“O VII Congresso Ordinário do MPLA, que começou hoje no Centro de Conferência de Belas, em Luanda, não credenciou todos os meios de comunicação social que pretendiam fazer a cobertura do evento. O Rede Angola é um deles.
O processo de credenciamento começou no mês de Maio, a cerca de três meses do congresso, por iniciativa do Departamento de Informação e Propaganda (DIP) do MPLA. Depois do envio (por duas vezes) do nome dos repórteres indicados para o serviço, da entrega de duas fotografias e de uma cópia do Bilhete de Identidade e de várias deslocações à sede do partido, em Luanda, a resposta final veio em forma de silêncio.
Oficialmente, as justificações apresentadas para a falta de credenciamento em tempo útil estão relacionadas com uma eventual dificuldade dos serviços de segurança e da área técnica do partido em despachar o trabalho.”
A notícia do Rede Angola é apenas um detalhe que, certamente, não ensombrará o fortalecimento das relações entre o CDS-PP e o MPLA, tantos são os pontos em comum que unem os dois partidos. Fico satisfeito que assim seja, pois vejo com bons olhos este convívio fraterno entre dois partidos imbuídos de uma cultura democrática acima de toda e qualquer suspeita.
Apesar disso, pode ser que um dia tenha a sorte de Paulo Portas, Assunção Cristas e Hélder Amaral me explicarem de viva voz quais os pontos em comum entre:
(i) um partido que se reclama de direita, personalista, assente nos valores éticos, sociais e democráticos do humanismo personalista de inspiração cristã, defensor de um Estado que não deve ser o regulador das liberdades sociais, em especial nos domínios da educação, da saúde e da segurança social e que acredita profundamente, entre outras coisas, num regime de liberdades pessoais e cívicas,
e um outro, que derivando directamente do marxismo-leninismo puro e duro, em tempos subserviente a Moscovo e à Cuba de Castro, com os mesmos dirigentes há décadas, a começar pelo número um, se reclama, como escreve em editorial o Jornal de Angola, “o partido dos “camaradas” que está no poder“, tendo
(ii) o “Socialismo Democrático como orientação ideológica que melhor corresponde aos interesses do desenvolvimento multilateral do Povo Angolano e como ideologia que defende uma vida digna a partir da plena e racional utilização dos recursos do País“, que se reclama de uma “perspectiva política de esquerda dinâmica” e quer “os principais centros de decisão nas mãos de nacionais, devendo o Estado apoiar a criação de uma base económica e empresarial efectivamente detida por angolanos“.
Tirando o amor aos dólares, o oportunismo, a hipocrisia política, e a mesma tolerância e compreensão para com os beirões que criticam o poder, confesso que não vejo outros pontos de convergência. Mas admito, de novo, que possa estar enganado.

Caro Sérgio, dou-lhe os meus parabéns por este seu seu texto.
Se me permite, aproprio-me desta sua frase:
«Tirando o amor aos dólares, o oportunismo, a hipocrisia política, e a mesma tolerância e compreensão para com os beirões que criticam o poder, confesso que não vejo outros pontos de convergência. Mas admito (…) que possa estar enganado.»
uma duvida: Bloco foi o único que não foi ao congresso?
Ó Sérgio e as empresas portuguesas que lá estão? E os portugueses que lá trabalham? Peanuts?!
Pois, Helena, e a algumas, e a alguns, até não lhes pagam. Eu percebo, mas convém não exagerar. Haja bom senso. 😉
A Dona Cristas até queria fazer uma reforma agrária apropriando-se da propriedade das pessoas, e o próprio CDS esteve sempre quando no Governo a favor da cada vez maior opressão fiscal.
Sempre que o CDS esteve no Governo tivemos sempre mais Estado.
Vestem cores diferentes mas o propósito é o mesmo: Socialismo.
Ou por outras palavras o Poder da nomenklatura.
No tempo do “Socas”, que legou à Geringonça do Xuxa Costa tanto ministro, menestrel e aio, não faltavam corropios para as Luandas apesas ao Futungo, baseados em comum plataforma de “rapótacho” – a ‘títalo’ d’exemplo, um ex-ministro então alcandorado a CEO de construtora, outro ex-ministro academico com cátedra Columbiana amamentada pela EDP dava perninha como vice-presidente do BES África, tantos amigos de Manuel Vicente (que até viajavam de véspera para as Américas só na ansia de o rever), Isabel dos Santos como parceira para a politicamente cozinhada fusão PT/Oi que seria a base de plataforma da operadora para toda a lusofonia, etc. Para quê, nesses antanhos, quedar-se com dores d’alma pela absentia de “pontos em comum que unem (…) dois partidos” – um desperdicio de prosa, seria…..
uufffffff, grande balão de oxigénio que deu este não assunto ao Sérgio! Portugal no entanto continua galambamente espectacular. Viva!