Os comentários da semana


Pedro Correia,

«Já vi as crianças crescer (e foi tão, tão rápido).
Por estes dias – por estes anos -, passo tantas coisas da gaveta dos projectos adiados para a das coisas que sei que definitivamente já não farei, ajudo os mais novos a acabar de crescer (Deus!, demora-se tanto mais tempo… e só passou uma geração) e há algum tempo já que faço tudo o que posso para ajudar os mais velhos a morrer. A ir morrendo, com a dignidade, a voz activa e o conforto possíveis.
E é estranho. Há, parece, tão pouco tempo ali estavam eles, os mais velhos, parecia que com uma energia sem fim, e eram tantos os contratempos. Com a solução garantida. Ao meu lado, à minha volta, sempre protectores, sempre presentes, sempre porto de abrigo. Agora olham-me subitamente tão frágeis, os papéis inverteram-se e às vezes, egoísta, nem lhes quero reconhecer a velhice. O passar do tempo, a minha nova responsabilidade.
Pela ordem natural das coisas, a seguir sou eu. E se tudo se passar tão depressa como me pareceu que passou…»

 

Do nosso leitor Costa. A propósito deste texto do João André.

 

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«Férias, uma das coisas, entre muitas que não tenho, como pensão de reforma, subsídios ou afins porque, cada um, deve fazer o que apregoa e, para mim, Liberdade é isso mesmo, não ser dependente de coisa nenhuma, apesar de, nos tempos que correm, a verdadeira Liberdade já não exista porque, só para sobreviver, é preciso pagar. Basta precisarmos de água e, aqui na capital, só da água e serviço prestado, por sair na nossa torneira, quem pagar 12, com os impostos, fica mais do dobro, em 28 euros. Em algum lado a Câmara tem de arranjar 3 milhões para a Mesquita… não podendo pôr a água mais cara que o champanhe, vai ter de aumentar o IMI, a todos, mas aquela de “carregar”, ainda mais, a quem tenha mais sol ou melhor vista… definitivamente, a irracionalidade não tem travões… mas tenho uma prima sortuda, pode pedir desconto, tem vista para o cemitério, sempre estranhei ter comprado o andar naquele sítio, afinal, deve ter tido uma premonição…
Já houve tempos em que o meu dia começava às 5h da manhã e a única coisa que sabia fazer era trabalhar mas um dia “acordei” e vi que isto de investir e trabalhar muito só servia para pagar mais impostos e, assim, criar mais “dependentes” do dinheiro dos outros, portanto, cheguei à conclusão que, materialmente, de pouco se precisa para se ser feliz e poder dar atenção às coisas e pessoas, realmente, importantes. Só espero que quando deixar de ser responsável pela vida e escolhas de outras pessoas que me são queridas, nessa altura, ainda possa optar “por menos materialismo” e poder largar, definitivamente, o resto das “dependências”, se me deixarem porque o mundo caminha para um sistema onde os humanos passarão a ser, unicamente, activos financeiros, pertencentes a Corporações que, têm de dar lucro ou serão tecnologicamente substituíveis ou, pior, definitivamente, dispensáveis.
Quando hoje li, no Diário Económico que, pela primeira vez, na Função Pública, os aposentados são mais do que os activos, não contando com os outros aposentados, desempregados e outro tipo de situações, incluindo a Dívida (incomensurável e imparável) que arranjaram aos 10 milhões de portugueses, a verdadeira crise ainda está para chegar e, com ela, Ordo Ab Chao (Ordem a partir do Caos), aquilo que, a nível global, o 1% precisa mas, desta vez, servirá para implementar “o resto” e, com isso, acabar com o resto da nossa Liberdade.
Já sei que não acredita mas, é só para ficar escrito e, nesta altura, é completamente inútil tentarem matar os mensageiros. Deviam ter dado ouvidos aos que, há décadas, não conseguiram passar a mensagem e a “sangria” continuou. Ainda não percebi como ainda existem pessoas que acreditam nas tretas de que isto vá acabar bem.
Falar de férias, para quê? Passámos a ter a silly season o ano inteiro e, há décadas, pode faltar o dinheiro mas sillies… são aos magotes.»

 

Do nosso leitor Ariam. A propósito deste meu postal.

0 comentários em “Os comentários da semana”

  1. Gostei de ler ambos…
    Curiosamente revejo-me nos dois! Vivências semelhantes… faixas etárias semelhantes… não sei, só sei que subscrevo a quase totalidade do que foi escrito por cada um deles.

    Bem hajam.
    (^^)

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