Dar valor ao que se tem


odiplomata,

O Reino Unido está de saída da União Europeia e algumas vozes mais populistas, nomeadamente, da senhora Marine Le Pen, dessa autêntica “personagem” dos Países Baixos chamada Geert Wilders ou do menos conhecido Matteo Salvino, líder da Liga do Norte em Itália, vieram agitar também a bandeira do referendo. No seio do edifício europeu só se passou a falar no início do fim da União e na possível saída de mais países, como se a organização de que actualmente fazem parte fosse a fonte de todos os seus problemas e não lhes tivesse proporcionado prosperidade e desenvolvimento. Normalmente, como noutras situações da vida, só se dá valor às coisas quando ficamos sem elas ou quando não as temos e as queremos ter.

 

Muitos parecem esquecer ou desconhecer que o espaço geográfico da União Europeia é um dos mais desenvolvidos e pacíficos do mundo, onde, apesar de todas as imperfeições, impera a democracia e a justiça social. E se entre os (ainda) 28 haja quem olhe para a União Europeia como um projecto iníquo e perverso, outros países, que estão do lado de fora, vêem na Europa um farol de esperança e progresso. E por isso, numa altura em que uns falam em sair, há outros que aprofundam a sua ligação à UE. Hoje, por exemplo, entraram em vigor em toda a sua plenitude os Acordos de Associação com a Geórgia e com a Moldávia, que permitirão aproximar aqueles países às realidades económica, política, social e cultural da União Europeia. 

 

E já agora, também hoje se assinalaram cinco anos do Acordo de Livre Comércio entre a UE e a Coreia do Sul, que permitiu inverter uma situação de défice para excedente a favor do bloco europeu no que diz respeito à balança das trocas comerciais. Desde 2011 que as exportações europeias aumentaram 55 por cento para aquele país asiático, ao mesmo tempo que as empresas do Velho Continente pouparam 2,8, mil milhões de euros em impostos e taxas alfandegárias. O valor das trocas comerciais entre a UE e a Coreia do Sul atingiu em 2015 o valor recorde de 90 mil milhões de euros. 

 

Notícias como estas há muitas, a questão é que são daquelas notícias que não aparecem nos jornais nem nas televisões e muito menos fazem parte do discurso dos políticos e do racional dos jornalistas, analistas e comentadores que por aí andam. Muitos deles, na verdade, nem sequer sabem do que falam ou escrevem, limitando-se a reproduzir banalidades e distorções sobre o projecto europeu, aquilo que ele é e aquilo que ele representa. 

0 comentários em “Dar valor ao que se tem”

  1. Este post começa logo com um erro:

    O Reino Unido está de saída da União Europeia

    O facto é que o Reino Unido não está de saída coisa nenhuma. Só sairá se invocar o artigo 50º, mas não se sabe se nem quando o fará. O caos e a incerteza reinam na política desse país e não podemos dar nada por adquirido. É esperar para ver. Ainda há boas hipóteses de que o Reino Unido não saia da União tão cedo.

  2. o Acordo de Livre Comércio entre a UE e a Coreia do Sul permitiu inverter uma situação de défice para excedente a favor do bloco europeu no que diz respeito à balança das trocas comerciais

    É patológica, em minha opinião, esta ideia – originalmente americana, e que pela primeira vez vejo importada para a Europa – de avaliar as balanças comerciais com um só país e de atribuir as culpas de uma eventual desequilíbrio a práticas protecionistas da parte desse país.

    As balanças comerciais devem ser olhadas na sua globalidade – isto é, com todos os restantes países, e não apenas com um deles – e as culpas de um seu eventual desequilíbrio devem ser procuradas no próprio país, não nos seus parceiros comerciais.

    E, deste ponto de vista, a União Europeia nada tem de que se queixar, pois tem uma balança comercial saudavelmente equilibrada – ser défice nem superávite sistemático.

  3. A União Europeia impede de comerciar livremente com muitos países.

    Agora até já não se está satisfeito com os jornalistas . Nem vamos aos famosos “enviados” que só existem para dizer bem ou seriam expulsos do lugar.
    A União Europeia que só chegou onde chegou precisamente com a ajuda do Jornalismo. Como aliás o declarou a Fátima Campos Ferreira há uns tempos sem pudor algum dizendo que Portugal só entrou porque o jornalismo é que levou as pessoas a aceitar.

    A UE é um movimento de uniformização para um Governo Unionista que domine o Continente. Basta ver como a UE trata a Suíça à paulada.

  4. Houve várias tentativas de “unificar” a Europa. A mais sucedida foi a de Roma-igreja catolica.
    Durou porque tal como o islamismo -que está de volta e já ultrapassou Viena- a ideologia motora não é mensorável….

    Nem canhões de Bonapart, nem tanques de Hitler conseguiram grandes e duradouras uniões na Europa. Nem socialismos internacionalistas pró-sovieticos ou os actuais made germania.
    As fésadas movem montanhas. Só que não resistem a um modesto escrutíneo minimamente democrático.

    RIP para esta, “UE”.

  5. Em 2012 redundância de outra pessoa pelos vistos com problemas mentais para o Delito: Nassim Nicholas Taleb

    The most stable country in the history of mankind, and probably the most boring, by the way, is Switzerland. It’s not even a city-state environment; it’s a municipal state. Most decisions are made at the local level, which allows for distributed errors that don’t adversely affect the wider system. Meanwhile, people want a united Europe, more alignment, and look at the problems. The solution is right in the middle of Europe — Switzerland. It’s not united! It doesn’t have a Brussels! It doesn’t need one.

    The European Union is a horrible, stupid project. The idea that unification would create an economy that could compete with China and be more like the United States is pure garbage. What ruined China, throughout history, is the top-down state. What made Europe great was the diversity: political and economic. Having the same currency, the euro, was a terrible idea. It encouraged everyone to borrow to the hilt.

    https://danieljmitchell.wordpress.com/2012/11/23/a-simple-lesson-of-policy-diversity-from-the-black-swan-author-dont-put-all-your-financial-eggs-in-one-regulatory-basket/

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