Mesmo com a Taça da Europa já conquistada e exibida em Portugal, e com largos milhares de pessoas apoiando a selecção nas ruas das mais diversas cidades mundiais, de Paris a Díli, não passa um dia sem que as carpideiras de turno surjam nas pantalhas a bramir contra o “futebol feio” praticado pela equipa das quinas no Euro 2016.
Curiosamente, nenhuma dessas carpideiras nos indica qual terá sido o “futebol lindo” observado nos estádios franceses que sirva de modelo a Portugal.
Era bom que elucidassem gente como eu, incapaz de ver tão bem.
Na primeira linha dos disparos, o que não é inédito, figura um técnico de futebol: Manuel José.
Há pouco mais de 24 horas, na RTP 3, o português que chegou a brilhar no campeonato egípcio ultrapassou tudo quanto já dissera antes, proferindo esta declaração: “Dizem que jogámos futebol [no Euro 2016], não jogámos à bola. Então eu prefiro que se jogue à bola. Porque no fundo o que o povo quer é isso: ganharmos com qualidade. Se temos qualidade não podemos jogar um futebol medíocre. Quanto melhor jogarmos, aumentam as possibilidades de podermos ganhar. De vez em quando não ganhamos, mas isso é o fascínio que o futebol tem.”
Admiro a ousadia destes comentadores que falam em nome do “povo”, como Manuel José agora fez. Ignoro quem o mandatou como porta-voz dos portugueses, mas declaro desde já que não lhe passei procuração para falar por mim.
Eu, ao contrário dele, não sinto o menor “fascínio” em perder. Foi isso que sucedeu nos campeonatos da Europa durante mais de meio século: fomos perdendo sempre. Ou porque não atingíamos a qualificação para a fase final ou porque sucumbíamos à beira do fim, quase a atingir o objectivo.
Ao contrário do que sucedeu agora. Fascinante, para mim, é ganhar.
Quanto ao “futebol medíocre” a que alude Manuel José, lamento desiludi-lo, mas a UEFA não partilha da opinião dele.
Se partilhasse, não teria incluído dois golos portugueses nos cinco que seleccionou com vista à votação em linha que decorre para eleger o melhor do torneio: o de Cristiano Ronaldo contra o País de Gales e o de Éder contra a França.
Presumo que nenhum deles merecerá o voto de Manuel José. Mas garanto-lhe que é retribuído: eu também não votaria nele para seleccionador nacional.

![19697947_wPzI4[1].jpg 19697947_wPzI4[1].jpg](http://9.fotos.web.sapo.io/i/B7104b8d3/19768215_7Eapc.jpeg)
Caro Pedro Correia.
Como poderá verificar no meu blogue, não sou um frenético do futebol. Isto dito, fiquei muito satisfeito com a vitória de Portugal. E como já referiu e com o que concordo, quem está de parabéns são os jogadores (estes 23 e outros das fases anteriores chamados por Fernando Santos) e o selecionador nacional. Os portugueses devem é estar bastante satisfeitos. Mas quem está de parabéns são outros incluindo, creio eu, algumas pessoas da estrutura da FPF que acreditaram e apoiaram Fernando Santos.
Quanto a selecionadores, nem Manuel José, nem Paulo Bento, nem Queirós. SAFA, como diria o outro.
António Cabral
O futebol, como outras actividades, mede-se pelos resultados, não pela prosápia nem pelas bravatas verbais.
Fernando Santos é o melhor treinador português a nível de selecções, tal como José Mourinho é o melhor treinador português ao nível de clubes.
Estes são os factos. Que falam por si.
E a UEFA meteu 4 jogadores portugueses na sua selecção. Mais nenhum país teve lá 4. Deve ser por causa do futebol medíocre e feio que eles jogaram.
Sim. E deve ser também por isso que um português foi designado melhor jogador jovem. E que outro português – o mais conhecido de todos – se prepara já para receber a quarta Bola de Ouro.
Quem sabe Manuel José e outros como ele já tenham assinado a petição dos ressabiados ? Talvez ainda vá a tempo de conseguir mostrar que sabe pôr uma selecção a jogar futebol e não à bola.
Porque é que há portugueses que não conseguem sentir orgulho numa vitória nacional, com repercussões mundiais? Até podem detestar futebol, mas faz parte da condição humana não gostar de perder nem a feijões, valha-nos Deus! Nunca tão poucos fizeram tanto por tantos, milhões e milhões neste pequeno rectângulo e espalhados pelo mundo, caramba!
Trasfeguem lá isso que vos corre nas veias , que pode ser vermelho, mas falta-lhe o verde , as esfera, os castelos e as quinas… É uma mistura colorida e forte a que se costuma por vezes chamar patriotismo.
Um desses ressabiados, Dulce, exigia que Fernando Santos voltasse para casa logo no início do Europeu.
Outro, numa prosa lamentável, reivindicou que fosse retirada a braçadeira de capitão ao Cristiano Ronaldo.
Agora, em vez de se juntarem aos festejos, andam por aí com ar de enterro. Fariam fortuna se trocassem de ramo: estariam melhor numa funerária.
Eu penso que nós somos mais exigentes com nós próprios que com os outros, mesmo sem nos apercebermos, Pedro.
Ontem estive a deitar papeis fora e descobri uns apontamentos que tinha escrito depois do Euro 2004 em que enaltecia a Grécia e os Gregos:
«A Grécia é aquilo que se chama uma verdadeira equipa, não precisa de artistas nem de números de circo para lutar pela vitória e ser campeã.
Os Gregos são verdadeiros atletas do Olimpo, nunca viram a cara à luta e são uns dignos vencedores e fica-lhes bem a coroa de louros.»
Eu era incapaz de escrever isto sobre os portugueses e nós não fomos inferiores à equipa grega de 2004…
Embora gostasse que tivéssemos jogado melhor (principalmente nos dois primeiros jogos, que foram de facto miseráveis – tanto remate e cruzamento para nada e para ninguém, tanto passe falhado, tanta lentidão – e nunca mais saíram da memória dos críticos…), os campeonatos são de facto para ganhar.
Parece que só agora é que alguns colunistas franceses e ingleses descobriram que houve uma equipa campeã que não foi a que jogou melhor futebol no Europeu. São muitos anos a fingir que vêem futebol.
Eu gostava que tivéssemos jogado melhor, mas gostei ainda mais de termos sido campeões. E de ver que conseguimos ser mais dignos na derrota que os franceses, que pensavam que os jogos se ganhavam fora do campo de jogo…
Claro que o Manuel José vai andar a vida toda com a “pedra no sapato” de nunca ter conseguido ser seleccionador.
Muito pior foi o “Ribeirinho” dizer que o Fernando Santos tinha medo, na véspera do jogo. Ele pode ser acusado de muita coisa, mas nunca de ter medo. Disse que ia para França para ser Campeão e cumpriu-o.
É verdade, Luís. Fernando Santos jamais poderá ser apelidado de cobarde. Pelo contrário: nenhum treinador português antes dele declarou sem rodeios que queria ser campeão europeu e faria tudo para o conseguir. E assim foi.
Mas determinados comentadores, com ou sem aspas, já iam com o discurso preparado. Antes dos factos acontecerem.
Depois foram soterrados pelos factos. E ficaram a nadar em seco.
Às vezes interrogo-me como é que indivíduos que nada mais fizeram na vida durante décadas senão mandar bitaites sobre bola conseguem falhar todas as previsões e acertar sempre ao lado.
Se houvesse provas para uma selecção de comentadores, jamais se qualificariam. E nem nos mais remotos sonhos chegariam à final.
eu não votaria nele para seleccionador nacional
Nem eu, depois destas palavras de ressabiamento e inveja.
Que mesquinhez!
Há no futebol cada vez mais treinadores-comentadores, tal como na política há cada vez mais deputados-comentadores.
São sempre parte interessada no que comentam.
Excelentes e muito verdadeiras observações, sim senhor.
Neste caso o futebol imita a política. No pior.
Não deve haver categoria sócio-profissional que eu mais odeie em Portugal que os comentadores políticos, dos quais o nosso actual PR é o rei, para mal dos nossos pecados. Mas aparentemente isto é só porque eu ignorava até agora a existência dos comentadores desportivos…
Que mil Fernandos Santos floresçam!
Apoiado, Isabel.
Não sou propriamente um leigo nestas coisas do futebol.
E gostaria que me dissessem qual o critério que sustenta a tese de que a nossa equipa não jogou bom futebol.
Tomando a final como exemplo e independentemente do resultado, que por acaso é o que mais importa, o que foi mais bonito de ver:
– uma equipa que lesiona o melhor jogador contrário, se lança desenfreadamente sobre a área adversária, falha, de cabeça, um golo cantado e anda positivamente aos papéis quando os contrários se aproximam da sua baliza,
– ou uma outra inteligentemente organizada e concentrada, que literalmente come os espaços ao adversário, que tem na baliza um guarda-redes que brilha pela competência e pela confiança e que faz um golo de bandeira ao cair do pano, nas barbas de um defesa que em vez de atacar a bola lhe vira as costas e corre para a própria baliza?!
Fico à espera que os velhos do restelo da bola me possam esclarecer.
Ora bem. Acresce a isso um facto indiscutível: Portugal disputou esta final durante 17 minutos com um jogador a menos.
Isto porque Cristiano Ronaldo, seriamente lesionado aos 8 minutos, só foi substituído aos 25 minutos, esgotadas enfim todas as esperanças de que pudesse permanecer em campo.
O que nos vale e enoja:
A maioria dos ante detratores estão a mudar o “bico ao prego”…
O emprego assim obriga!
Confesso que me dá algum gozo ver tanta pirueta.
Calhei a ver o Rui Santos… ontem.
1º) A pirueta clássica, simples volta de 180º, e eis o menino agora criticando os críticos, esquecendo-se convenientemente que era um dos principais.
2º) A repirueta energúmena. Pródigo em inventar trivialidades, conseguiu inventar uma classificação onde colocou Ronaldo como “o único que baixou, face ao que se esperava dele”.
3º) A língua viperina bífida. No meio de uma selecção que recebeu elogios pelo conjunto, Rui Santos prontificou-se a dividir, e eleger os “5 melhores da selecção”. E porque as víboras também temem bicadas, achou por bem incluir Ronaldo.
Para mim chegou, mudei imediatamente de canal. A liga da “verdade” (dele), pode ter dado jeito para ressabiar, mas já era tempo de a SIC-N arrumar o réptil no armário. Distribuir veneno por todas as capelinhas, não é isenção, ali é só forma de vida.
Quanto ao Manuel José… não esquecer como reduziu à insignificância o currículo de José Mourinho, apresentando-se como o treinador português com mais títulos ganhos no estrangeiro – à conta das múltiplas vitórias no Egipto; ou seja, um autêntico faraó dos antigos!
O sucesso de Mourinho, já se sabe… resultou da expertise que lhe deixou no União de Leiria (e que ele nunca lhe agradeceu)!
E falando nessa herança, como o país é pródigo em Narcisos, houve outro que não conseguiu evitar mencionar os jogadores sob seu treino no Sporting.
Fernando Santos agradeceu a Jesus, mas não deixou explícito a qual se devia mais o sucesso. Para Jorge, não haverá dúvida.
À conta do povo ser tão poupado nos elogios, e precisar tanto deles, criou-se o fandango do auto-elogio… ou então do elogio por encomenda.
Assim, pior, só mesmo o desgraçado do Hugo Gilberto da RTP, a ter que elogiar repetida e desmesuradamente o chefe, Carlos Daniel… colocando-o ao nível de um Ronaldo do comentário futebolístico, ou até acima disso.
Mães, deixem de mimar em excesso os vossos meninos…
– Espelhos ou psicólogos, precisam-se, com urgência!
Durante o Euro 2016 o primeiro comentador que menciona elogiou a Croácia:
«A Croácia foi melhor que nós.»
E o País de Gales:
«Esta equipa cultiva uma certa alegria no futebol e dá gosto vê-la jogar.»
E a Itália:
«Eu gostei muito do futebol da Itália.»
E a Alemanha:
«Os jogadores alemães são fantásticos.»
E a França:
«A França é uma equipa fresca, que joga um futebol positivo.»
(seja o que for que isto queira dizer…)
Sobre Portugal, o melhor que lhe saiu foi isto:
«Eu não me revejo neste futebol.»
Boa malha.
Gostei porque o futebol português andou anos a cultivar bonitos bailinhos da Madeira e a perder campeonatos, para tristeza do contribuinte e do fanático.
Agora alguém se lembrou de experimentar se os atletas portugueses seriam também capazes de se contentar, simplesmente, em ganhar a Taça.
E foram capazes. Parabéns.
Pois foram. Contra tudo e contra todos. Incluindo muitos comentadores portugueses. E alguns treinadores, portugueses também.
Eh, eh, o Pedro tem o dossier bem organizado!
É melhor para a memória que o Memofante.