O Partido Popular ganha votos nas 52 províncias de Espanha, o PSOE progride em 32, os Cidadãos recuam em 48 e a coligação Unidos Podemos cai em 46. Conclusão: o impasse político de seis meses beneficiou claramente Mariano Rajoy.
Novo mapa eleitoral espanhol
Pedro Correia,

Creio que é indesmentível o que resume. Mas, claro, vamos assistir às habituais declarações de vitórias e de que a seguir será de vez. António Cabral.
As coisas são o que são, António. Se alguns continuarem irresponsavelmente a bloquear uma solução governativa em Espanha arriscam-se a perder ainda mais terreno (votos+deputados) daqui a outros seis meses.
o impasse político de seis meses beneficiou claramente Mariano Rajoy
Calma! Beneficiou sem dúvida os novos deputados do PP, que desta forma ganharam lugar à mesa do orçamento espanhol. Beneficiou o PP, que receberá mais dinheiros pelos mais deputados eleitos. Agora, se beneficiou Rajoy, ainda não sabemos. Não sabemos se ele poderá continuar a ser primeiro-ministro. Os outros partidos são capazes de continuar a insistir na sua saída.
Podem ir fazendo novas eleições de seis em seis meses. Até o PP chegar à maioria absoluta.
Nunca é bom extrapolar tendências, porque elas têm sempre um limite. O facto de o PP ter crescido agora não significa que vá continuar eternamente a crescer.
Os partidos que inviabilizarem uma solução governativa serão penalizados. Os espanhóis não querem ir pela terceira vez às urnas num ano, isso é claro. Os próprios números da afluência eleitoral comprovam isso: estas foram as legislativas menos participadas de sempre em Espanha.
Parece-me evidente que o que beneficiou Rajoy foi a perspectiva – dada pelas sondagens – de um governo de “Frente Popular” liderada pelo Sr. Iglésias. Foi essa visão de horror que (compreensivelmente) repescou meio milhão de votos de pessoas fartas da corrupção do PP (de Rajoy) e que tinham votado, há seis meses, no “Ciudadanos”. Foi a escolha por um mal menor (um péssimo menor, no caso), que, pelos visto, é aquilo a que os eleitores moderados agora estão reduzidos.
Ao juntar-se aos comunistas o Podemos, em vez de somar, subtraiu. Costuma acontecer às forças da “nova política” quando se estribam nas velhas. Resultado: menos 1,1 milhão de votos.
Aqui está como não basta reunir os crânios mais brilhantes da politologia contemporânea para produzir brilhantes resultados. O problema dos académicos, muitas vezes, é este: funcionam muito bem na teoria e um pouco menos bem quando se transpõe o limiar da realidade.
Parece que ninguém tem garantia de que pode formar governo.
Com esta mania de clamar vitória constantemente ainda são processados pelo PCP por usurpação de direitos.
Eheheheh… Essa tem graça!
Olhando para o texto lincado, verifico que o enunciado do post parece estar incorreto: o PP não ganhou votos em todas as províncias, subiu sim a percentagem de votantes em todas as províncias.
De facto, como nestas eleições votaram menos pessoas que nas anteriores, subir a percentagem de votantes não é equivalente a subir o número de votos.
Ou seja, o PP pode (nalgumas províncias) não ter ganhado votantes, ter apenas perdido menos votantes dos que as outras forças políticas.
O título do El Español – jornal digital que obviamente me merece crédito – especifica que progrediu em número de votos.