O Senhor Contente e o Senhor Feliz


fiodeprumo,
Em que país é possível encontrar a comandá-lo esta dupla? Em Portugal, claro. E onde poderia ser mais?

O país tem um PM contente, pese embora os índices que se conhecem não serem exactamente para isso. Esperam-nos surpresas na banca, o investimento não arranca, as importações aumentam e as exportações diminuem. Mas o turismo continua a deixar-nos dividendos apesar de Lisboa, em véspera de eleições, se ter transformado num estaleiro.

O país tem um PR que nasceu para o ser, que diariamente mostra a sua felicidade nas televisões nacionais, e, suprema misericórdia, nem o PC nem o Bloco o hostilizam. Já não há austeridade, apesar de não haver mais dinheiro e de ser novamente com o nosso que a banca se irá financiar. E se for só ela, já devemos dar graças.

Com a CGD, que vai precisar de 4 mil milhões, ninguém parece preocupar-se muito dado que até se encara aumentar o salário dos seus futuros administradores.
Com a emigração também se passam maravilhas. Antes insistia-se nos 500 mil que foram obrigados a sair, mas ultimamente só oiço falar de 250 mil. Não sei se os restantes já voltaram sem que tenhamos dado por isso…
Enfim, o país está sereno, o futebol anima as almas, o PM  está contente e o PR feliz. O que é que se pode desejar mais?!

0 comentários em “O Senhor Contente e o Senhor Feliz”

  1. Olhe que não, Helena. Olhe que não.
    http://www.jn.pt/economia/interior/exportacoes-caem-25-e-importacoes-recuam-73-5219312.html
    Mas há outros dados:
    “Só em abril, face ao mesmo mês de 2015, excluindo os combustíveis e lubrificantes, as exportações aumentaram 1,2% e as importações diminuíram 0,4% (respetivamente -1,2% e +3,0% em março de 2016)”.

    Por categorias económicas, em abril de 2016 “tanto nas exportações como nas importações destaca-se claramente a redução dos combustíveis e lubrificantes (-43,0% e -48,3%, respetivamente), face a abril de 2015”.

    “Em sentido contrário, evidencia-se o aumento das exportações de bens de consumo (+9,8%) e das importações de material de transporte e acessórios (+17,8%)”.

    Permita que lhe conte um segredo. Sabe o que estava a acontecer quando diziam que as exportações aumentavam com a potência de um foguetão lançado para a Lua? O valor do produto aumentava, mas os mercados reduziam.
    Sabe quanto aumentou o preço do vinho nas exportações? 26%

    Como vê, os anteriores rapazes e raparigas eram uns habilidosos em matéria de comunicação sobre o assunto.

    Outro segredo. Quando eu aflorei por aqui o tema do aumento do valor do produto e não da dinâmica no que respeita ao aumento dos mercados, ninguém falava sobre isto. Hoje é o próprio INE que confirma e ratifica esta informação.
    O meu amigo JAA, que até elogiou os cálculos que apresentei, tomando por exemplo o sector do calçado, gostou muito da equação – pois sou uma divindade em matéria de números – mas não acreditou que os mercados estavam a contrair.
    Eu sei, Helena, o meu amigo JAA adora o PSD/CDS, mesmo com toda a lengalenga destes.
    Não fosse o Paulinho a trazer a matéria da irrevogabilidade à colação e todos nós acreditaríamos que eles distinguiam bem as cores. Hoje sabemos que eram daltónicos. Defeitos da natureza não se imputam como responsabilidade política. Afinal a linha tinha outra cor.

    Eu não sei se a CGD vai precisar mesmo dos 4 mil milhões. Mas sei que os banqueiros privados sabem que o dinheiro deve ser injectado pelo estado. Não sei porquê, mas Portugal tem o vício de chupar na mesma teta. Claro, ela não pode dar para todos. Os pobres que se lixem porque os outros, os ricos e os remediados, têm prioridade. É óbvio, não há mal algum em haver pobres. Desde que sejam os outros.

    Eu até apontava uma equação que levasse a usar como vectores de financiamento o Fundo de Resolução bancária. Fazendo com que o estado adiantasse a massa mas que hipotecasse os bens da banca privada como garantia do seu contributo para recapitalização da CGD. Porquê? Porque se o sistema financeiro foi salvo pela massa do Zé é a vez do Zé exigir que o privado assuma suas responsabilidades.
    Eu sei que isto é uma promiscuidade para os anteriores rapazes e raparigas. Onde já se viu os privados deixarem de mamar no estado e passar a contribuir para o público!? Então o neoliberalismo não se baseia em transformar o lucro em matéria privada e o prejuízo em matéria pública!? Há pessoas que não compreendem a mecânica destas geringonças. Só das outras.

    Sim, o desemprego aumentou 0,2% e vai aumentar um pouco mais. Não fosse os dados falseados em que se atribuía como emprego um desempregado num cursito de formação e hoje assistiríamos a uma equação totalmente diferente. Sim, não há cursos contínuos. Os formadores também têm de descansar.

    Já agora, também regressaram alguns emigrantes económicos. Para estes a economia que funciona é a do regresso a casa. Passos não foi capaz de garantir que o regresso não ocorresse. Penso que são os outros países que andam a boicotar a política do anterior governo. Isto é, entram em crise e mandam de volta aqueles que não empregam.

    Mas veja bem esta informação sobre números de desemprego em Novembro de 2015:
    http://www.jn.pt/economia/interior/taxa-de-desemprego-inalterada-em-novembro-4966218.html
    com esta sobre os números do primeiro trimestre de 2016:
    http://www.jn.pt/economia/interior/desemprego-sobe-para-124-no-1o-trimestre-5168519.html
    Fico com a sensação que temos valores idênticos. Será que vejo mal?

    Quanto ao Feliz e ao Contente: valha-nos a alegria. Já vimos que as tristezas não resolveram nada.

    1. Vento
      Cada um vê nas estatísticas o que quer ver. Podia rebater algumas afirmações suas com os dados do BdP, mas seria uma longa resposta ao seu comentário.
      Os rapazes do governo anterior não mereceram a minha simpatia. É publico e nunca o escondi. Por isso não vejo razão para esconder o que agora me parece óbvio: com esta política não vamos lá chegar. Mas possivelmente sou eu eu que sou daltónica e até agora não dei por isso. Ainda bem que há quem consiga ver melhor e estar contente e feliz!

      1. Caríssima Helena:
        Disse: «Cada um vê nas estatísticas o que quer ver»?
        É mesmo isso.
        Desde Agosto que as exportações inverteram o bom rumo a que o governo anterior as catapultou, mostrando que era de toda a conveniência apostar em bens transaccionáveis e não em obras públicas e privadas de betão.
        Angola, Brasil, EUA, Alemanha, abrandaram a entrada das nossas exportações (por culpa do nosso governo, afinal, somos um pequeno país mas muito influente no mundo).
        A Autoeuropa, que conheço bem, reduziu a produção por quebra do seu principal mercado: a China.
        E a partir de Setembro vai ter só um turno (coisa não vista há muitos anos).
        Como é evidente, tudo por culpa do actual (e nosso) governo.
        Mal anda a imprensa em não denunciar tal facto com a veemência que devia.

      2. Muito obrigado, Helena, por sua resposta. Continuo a gostar muito de si e em particular de sua frontalidade e coragem.
        Também conheço as previsões do BdP e da UTAO da OCDE e tantos outros mais. Mas deixe-me dizer-lhe que se eu apanhar as declarações passadas de muitas dessas e outras instituições, incluindo a dos deuses das agências de rating que muito citados eram pelo burgo, chego à conclusão que a minha divindade em matéria de saber se consolida cada vez mais. Eu sei que sou um rapaz modesto. No meio de tanta soberba o bom Deus presenteou-me com esta humildade, a de saber que possuo um divino conhecimento perante tão doutas previsões. É aqui que se distingue um doutor de um ser divino. Eles prevêem e eu vejo. Não leve a mal tanta modéstia. -;)

        Sei também, pois não seria divino se não soubesse, que a Helena não é daltónica. E como não é, certamente aceitará que os resultados/números e factos que lhe apresento foram aqueles alcançados pelas políticas ruinosas dos anteriores.

        Porém, eu acredito que a política implementada é a correcta. E também digo que este será o caminho que a UE fará. Tímido, certamente, mas um caminho que terá de percorrer.

        1. Pois eu que percebo aritmética elementar vejo as coisas assim:
          Ganhos=100
          Custos=110
          Prejuízo=110-100=10
          O que eu já não percebo, é como e que o país pode andar a acumular prejuízos anos a fio, sem que o fiado se acabe. E posso garantir que o merceeiro aqui do bairro também não percebe: é por isso que não vai nessa cantiga com os fregueses .
          E desconfio que é por saber aritmética e elementar que este (des)Governo me considere (e a outros como eu) um perigoso intelectual – deve ser por isso que um livro de Física comprado na Amazon.com com o custo de 90 dólares leva com um imposto de 36 € a seguir!…

          1. O vento passa sempre pela carteira dos intelectuais que julgam saber aritmética, mas apesar de saberem que existem geringonças não são capaz de compreender a mecânica e de as identificar correctamente.

            O merceeiro, que está mais habituado a usar a cabeça e o lápis dos que se acham intelectuais perigosos, compreendem muito bem que se reduzirem o défice, até mesmo por imposição administrativa e não por rigor de quem executa a ordem, e aumentarem a dívida estão a criar situações que levarão ao aumento do défice para se poder reduzir a dívida. Depois dizem que existe um outro problema que passa pela resolução do défice primário, porque não leva em consideração a despesa realizada com o pagamento dos juros da dívida pública.

            Porém, os intelectuais que pensam ser perigosos para outros são na realidade perigosos para si mesmos e é natural que o vento lhes passe pela carteira.

            Para evitar que o vento provoque tal remoinho, vá aqui pelo Vento que com toda a modéstia sabe que é capaz de refrescar-lhe o intelecto.

          2. Eu respondi a um comentário que usou a figura do merceeiro depreciativamente. Como se o intelecto dos que trabalham nessa função fosse diferente do de um “intelectual perigoso” e merecesse comparação.
            Cito: “E posso garantir que o merceeiro aqui do bairro também não percebe: é por isso que não vai nessa cantiga com os fregueses” .

            Na realidade, eu gostaria de poder debater com elevação as preocupações que são comuns. Esperando sempre que me indiquem factos reais que provem que os pensamentos são correctos ou errados.
            Parece-me que é muito difícil neste país debater questões para além de cores políticas e/ou simpatias.

          3. Não há teoria se não resiste a uma simples conta de subtrair, e é por isso que a resposta veio em forma de (pseudo) poema em vez de aritmética elementar…
            S. Ex.ª o ex-Primeiro-Ministro Engenheiro Formado ao Domingo com a Cadeira de Inglês Técnico até se saiu melhor com a tirada: «As dívidas gerem-se». O problema é que Portugal não tem um amigo como o Silva dele.
            Vá lá esforce-se: meta umas taxas de juro, mais umas amortizações e uns somatórios, não se irá arrepender já que o esforço e o erro são os pais da sabedoria.

          4. Pois é. Já vi que não está a conversar aqui com o Ventito. O seu alvo é Sª. Exa. o Sócrates. E o meu alvo é a matemática, economia, finanças e mercados que os pupilos de Sócrates, em particular Passos/Portas, desconhecem. Sim, os pupilos de Sócrates andavam chateados por não serem eles a fazer o que seu mentor fazia através dos PEC´s, por isso foram mais longe deixando bem longe do Oásis todo um povo.
            É óbvio que esta poesia por eles elaborada não me afecta. Pois um ser divino não é povo, simplesmente compadece-se do povo. Aqui pelo céu o tempo e a economia anda que nem um truz. Graças aos merceeiros que fazem bem as coisas. E não só as fazem como as pensam.

  2. Ontem Portugal estava em 5°lugar dos mais pacificos…
    Hoje vão provavelmente libertar presos…
    Amanhã desisto de ler as noticias.

  3. Excelente título.

    A razão ? é simples:
    Nunca o mundo virtual do jornalismo esteve tão próximo do poder como hoje.
    Marcelo e Costa são produtos do jornalismo. As redacções nunca estiveram tão próximas como hoje da Presidência e do Governo.

    E esse mundo é monocultural. Marxista. Desde há décadas se dedicam a tentar destruir o Ocidente.

  4. “Se curar não se procura
    Ua cousa destas tais
    Vem depois a crescer mais.
    Quando já não se acha cura,
    Toda a cura é por demais.

    Corrupto já e danado o mantimento
    Danoso e mau ao fraco corpo humano,
    e alem disso nenhum contentamento
    que sequer da esperança fosse engano!
    Crês tu que, se este nosso ajuntamento
    de soldados não fora lusitano,
    que durara ele tanto obediente
    porventura a seu rei e a seu regente?”

    Luís de Camões”

  5. Bem observado. Um feliz e o outro contente.
    Ao feliz eu ainda entendo: ele está assim porque está mesmo feliz e também por que não quer que lhe assaquem responsabilidades quando o contente bater na realidade.
    Só então muitos perceberão que aquele sorriso (tal como o sorriso do ministro das finanças) não é de contentamento, mas, sim, de irresponsabilidade.

  6. Aquele que é mais rápido do que a sua própria sombra já fez a sua boa acção e hoje aqui no DO.
    Já fico mais descansado.
    Resta-me uma dúvida: o Sol, o Correio da Manha (não é da Manhã, é mesmo da Manha) e o Negócios (para ser sucinto) também entrarão na equação do cromo?

  7. Esta dose de otimismo poderá ser uma overdose e a ressaca surgir quando menos se espera. Enquanto o pau vai e vem folgam as costas,,, diz a sabedoria popular. Lá mais para o mês de outubro se saberá se a “Getringonça” tem pés para andar. Até lá, irradiar felicidade, esbanjar otimismo, se não pagar imposto é deixar correr…

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *