Primeiro ouvi o carro a subir a ladeira, aceleração no máximo: que não se duvidasse da potência de quem o conduzia. Depois o choque: bem feita, pensei. Em seguida, o ruído da marcha-atrás e o arranque veloz. Então ocorreu-me que o meu carro estava estacionado mesmo ali, de onde viera o ruído do choque, e saltei do sofá onde estava tranquilamente absorvida pelas reflexões de Milan Kundera sobre a falta de sentido das acções humanas. Encontrei a traseira do meu pobre automóvel, que me serve sem sobressaltos desde 2003, desfeita. Da besta que o esmagou, só os traços das rodas no asfalto. O cão dos vizinhos sabe quem é, fartou-se de ladrar, mas infelizmente não fala. A GNR veio com rapidez, dois agentes muito simpáticos; anotada a ocorrência, prometeram uma volta nos arredores dos bares das aldeias próximas, procurando o responsável. Mas não o encontraram: os cobardes safam-se quase sempre, no mundo de Kundera como no nosso. Passei anos a rejeitar as redes sociais por causa da infestação de ratos humanos. A certa altura, descobri que um jornalista que eu mal conhecia estava zangado comigo por causa de comentários que alguém lhe dirigira num blogue, fazendo-se passar por mim. Descobri também duas páginas de facebook feitas por um alter-ego meu, totalmente desconhecido e tonto. Acabei por aderir ao Twitter, e agora aceitei o gentil convite que o Delito de Opinião me endereçou. Haverá sempre cobardes infames: tanto podem atacar no mundo virtual como no mais remansoso e real recanto rural. Mas não nos vencerão.
Inês Pedrosa

Bem-vinda ao DELITO, Inês. É com muito gosto que te recebemos cá.
Obrigada, Pedro. Também tenho muito gosto em estar aqui.
Também o meu carro me serviu sem sobressaltos há mais
de 15 anos… amanhã é o último dia que vai ser autorizado
a circular . Aqui não existe a insustentável leveza do ser,mas
uma forte relação que me deixa muito triste e que chegou ao fim.
Sempre li com enorme prazer os seus textos no Expresso .
Mais uma razão para voltar aqui todos os dias
Obrigada! Quando o Expresso me dispensou, em 2011, passei a escrever no Sol, onde ainda mantenho a crónica. E, agora, aqui no Delito, em excelente companhia!
Que bom estares por aqui.
A tua história lembra-me a que me aconteceu com o meu carrinho de 2006. Quando o estreei parei para tomar a bica, esse vício que mantenho.
Ao primeiro golo, pum!, um barulho. O meu porta bagagens ficou com a porta na vertical. E assim atravessei Lisboa, com uma espécie de porta estandarte, até à oficina…
Bem vinda a esta casa onde só as mulheres não falam de política masculina!
Querida Helena, consola-me saber-te companheira de abalroamento…e obrigada pela carinhosa recepção. Porém, tenciono falar bastante de política, com ou sem barba.
Por que é que lhe abalroaram o carro? Foi por má condução ou de propósito? E com que objetivo?
Eu uma vez, quando tinha ainda a carta há pouco tempo, abalroei um carro ao estacionar, por nabice. O seguro, evidentemente, pagou o dano (isto passou-se nos EUA) e a pessoa a quem abalroei o carro não ficou nada chateada por eu o ter feito e mostrou-se muito compreensiva. Parece-me completamente incompreensível que tal coisa seja feita de propósito.
Gostaria muito de poder responder às suas perguntas, mas a pessoa que bateu no meu carro e fugiu imediatamente não deixou nenhum bilhete explicando porque é que agiu deste modo infame…
Bem-vinda a esta casa plural, Inês. Boas escritas é o que desejo.
Obrigada, Sérgio.
Não entendo. Abalroaram-lhe o carro com que objetivo? Por quê?
E o carro que abalroa não fica também danificado?
Já ouviu falar em bebedeira, Luís Lavoura?
Excelente estreia, seja bem-vinda, Inês
Obrigada, Luís.
Olá Inez, bem-vinda.
Escrevo o seu nome com”z”, como sempre escrevi o da minha avó paterna, sua homónima.
Belo texto, como sempre nos habituou. Sou um comentador mais ou menos habitual aqui do blog, que simpaticamente me atura há um par de anos.
Vou ( continuar) a gostar do que escreve(rá).
🙂
Essa de alterar o nome de outrem por causa da avó é forte. A minha avó chamava-se Ana Pedrozah (com h no fim). Mas por isso não vou alterar o nome de ninguém.
Caro J.L , não me parece que tenha ofendido ninguém e apenas me senti no dever de explicar o facto à Inez Pedrosa, dado que, aos 60 anos de idade, não me habituo, leu bem, não me habituo a escrevê-lo de outra maneira.
Julgo que a Inez Pedrosa é suficientemente crescida para não precisar que lhe “tome” as (eventuais) dores.
Cordialmente
Fernando Antolin
Obrigada!
Bem-vinda!
Obrigada!
Bem-vinda ao Delito, Inês. Que bom tê-la por cá.
Um abraço
Francisca
Obrigada!