“Para mim, foi como terem dado a medalha ao Evereste: ele é o mais alto do mundo.”
Leonard Cohen, El País
“De Orfeu a Faiz, canção e poesia sempre estiveram estreitamente ligadas. Dylan é um brilhante herdeiro da tradição trovadoresca. Grande escolha.”
Salman Rushdie, Twitter
“Uma inspirada escolha do Comité Nobel. Muitos de nós fomos (quase literalmente!) assombrados pelas canções de Dylan na década de 60 – poderosos monólogos dramáticos e versos surrealistas (It’s All Over Now, Baby Blue,” “With God on Our Side,” “Blowin in the Wind,” “Like a Rolling Stone”).”
Joyce Carol Oates, Wall Street Journal
“Dylan e Leonard Cohen são grandes poetas.”
Francisco José Viegas, Correio da Manhã
“Dylan é um dos grandes poetas do nosso tempo.”
João Pereira Coutinho, Correio da Manhã
“Dylan é inegavelmente um grande escritor. A Academia sueca está a usar o Prémio Nobel para restaurar a literatura. Tomara que regresse à literatura oral. As histórias que não são escritas também podem ser grandes e imortais.”
Miguel Esteves Cardoso, Público
“Já ouvi reacções indignadas de escritores portugueses, e até de um músico, o que é extremamente ridículo. Este é um prémio justíssimo.”
Sérgio Godinho, Diário de Notícias

— “Tomara que regresse à literatura oral.”
Já agora que regresse ao primeiro grito do primeiro ser multi-celular, numa poça de enxofre: o fosga-se primordial.
A literatura começou por ser oral: este é um dado inquestionável.
Não sei se Sérgio Godinho se refere a Rui Veloso.
Se for o caso, já somos dois.
Em vez de reivindicar também um Nobel para Carlos Tê, dá o seu parceiro como exemplo do ridículo que atribui à escolha de Dylan.
Surpreendente!
…E eu que gosto tanto do Rui Veloso cantor!…
Se bem me lembro, Rui Veloso (de quem nem sou grande fã) disse que dar o Nobel a Bob Dylan era como dar o Camões a Carlos Tê. Você daria o Camões a Carlos Tê? Ou o Nobel, como parece achar que Veloso devia ter defendido?
Eu só não compreendo por que é que um letrista nunca pode ser um poeta/escritor a sério.
Não são cantadas figuras marcantes da história da literatura?
Quiçá prémios Nobel?!
João de Brito
São, claro. A começar no Camões: toda a poesia dele é musicável e muita já foi musicada.
Pedro:
Convenhamos que, por muito que possam estar a ser sinceros, Rushdie e Oates encontram-se na posição dos derrotados nos Óscares. Nestes tempos de correcção política, dificilmente lhes seria perdoada uma reacção à Somerset Maugham.
Talvez, José António. Mas até prova em contrário devo tomar as declarações de ambos pelo seu valor facial. e/antonio_lobo_antunes_bob_dylan_eu_gost o.html
E aproveito para incluir o “nosso” Lobo Antunes no rol:
http://www.sabado.pt/cultura_gps/detalh
Vou apostar que o cidadão ostensivamente aborrecido que já escreveu 3 ou 4 posts e vários comentários sobre este mesmo tema aqui no DdO não tem em casa nenhum livro do Bob Dylan. Atrevo-me, por isso, a sugerir-lhe que compre uma das volumosas resenhas das letras do autor, publicadas em dezenas de edições e de línguas – até em português! – que sossegue, que leia (sem música, claro, e certamente sem a música do autor), que sinta e pense no que leu (como creio ser mais ou menos inevitável), e que, depois sim, escreva sobre o tema. É que, musicalmente, Bob Dylan tem demasiados altos e baixo para o nível constante da sua escrita, e a dicção dele é parecida com a minha no pico de um ataque de rinite. Claro que tem sempre a alternativa de ler a Alice Vieira.
Parece-me uma boa sugestão.
A esta hora, Goscinny ainda está a rebolar-se de riso.
Também eu me rebolo de riso lendo ainda hoje as histórias de Goscinny, que já conheço de cor e salteado.
Ele sabia que o bardo haveria de encantar os Normandos.
Mas trazer o Nobel para a aldeia, nem em sonhos…
Só poderia receber o Nobelix.
Leonard Cohen about Dylan’s Nobel Prize: “It’s like pinning a medal on Mount Everest for being the highest mountain”.
Génio.
Uma grande frase, que encabeça a minha lista. Só podia.