O Chefe de Estado espanhol, Filipe VI, discursou no parlamento português. No final da intervenção, houve aplausos de todos os deputados, menos na bancada do PCP, onde os parlamentares apenas se levantaram em sinal de respeito institucional. Os comunistas cumpriram o mínimo olímpico. A jogar num campeonato diferente, os deputados do Bloco de Esquerda permaneceram sentados. Nem aplausos nem cortesia. Nada.
A peça da SIC que deu nota deste episódio fala em evolução bloquista. E explicou porquê: por ocasião da visita oficial do anterior monarca espanhol, Juan Carlos I, os bloquistas não apareceram no hemiciclo; desta vez estavam lá. A jornalista da SIC vê nisto uma evolução.
Há dias, Fidel Castro mereceu todos os encómios possíveis por parte do Bloco, que nada disse sobre a sucessão de estilo dinástico entre Fidel e o seu irmão Raúl. Hoje, um Chefe de Estado vinculado a uma constituição democrática, que goza de um respaldo popular muito superior ao da constituição portuguesa, recebeu o tratamento político-institucional que se dá a um ditador. Julgo que a maioria dos democratas verão nisto uma fonte de vergonha alheia e até de algum asco. Mas a SIC vê uma evolução. Parece-me que para os lados de Carnaxide também há gente a limpar os pés às cortinas.
Sem rei nem roque
Diogo Novo,

Caro Diogo Noivo:
Só não percebo a sua estupefacção.
Estava à espera de quê?
O outro tonto da trança, em Espanha, foi (vai e irá, provavelmente) aos encontros com o Rei em mangas de camisa.
Alguém, como o Caro, esperar algo diferente do BE é que é de estranhar, pelo menos para mim.
Caro Manuel Silva, estava à espera de um pouco mais de cordura, de dignidade, de respeito institucional. Da observância de mínimos. Mas já vi que mais depressa encontro o Pai Natal.
Caro Diogo Noivo:
Do BE, mais depressa encontrará um Pai Natal do que isso que refere.
Eu conheço muito bem o que pensa, e como age, muita daquela gente.
A garotada não merece tão rasgada atenção.
É verdade, cristof. Mas, por outro lado, quem cala consente.
O Bloco de Esquerda não passa de uma sucursal do Podemos. Estão à espera de quê?
Tens razão, Luís. Eu e a minha candura estávamos à espera que a proximidade ao poder trouxesse alguma dignidade e decoro no comportamento. Um disparate, está visto.
Houve de facto uma evolução da parte do Bloco. A SIC tem razão. O Diogo Noivo pode não se satisfazer com o quão longe essa evolução (não) foi, mas não pode negar que ela tenha existido.
O agressor bate na vítima três vezes por dia. Passa a só bater duas. Há uma evolução. Duvido, no entanto, que essa evolução na prática represente uma evolução no carácter, razão pela qual a “evolução” não merece registo.
Isto não tem importância absolutamente nenhuma. O rei de Espanha está habituado a faltas de respeitinho bem maiores por parte de alguns dos seus “súbditos”. Se nem no país dele o respeitam, porque há de ser respeitado noutros países?
Claro, porque a vítima está habituada a apanhar e porventura até com mais força, o crime perde relevância. Luís Lavoura, você vai longe.