Saber escutar críticas é um imperativo na política. E emendar erros antes que se tornem grotescos tiros no pé também. A obstinação, ao confundir-se com casmurrice, nunca é virtude: é sempre defeito.
Elevação e sentido de Estado, tal como os caldos de galinha, nunca fizeram mal a ninguém. Devemos distanciar-nos do esterco – nunca aproximarmo-nos dele. Esta é uma regra tão válida para a política como para outra actividade qualquer.

“Elevação e sentido de Estado”? demasiada pompa para um simples recuar, perante a reacção da opinião pública. Mais adequado um prosaico “é melhor eu safar-me disto”.
Julgo que não terá percebido o que escrevi. No primeiro parágrafo, refiro-me ao caso concreto. No segundo – aquele que menciona – falo de princípios gerais e abstractos, aplicáveis a qualquer caso e qualquer situação.
Não sendo de Lisboa, e longe do “Beau Monde”, faz-me impressão a hiperbolização deste episódio. Não cauciono espreitadelas por ferrolhos, ou pior, ficcionar mexerico e coscuvilhice. Mas, como com as carvalhadas que se ouvem no Bulhão, não se deve perder demasiado tempo e, em particular a tempera.
Alias, PPC até me parece ter lidado com a situação num tom ponderado
-seja a explicar porquê tinha aceitado apresentar um livro que ainda não tinha lido mas era da autoria de uma pessoa que lhe merecia estima pessoal, seja a explicar porquê agora não iria fazer essa apresentação.
Este comportamento de PPC, óbviamente não serve para certificar a aquisição de Elevação ou de Sentido de Estado. Mas igualmente não serve para avaliação e cassação de tal eventual certificação.
1. Você acharia “ponderado” aceitar apresentar um livro cujo conteúdo desconhecia em absoluto só por sentir estima pelo plumitivo responsável por essa obra?
2. Aceitaria manter tal decisão mesmo sabendo, por dados inequívocos entretanto vindos a lume, que a prosa dada à luz pelo tal plumitivo era injuriosa e difamatória em relação a figuras públicas vivas e mortas, várias das quais pertencentes ao seu próprio círculo de relações pessoais e políticas?
3. Se a sua resposta às perguntas acima formuladas for afirmativa, aceite desde já a mais sincera expressão do meu pesar.
Enfim mais uma manobra que borregou mas ele vai voltar a tentar nem que o diabo venha por aí….
Ele quem?