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Sérgio de Almeida Correia,

“Há dias, o Luiz Ruffato dizia ao HM que ‘o português de Portugal vai acabar por ser um dialecto do Brasileiro’…

Tenho de discordar. Em termos linguísticos não há dialectos. São línguas. Falava-se em dialecto quando o poder colonial se referia às línguas dos países africanos. Moçambique tem 11 grupos linguísticos, todos de raiz banta, Angola tem tantos outros. Falar em dialectos é uma espécie de menorização dos estatutos linguísticos. Hoje a linguística não vê a questão assim. Não se trata de dialecto absolutamente nenhum. O que vai acontecer são variantes da Língua Portuguesa, aliás já classificadas assim. A variante europeia não é única, porque naquele território tão pequeno, o léxico, alguma sintaxe e até a pronúncia sofrem tantas mutações … vai haver um português de Moçambique, os linguistas já fazem estudos nesse sentido, em Angola idem… O que o Luiz, se calhar, queria dizer é que pela dimensão geográfica e demográfica, o Brasil é o gigante que é.

 

Neste contexto, que sentido faz um acordo ortográfico?

Não faz muito. O problema da língua não está aí mas na sintaxe. O léxico não é problema porque as línguas são organismos vivos que se inventam a si próprios, depois a literatura gera uma espécie de padrão, a gramática analisa e cria um conjunto de regras que, logo a seguir, podem ser mudadas e são. Não há um proprietário da língua e qualquer Estado que julgue poder legislar a esse nível está absolutamente equivocado.“

 

Entrevista do escritor moçambicano Luís Carlos Patraquim a Manuel Nunes (Hojemacau, 23/03/2016)

0 comentários em “Achegas”

  1. É como chamar dialecto do Italiano ao Latim Romano de Catilina e de Cícero e da velha missa católica.

  2. Em termos linguísticos não há dialectos. São línguas.

    Eu não sou especialista na matéria, mas na Alemanha sempre ouvi referir os múltiplos dialetos que há nesse país. E na Suíça alemã e na Áustria, ainda mais dialetos. Nunca se fala na língua vienense ou na língua tirolesa, mas sim nos dialetos dessas regiões.

  3. Não faz muito [sentido um acordo ortográfico]

    Disparate. A Alemanha, a Suíça e a Áustria têm, no seu conjunto, dezenas de dialetos, porém a língua está codificada e a sua ortografia ainda mais. Os suíços aprendem na escola o alemão oficial, e a sua ortografia, apesar de na prática falarem dialetos que se prounciam de forma muito diferente. Informalmente escrevem “Zuri”, mas toda a gente sabe que a grafia oficial é “Zuerich”.

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