O regresso de Kubrick


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Na falta de um ciclo mais completo que permita às gerações mais novas (e velhas) ver no grande ecrã os clássicos de um dos maiores realizadores que o cinema já conheceu, temos de nos contentar com as migalhas que vão caindo aqui e ali. Há três anos – parece que foi ontem – caiu uma, quando Kubrick regressou finalmente a algumas salas de cinema portuguesas com o assombroso 2001: A Space Odyssey (ver a sequência da Stargate na segunda fila daquela sala enorme no El Corte Inglés será sempre uma das memórias mais marcantes que o cinema me deu). E a partir da próxima Quinta-feira cairá outra, quando o Cinema Ideal começar a passar, até meados de Agosto, a mais recente versão digital restaurada de Barry Lyndon, assinalando as quatro décadas do clássico de época que terá talvez ficado mais famoso pelo virtuosismo técnico de Kubrick (a célebre história das lentes equivalentes às usadas pela NASA). Sim, o virtuosismo é evidente em cada fotograma, autênticos quadros que Kubrick pintou na película – mas a história da ascensão e da queda do Redmond Barry que imortalizou Ryan O’Neal não lhe fica atrás. É uma oportunidade única para ver ou rever. 

0 comentários em “O regresso de Kubrick”

      1. Vi o ‘Barry Lyndon’ em cinema, há longos anos, e estou com muita vontade de rever o filme. Kubrick foi durante muito tempo o meu realizador favorito. Foi talvez mesmo o meu primeiro realizador favorito — antes de conhecer a obra integral de um Ford, um Hawks, um Kazan, um Hitchcock, um Billy Wilder.
        Mas tenho ocasionais recaídas ‘kubrickianas’, aliás cada vez mais frequentes. Ainda há dias revi a ‘Lolita’ e senti ali um dedo de mestre. Em Kubrick – como num Orson Welles, por exemplo – mesmo os chamados filmes menores têm um sopro de génio.

        1. No meu caso, Kubrick continua a ser o meu realizador preferido. Como bem dizes, até nos filmes ditos menores dele se nota o dedo do mestre. E os seus melhores – “A Clockwork Orange”, “2001”, “Dr. Strangelove”, “The Shining”, este “Barry Lyndon” – tornaram-se clássicos do cinema. Com toda a justiça, diga-se de passagem.

  1. Um filme extremamente belo. Recordo-me perfeitamente de o ter visto na companhia da minha mãe, numa das poucas vezes em que fomos ao cinema juntos.

    Infelizmente é também um filme extremamente longo e que se torna muito cansativo. Espero que tenham a caridade de o exibir com pelo menos um intervalo. Se não, é um massacre.

  2. Bem referido, João. Já tinha lido sobre esta reposição e também eu estarei lá no Cinema Ideal, já que nunca vi este filme, apesar de muitos o considerarem o melhor de Kubrick.

    1. O melhor de Kubrick, para mim, será sempre “2001”. Mas “Barry Lyndon”, no seu género, não anda longe. Lembro-me sempre das aulas de guionismo com o Mário de Carvalho, quando ele mostrou este filme à turma para mostrar não a importância da imagem, mas a importância da banda sonora – exemplificando com a “Sarabande” de Handel, sempre a prenunciar a morte na vida de Redmond Barry. Foi uma das muitas maravilhas daquelas aulas.

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