O massacre que o Islão nunca esqueceu


odiplomata,

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A propósito do texto do Diogo, As Jihads, e do intenso e profícuo debate que suscitou na respectiva caixa de comentários, lembrei-me de um texto que há uns anos tinha escrito no blogue Forte Apache e que aqui me parece apropriado recuperar para quem tenha interesse por estas temáticas. Na altura, isto em Setembro de 2011, tinha comprado um daqueles pequenos livros da Penguin, de sensivelmente 60 páginas, com extractos da extensa obra “A History of the Crusades” (Cambridge University Press, 1951) do conceituado historiador britânico “Sir” Steven Runciman, falecido em 2000, com 97 anos. Tendo dedicado parte da sua vida ao estudo da Idade Média, Runciman teve em “A History of the Crusades” a sua grande criação, que ainda hoje é um farol para aqueles que pretendem debruçar-se sobre o conhecimento das incursões cristãs no Médio Oriente.

 

O tal pequeno livro da Penguin, de forma muito sucinta e clara, versa sobre os preparativos da Primeira Cruzada e o “assalto” a Jerusalém, sem esquecer os conturbados acontecimentos que se verificaram em Constantinopla e noutras cidades durante a jornada. Começa por ler-se sobre o entusiasmo e o apelo às armas do Papa Urbano II, no final do Verão, início de Outono de 1095, altura em que começa o movimento inspirador das Cruzadas. Da mobilização ao envio dos primeiros cruzados passaram poucos meses, para que se iniciasse um processo de violência desenfreada numa lógica da Cristandade contra todos (judeus, turcos, muçulmanos), incluindo contra os “irmãos” cristãos espalhados pelo Império Bizantino.

 

As atrocidades e a violência cometidas em nome da Fé durante a Primeira Cruzada, nomeadamente aquando do assalto e do massacre de Jerusalém em Julho de 1099, levaram Runciman a encontrar resposta para a questão primeira sobre a origem do conflito entre o Cristianismo e o Islão e que se perpetuou até aos dias hoje, afirmando que “o banho de sangue foi a prova do fanatismo cristão que recriou o fanatismo do Islão”.

 

O interessante nesta pequena passagem da obra de Runciman é ficar expressa a ideia de que a origem doutrinária da inimizade que persiste nos tempos modernos entre o Islão e o Cristianismo remonta à Primeira Cruzada, fazendo uma distinção com os séculos anteriores de expansão árabe. Runciman centra-se, antes, em episódios concretos de uma política papal e europeia expansionista na qual os fins justificaram todos os meios de violência.

 

Aquilo que é hoje o ressentimento doutrinário e ideológico do Islão contra o estilo de vida das sociedades ocidentais de herança cristã pode ter origem nos acontecimentos dramáticos naqueles dias de Julho de 1099 que se seguiram à conquista de Jerusalém, quando no interior das muralhas daquela cidade os cruzados eufóricos com a sua vitória invadiram ruas, casas, mesquitas e sinagogas, não poupando homens, mulheres e crianças muçulmanas e judaicas.

 

Raymond of Aguilers, um dos cronistas da Primeira Cruzada e que na manhã a seguir ao massacre (15 de Julho) chegou ao Pátio das Mesquitas (principal local sagrado muçulmano na cidade histórica de Jerusalém), conta que viu o chão coberto de corpos e de sangue que chegava até aos seus joelhos. O massacre de Jerusalém impressionou o mundo, desconhecendo-se o número de vítimas, falando-se em milhares. Certo foi que a cidade ficou sem muçulmanos e judeus. Mesmo entre alguns cristãos, aqueles acontecimentos causaram horror. Perante estes acontecimentos, Runciman relembra que mais tarde, quando alguns sábios religiosos do quarteirão latino em Jerusalém “tentaram encontrar alguma base na qual cristãos ou muçulmanos pudessem trabalhar juntos, a memória do massacre estava sempre no seu caminho”.

0 comentários em “O massacre que o Islão nunca esqueceu”

  1. os ingleses a escreverem livros taralhoucos desses não admira que tenham sido um dos principais impulsionadores da Islamização da Europa, financeiramente e demografica!! taralhoucos…

  2. Recuar a 1099 para explicar a inimizade atual entre Islão do Médio Oriente e o Cristianismo é capaz de ser excessivo.
    Temos toda a política colonial durante o fim do Século XIX e princípio do Século XX e todo o neocolonialismo e intervencionismo subsequentes.
    Claro que os Cruzados de 1099 foram importantes, mas os de 2003 da Invasão do Iraque e os que bombardearam a Líbia se calhar também não fizeram bem nenhum.

  3. Se formos por aí, a tomada de Constantinopla em 1453 também não foi exactamente uma alegre visita de cavalheiros. Correu muito sangue na queda da capital bizantina.

  4. Bem lembrado, Alexandre. “A History of the Crusades”, a magnum opus do Steven Runciman, continua a ser um texto obrigatório em qualquer bibliografia sobre a época das Cruzadas. Não sei se a inimizade religiosa se deve apenas à Primeira Cruzada. Mas é verdade que antes, quer nas terras do Islão como nas terras do Cristianismo, muçulmanos e cristãos conviviam sem problemas políticos maiores. Seja como for, as Cruzadas, a Queda de Granada (1492), e tantos outros episódios históricos são hoje apresentados como argumentos de combate pela acefalia bruta do jihadismo. Julgo não fazerem parte do imaginário colectivo do Islão, mas são certamente “causus belli” para a alarvidade jihadista.

    Pequena nota, um pouco a despropósito: David Runciman, sobrinho de Steven Runciman, é um dos mais interessantes cientistas políticos contemporâneos. O Pedro Correia trouxe ao DELITO o livro “Politics” (ver Dez Livros para Comprar na Feira), já com tradução em português. É um excelente livro. Sugiro igualmente o “Political Hypocrisy” (2008) e o “The Confidence Trap: A History of Democracy in Crisis from World War I to the Present” (2013), duas obras imperdíveis, muito bem escritas e melhor fundamentadas, e essenciais para compreender o momento presente.

  5. A minha filha tem uma licenciatura em História . Sempre tive gosto em acompanhar os estudos de uma e de outra. Li os três volumes da História das Cruzadas.
    As atrocidades que se cometem em nome da fé, são inenarráveis e não são apenas característica dos cristãos, mas quem lê sobre as cruzadas, nunca mais consegue pensar nos ensinamentos que recebeu em criança do mesmo modo.

    1. A primeira coisa que um cristão (católico) faz quando se inicia a missa é reconhecer a sua condição de pecador e pedir perdão pelos seus actos. O cristianismo não é a qualidade do cristão mas o caminho que o pecador tem de trilhar. Reconheço todas as atrocidades cometidas nas cruzadas e, como cristão, envergonho-me delas, mas o anátema de que as cruzadas foram um movimento para ataque ao Islão, porque sim, é um disparate. As cruzadas foram um movimento de auto defesa absolutamente compreensível. Se não querem estudar e perceber a História, peguem num mapa e entendam, pelo menos, a geografia. Logo verão o que é uma tenaz!

      1. As cruzadas foram um movimento de auto defesa absolutamente compreensível.

        Disparate. Os cristãos e o cristianismo não estiveram, em geral, em perigo na Terra Santa nem no Médio Oriente em geral. A prova é que se chegou ao século 20 com grandes números de cristãos em todo o Médio Oriente (Palestina, Síria, Líbano, Mesopotâmia, Egito, etc).

        O mesmo não se pode dizer, por exemplo, da Península Ibérica, que chegou a século 20 sem um únco muçulmano, fruto de uma política de perseguição sistemática por parte do poder político.

        1. “O mesmo não se pode dizer, por exemplo, da Península Ibérica, que chegou a século 20 sem um únco muçulmano, fruto de uma política de perseguição sistemática por parte do poder político. “

          Missão: História 7
          Manual de História do 7.º Ano

          Foi daí?
          Que leviandade.

  6. Permita-me recomendar-lhe a leitura do livro “Uma História dos Povos Árabes”, de Albert Hourani, nascido em Manchester e filho de pais libaneses, que foi também professor em Oxford, e no Brasil foi editado pela Companhia das Letras.

    É bastante redutora, e até mesmo um fenómeno de sublimação, a atribuição das causas actuais das relações entre culturas às cruzadas.

    O fortalecimento do fundamentalismo islâmico não pode ser dissociado dos conflitos contemporâneos (Israel, Palestina e seus vizinhos, a guerra Irão-Iraque, a guerra do golfo).

    Nos séculos XV e XVI, a maior parte do mundo muçulmano foi integrada em três grandes impérios: otomanos, safávidas e grão-mogóis. Todos os países de língua árabe foram incluídos no império otomano, com capital em Istambul, exceptuando-se partes da Arabia, Sudão e Marrocos; o império também incluía a Anatólia e partes do sudeste da Europa.
    Pretendo com isto chamar a atenção para uma atenção às diferentes dinastias aí residentes, à interpretação feita pelas diversas escolas de cariz religioso, mas também, e não menos importantes, para os desequilíbrios que aí se geram no século XVIII entre o governos locais e centrais otomanos.
    Mas também não esquecer as ascensões e quedas das diferentes dinastias que vão criando várias clivagens na região.

    Portanto, os conflitos não possuem cariz religioso. Mas cultural. E a raiz deste conflito, em todas culturas, reside na tentativa de subjugação à norma. É o cristianismo que revoluciona toda esta estrutura ao propor “a busca do reino dos céus e sua justiça” afirmando que “tudo o mais vos será dado por acréscimo”. Pois é na busca deste acréscimo que se perde o sentido da construção do reino. Reino este que deixa de ser futuro e torna-se uma tarefa intemporal, isto é, este futuro é sempre o agora.

    A dificuldade da ascese religiosa só se coloca enquanto o homem se subordina à norma sociocultural. A lei pode ser boa. Mas se o Homem não age de forma liberta, a lei escraviza. Se o Homem se liberta, então, domina a lei e a sua conduta determina autoridade.

    O denominado choque entre religiões só existe para alimentar falsos pensamentos académicos. O verdadeiro choque é esta natureza que não se supera. Portanto, e finalmente, o Homem necessita descobrir o que é verdadeiramente natural.

  7. Não há qualquer dúvida sobre o horror que foi a conquista de Jerusalém na 1ª cruzada. Horror reconhecido na altura por alguns cristãos que nela participaram. Mas acusar a Europa de expansionista por causa das cruzadas contra o Islão, esquecendo que Maomé morreu 632 anos depois de Cristo e 79 anos depois o Islão estendia-se do cabo da Roca e de Finisterra aos Himalaias, e que 20 anos depois chegava às portas de Paris (batalha de Poitiers) quando o Norte da Europa, 700 anos depois da morte de Cristo, ainda não era cristão, parece-me uma história mal contada. O Islão cercava e cerca a Europa. O expansionismo era uma necessidade defensiva absoluta dos Cristãos, contra o expansionismo islâmico que conseguiu em 70 anos uma extensão que em 1000 anos o Cristianismo nunca conseguiu mesmo começando primeiro. Só um cego não vê. A questão primeira do conflito entre o Cristianismo e o Islão é o expansionismo deste último com a conquista dos territórios cristãos do Médio Oriente, Norte de África e Sul da Europa, expansionismo que se iniciou menos de um século após a morte de Maomé e continuou, pelo menos, até ao século XVII.

    1. A questão primeira do conflito entre o Cristianismo e o Islão é o expansionismo deste último com a conquista dos territórios cristãos

      Não se tratava de territórios cristãos. Tratava-se de territórios onde as pessoas tinham diferentes religiões, sendo a principal o cristianismo. Após a conquista por reis muçulmanos, as pessoas foram-se convertendo, mas o cristianismo e o judaismo perduraram.

      O xico vê erroneamente a questão entre o facto de o rei ter uma certa religião e o povo ser forçado a segui-la. No Islão tradicionalmente (e também em Portugal durante a Reconquista), o facto de o rei ter uma religião não força os súbditos a segui-la. É verdade que os muçulmanos conquistaram territórios povoados por cristãos – mas não forçaram esses cristãos a converter-se. Da mesma forma, Afonso Henriques conquistou territórios onde havia muitos muçulmanos e judeus, mas não os obrigou a converter-se.

      Não é legítmo misturar a questão secular e guerreira com a questão religiosa. O facto de o dono de um certo país ter uma certa religião não faz com que todo esse país seja forçado a converter-se, nem com que as pessoas de outras religiões estejam em perigo. Durante muitos séculos os cristãos e os judeus viveram em paz e sossego por todo o Médio Oriente sob domínio de reis muçulmanos.

      1. Plenamente de acordo. A simplificação dos argumentos vem dos meios que se utiliza. O que pretendo recusar é a ideia que as Cruzadas foram meramente uma campanha contra o Islão. Os territórios ocupados estavam sob o domínio do império bizantino cuja matriz era a cristandade, tal como na Espanha. As cruzadas foram um movimento reactivo em defesa dos interesses europeus face ao expansionismo e domínio do Mediterrâneo. É muito mais um problema secular do que religioso, embora este fosse um mote para o levantamento das massas, tal como hoje temos o nacionalismo. Coisa mais artificial não há.
        Ver os cruzados como os maus da fita esquecendo a agressividade (no aspeto positivo do termo) e a eficácia da expansão islâmica é não perceber nada de geografia.

      2. Este tipo de conversas gerais de histórias, dá para confusão que nunca mais acaba.

        Mas… ao menos, convém alinhar numa versão que não seja muito taralhouca em consistência.

        Ou seja, o Luís Lavoura não vai ao mesmo tempo dizer que as comunidades muçulmanas na Península Ibérica desapareceram na Reconquista, não tendo nenhuma chegado ao Séc. XX – certo, mas depois pôr-se aqui a dizer que os reinos católicos aceitavam comunidades muçulmanas.

        Os reinos católicos não tinham qualquer tolerância para outras religiões, eram completamente fundamentalistas e a prova mais clara disso foi a exterminação dos Cátaros de Toulouse, que eram cristãos com uma pequena dissidência na questão da Trindade.

        Se isso já acontecia na Baixa Idade Média, onde a perseguição era feita às religiões pagãs de raiz celta (a lenda Arturiana reflecte isso), muito mais ocorreu após as Cruzadas, e problema Cátaro, quando foi instituída a primeira Inquisição.

        Houve várias Cruzadas, e na 4ª Cruzada o objectivo foi mudado para ser um Saque a Constantinopla (à conta disso, os cavalos de bronze do Hipódromo foram parar à Praça de São Marcos em Veneza).

        O Xico assinala muito perspicazmente que no momento em que se iniciam as Cruzadas, a Escandinávia não era cristã… era Viking.
        Pois, pois era!

        Até às Cruzadas, as costas europeias estavam a ser fustigadas pelos Vikings.
        Isso desapareceu com o estabelecimento inteligente dos reinos normandos.

        Uma boa parte das Cruzadas foi liderada pela aristocracia normanda, ou ligada a ela.
        Os Bulhão, da Bolonha Normanda, foram os primeiros reis de Jerusalém.
        O papel de Veneza no imbróglio também não é nada pequeno (é nessa altura que são formados os primeiros bancos venezianos).

        As coisas são mais complicadas do que parecem. A luta de cristãos versus muçulmanos foi só um aspecto.

        Como consequência definitiva, os reinos escandinavos passaram a entrar no bolo papal de Roma. Ou seja, a partir da cooptação escandinava, Roma finalmente tinha algum poder sobre o Norte da Europa, algo que nunca tinha acontecido no tempo do Império Romano.
        Antes dos Normandos serem convencidos a entrar no clube, e canalizar os seus esforços bélicos contra a seita muçulmana, a Escandinávia era igualmente (ou mais) hostil aos cristãos.

        1. o Luís Lavoura não vai ao mesmo tempo dizer que as comunidades muçulmanas na Península Ibérica desapareceram na Reconquista, não tendo nenhuma chegado ao Séc. XX – certo, mas depois pôr-se aqui a dizer que os reinos católicos aceitavam comunidades muçulmanas

          Eu não sou especialista em História (longíssimo disso). Mas, que eu saiba (e se alguém souber melhor, que me corrija) o que acontece é que o reino cristão de Portugal foi razoavelmente tolerante em termos religiosos até ao reinado de D. Manuel, ou seja, até ao fim do século 15. Os reis de Portugal eram cristãos mas tinham muitos súbditos judeus e muçulmanos, que não eram perseguidos nem maltratados.

          Foi só no reinado de D. Manuel (e seguintes) que tudo mudou, judeus e muçulmanos foram forçados a converter-se ou perseguidos e foi assim que Portugal chegou ao fim do século 19 sem um único judeu ou muçulmano.

          Ou seja, houve duas fases, uma fase de tolerância e convivência, outra de perseguição.

          Eu contrastei isto com o que se passou no Médio Oriente, onde os judeus e os cristãos jamais foram perseguidos ou maltratados de forma sistemática pelo poder político, tendo grandes comunidades judaicas e cristãs chegado até ao sećulo 20.

      3. O Luís coloca as questões nos termos próprios, isto é, usa as expressões cristianismo e Islão. Há quem defina certas situações como actos da Igreja Católica mesmo no tempo em que esta não existia. A designação de Igreja Católica Apostólica Romana surge após o concílio de Trento para definir aqueles que aceitavam a autoridade papal na Sé de Roma em contraponto com os que seguem os ideais da Reforma.
        Todavia, ainda que o substantivo “Católica” seja expresso após o concílio de Trento, o adjectivo “católica” (universal) é a referência exacta do princípio cristão. Logo, é esta Universalidade que identifica o cristão.
        Mais ainda, uma coisa é a religião outra coisa é o religioso, ou não.

        Tudo isto para rigor histórico.

  8. “Aquilo que é hoje o ressentimento doutrinário e ideológico do Islão contra o estilo de vida das sociedades ocidentais de herança cristã pode ter origem nos acontecimentos dramáticos naqueles dias de Julho de 1099 que se seguiram à conquista de Jerusalém, quando no interior das muralhas daquela cidade os cruzados eufóricos com a sua vitória invadiram ruas, casas, mesquitas e sinagogas, não poupando homens, mulheres e crianças muçulmanas e judaicas.”

    Justificar ataques sociopatas, indiscriminados, atingindo cristãos, muçulmanos, judeus, agnosticos, ateus, sem qualquer justificação religiosa (justifica lá à luz do Islão as mutilações genitais no Bataclan?!) com um massacre ocorrido a mil anos atrás não é excessivo. É simplesmente estúpido…

    1. “Justificar ataques sociopatas, indiscriminados, atingindo cristãos, muçulmanos,”
      Não se trata de justificar mas de compreender, entender. A História não trata de justificar mas tão só de compreender e explicar. Não sei se o conceito de “sociopata” aqui tem cabimento.
      O que se passou nos séculos XIX e XX também é significativo, não foi há muito tempo e explica muita coisa, não? Colonialismo, etc., etc.

  9. Com o devido respeito para com todos aqueles que crêem. Tanta mortandade em nome de algo que não existe: Deus.

    1. Meu caro singularis, você faz uma autocritica publicamente. Penso que ao afirmar que Deus não existe você esquece que não pode fazer esta afirmação na ordem do Saber, mas da convicção.

      Sem o saber, lá se vai misturando.

      1. Cuidado com tretas…
        O link para o site pseudo-científico de Crato & Cª, cita uma revista pseudo-científica.

        Uma coisa é dizer o óbvio:
        – “Nunca saberemos o que o outro sente.”
        (e mesmo assim os pressupostos enunciados são redutores ou ceguetas)

        … outra coisa é dizer uma estupidez completa:
        – “Nunca saberemos se 1+1=2”

        Ainda que o Fiolhais mencione que o título nada tem a ver com o que disse Gödel, a ideia é passada, tanto mais que o Fiolhais também parece não fazer ideia do que foi provado, e alinha na piadola parva.

        Já basta a frase idiota do Sócrates “só sei que nada sei”, que fez o gozo ateniense à época… mas que foi depois recuperado em prestígio, pela cambada de niilistas, nomeadamente os do avental.

        … e depois esse link continua com uma série de coisas óbvias, ou simplesmente parvas, tipicamente clássico da divulgação da treta.

        Já agora, o link tem muita treta, mas não fala sobre Deus.
        Não percebi a relevância.

        A noção de Deus existe, não é necessariamente a mesma para toda a gente, mas até a Ciência, ao admitir o Acaso, a Sorte, usa uma noção divina, ou não-prescrutável.
        Se lhe chama Deus, deusa Fortuna, ou o que quiser, é problema do engano com que alguns se querem enganar.

        Agora, se tem barbas brancas… pois isso é um assunto que até a Igreja Católica deixou cair.

        1. Fico a aguardar com ansiedade que o caro comentador, que trata Sócrates (o outro) por idiota, nos elucide sobre a existência ou não existência de Deus (mesmo sem barbas, ou se vestido de bikini)!

  10. Enfim umas boas notas, nas suas intervenções: xico, Vento, da Maia.
    Percebo que sabem História e que sabem pensar.

    Diogo Noivo e Luis Lavoura espalham-se totalmente pois não esclarecem, confundem.

  11. A única coisa que eu sei, por experiência própria (muitos anos de trabalho com várias equipas cada uma de sua nacionalidade, o que é completamente diferente de várias equipas de nacionalidades variadas) é que a memória dos povos é longuíssima. Não me espantou que os holandeses tivessem um certo pó aos alemães que lhes levaram as bicicletas há 70 anos, mas não estava à espera que os espanhóis tivessem um certo pó aos holandeses por histórias de há 400 anos.

  12. Aquele muçulmano na frança dizendo que não somos portugal, não somos espanha, somos al andaluz. Nossa guerra contra eles se chamava reconquista e aconteceu em nossas terras ancestrais. Se vamos ter guerra novamente com eles, que venham e nós vamos reaprender o que esquecemos nesses seculos de paz. Nossos antepassados os massacravam baseado na experiencia adquirida de que um fanatico poupado num dia é o mesmo fanatico com uma faca em nossa garganta no dia seguinte, um grupo de muçulmanos derrotado se reagrupa ao darmos ás costas para eles.

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