«Tenho saudades do espaço Schengen, pois faço muitas vezes a viagem de carro entre a Alemanha e Portugal. Desta vez (há cerca de uma semana) não notámos tanta diferença como estávamos à espera. As fronteiras entre a Alemanha e a Holanda (perto de Venlo) e entre a Holanda e a Bélgica (em Maastricht) estavam abertas, mas, ao entrarmos em França, perto de Valenciennes (vindos da Bélgica), deparámos com uma fila de outros tempos, devido ao controlo. Na passagem de França para Espanha (País Basco) havia controlo no sentido contrário, mas penso que por outras razões, que não o perigo islâmico. Por outro lado, quem sabe… Pode bem ser que a França controle todas as entradas no país, sejam elas quais forem.
Estava habituada a atravessar cinco fronteiras sem notar (não fossem as placas com o nome do país onde se entrava). Numa situação destas, há uma certa revolta, a mesma revolta que alimenta as demagogias dos partidos da extrema-direita. É triste.»
Da nossa leitora Cristina Torrão. A propósito deste texto do Luís Menezes Leitão.

«…demagogias dos partidos da extrema-direita…». Enquanto por aqui Salazar apelava ao casamento entre os brancos da Metrópole e os nativos do Ultramar (e note-se que empregava a palavra «casamento»!), o camarada Estaline geria os problemas do multiculturalismo na URSS da forma que se sabe…
Os tempos que vivemos e, tudo parece indicar, os que previsivelmente viveremos legitimam, é um facto, o “discurso de taxista”, a invocação da arma que se tem lá em casa e vinda ainda dos tempos de África, a lapidar certeza do “se eu mandasse!”.
É deplorável, mas coisas são como são e de pouco serve invocar em abstracto nobres valores civilizacionais quando o cidadão comum se sente alvo potencial e se apercebe da larga impotência do Estado para o proteger. O mesmo Estado que, todavia, sobre esse mesmo cidadão comum é capaz de exercer pressão quase (quase?) tirânica.
Mas, invocando-se a extrema-direita, não se ignore a outra, a esquerda. Que também se aproveita descaradamente dos tempos que correm e é, essa sim, imbatível especialista na demagogia. Aquela que deixada à solta faz o que a História vem registando. Aquela que tudo explica, responsabiliza e presumivelmente resolveria, mediante “raciocínios” como o recente, sobre o assunto, de certo deputado do PCP.
Gente que assim pensa, e publicita isso que assim pensa sendo deputado da Nação, diz muito sobre aqueles a quem foi confiada a função de nos pastorear. E sobre aqueles que lhes confiaram essa missão.
Costa
A autora também deve ter dito que os avisos da “extrema direita” para o que se veio a passar eram “demagogia” ou talvez até pior.
Quando se está preso no seu cocoon cultural não há maneira de lá sair, nem com factos.
O que a Cristina nos está a informar é que, atualmente, a França controla todas as suas fronteiras terrestres. Mas a França é somente um país, os outros países do Espaço não o fazem.