Desamparado, o casal seguia com uma atenção esforçada a conversa do miúdo. Falava do quê? Talvez do Pokemon Go. O pai segurava o sorriso, olhos distraídos, mais atentos aos seus gestos e expressões animadas do que ao que dizia. A mãe observava-o silenciosa, naquela paz desconsolada de quem sabe que está a perder qualquer coisa, embora não saiba o quê.
No mar, famílias como a deles preenchiam com mergulhos e braçadas o mesmo sudoku feito de horas e horas de tempo livre. Mas havia os outros, os que em grupos ruidosos faziam o Verão. Gargalhadas e conversas alheias mescladas de pregões “Olhá bola de berlim!”, choros de bebés, ralhetes “Agora não vais para a água!”. A banda sonora de sempre.
Mais tarde, depois do banho, quando o casal e o filho se estenderem na toalha ao Sol, essa vida difusa há-de embalá-los e compor, enquanto dormitam, uma apaziguadora ideia de férias.


Gostei muito desta tua crónica de Verão, Teresa. Fiquei a interrogar-me: ter-se-ia passado numa das ‘minhas’ praias?
Olaré! Uma praia que lembra Cabo Verde mas não fica em Cabo Verde e que já entrou na tua lista: Porto Santo. Mas até nas praias mais bonitas podemos descortinar cenas deprimentes…