerra Mundial, como todas, seria diferente ou até poderia não ter acontecido, se os líderes dos países mais directamente envolvidos fossem outros. Com maior ou menor intensidade, os focos de tensão que levaram a que a Guerra acontecesse sempre existiram e sempre existirão.
Perante isso não deixa de ser preocupante ler o artigo da Courrier deste mês que avalia os líderes das grandes organizações supranacionais, com destaque no texto a Durão Barroso, como sendo mediocres.
A História pode sempre repetir-se, Paulo. O meu ponto é esse. Nunca devemos partir do princípio que os problemas ficaram todos para trás e só haverá ‘amanhãs que cantam’ pela frente.
Confesso que a medíocridade dos líderes me preocupa pouco quanto a guerras. Estas são começadas geralmente por “homens fortes”, carismáticos, sem escrúpulos e sedentos de poder. Nesse aspecto, tecnocatas como Barroso ou outros precupam-me pouco. Têm falta de coragem para se meter numa dessas. Podem é ser arrastados para guerras, isso é outra conversa bem diferente.
Pedro, já comprei o 1939 que comecei a ler.Sem dúvida uma boa sugestão, de um colega comentador do DO.
abr
É um bom livro. Sobretudo, lê-se muito bem e dá-nos alguma informação. Falo dele mais acima, Pedro.
Até assusta pensar numa III Guerra Mundial. Creio que esta durava um mês… armas atómicas para aqui e para acolá, acabava-se de vez este planeta que só dá dores de cabeça 🙂
Assusta mesmo, Sara.